12'' splitSó mesmo ao mais desatento podia passar despercebida esta colaboração. Esta amálgama já havia sido inscrita no cartaz do primeiro Amplifest, em 2011, e repetida com partilhas de palco algures na Europa. Os «nossos» Process Of Guilt lançam agora um disco com os suíços Rorcal, corolário da ampla experiência entre estes dois grupos, e deixam-nos três faixas cada um para dissecar. Mas, efectivamente, não faz muito sentido separarmos as responsabilidades. Apesar dos lados A e B do disco significarem o lado de cada uma das bandas, o peso em conta é das duas e o negrume é assíduo na extensão do trabalho. Parecem surgir dois métodos, duas fórmulas, para obter as mesmas tonalidades.

Os Process Of Guilt invocam as suas passadas lentas, com a habitual cavalgada opressiva dos seus pesados riffs e do tentacular baterista que é Gonçalo Correia, palmilhando alguma da remota atmosfera de “Renounce” com as dissonâncias de “Erosion” e a identidade do sombrio “FÆMIN”. Mais desprendidos a cada segundo dos três movimentos de ‘Liar’, atemoriza-nos a valência em sondar novas esferas sem romper as amarras, angariando alguma exaltação a cada trabalho lançado até à data. Do outro lado do disco, há Rorcal. Se nos anteriores trabalhos de longa-duração, “Heliogabalus” e “Világvége”, corroborámos formas diversas de arquitectar obras homéricas, os suíços guardam para este split um discurso directo genuíno, ríspido e impetuoso e as bárbaras percussão e fugacidade não dão oportunidades para repousar. ‘IX’, ‘X’ e ‘XI’, os três capítulos do lado correspondente à incursão à banda de Genebra, assolam algum encalhe na directriz atravessada, sem que remanesça muitas orações por proferir.

Estudado o split como um todo, é inerente sublinhar a coerência destas duas peregrinações – cada uma estuda o seu trajecto para a mesma meta, culminando numa obra final que funciona tanto em conjunto como em dois actos isolados: seja pela tríptico alicerçado em feedbacks dos Process Of Guilt ou pelo culto do oculto da luz dos Rorcal, nunca nos é devolvido o conforto.

Autor: Nuno Bernardo

Só mesmo ao mais desatento podia passar despercebida esta colaboração. Esta amálgama já havia sido inscrita no cartaz do primeiro Amplifest, em 2011, e repetida com partilhas de palco algures na Europa. Os «nossos» Process Of Guilt lançam agora um disco com os suíços Rorcal, corolário da ampla experiência entre estes dois grupos, e deixam-nos três faixas cada um para dissecar. Mas, efectivamente, não faz muito sentido separarmos as responsabilidades. Apesar dos lados A e B do disco significarem o lado de cada uma das bandas, o peso em conta é das duas e o negrume é assíduo na extensão do…
Seja pela tríptico alicerçado em feedbacks dos Process Of Guilt ou pelo culto do oculto da luz dos Rorcal, nunca nos é devolvido o conforto.

[Split / Bleak Recordings / 10 Outubro 2014]

Classificação

85%

Seja pela tríptico alicerçado em feedbacks dos Process Of Guilt ou pelo culto do oculto da luz dos Rorcal, nunca nos é devolvido o conforto.

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