Banda: Process Of Guilt
Álbum: FÆMIN
Data de Lançamento: 11 de Junho de 2012
Editora: Division Records (Bleak Recordings em Portugal)
Género: Doom/Post-Metal
País: Portugal

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Membros:

Hugo Santos – Voz, Guitarra
Nuno David – Guitarra
Custódio Rato – Baixo
Gonçalo Correia – Bateria

Alinhamento:
01. Empire
02. Blindfold
03. Harvest
04. Cleanse
05. Fæmin

É inevitável começar a falar de Process Of Guilt sem referir a qualidade do seu catálogo. Quando em 2006 lançaram “Renounce”, o seu doom profundo conseguiu conquistar Portugal a partir das planícies alentejanas. A banda eborense, no entanto, não ficou por aqui – em 2009, Portugal já era pouco. “Erosion” foi referência em inúmeras entidades da música pesada pelo mundo fora, convencendo comunidades online e revistas. Novamente três anos depois, “FÆMIN” é um novo capítulo da história que se escreve pelas mãos de Process Of Guilt.

A banda tem sofrido uma constante evolução do seu som, manifestando-se cada vez mais massivo e capaz de derrubar edifícios. A esta altura da carreira, as suas influências não têm mais um papel preponderante na discussão dos seus riffs e da escrita dos trabalhos. Os Process Of Guilt chegaram à altura em que merecem ser imitados e serem tomados como um exemplo a seguir para quem quer levantar um projecto do género, pois “FÆMIN” contém uma das sonoridades mais refinadas que já se escreveu – seja pela poderosa introdução de ‘Empire’, pelas palavras de ‘Blindfold’ ou pelo riff do ano de ‘Fæmin’. Dispensando cada vez mais a melodia do álbum de estreia e até os bonitos momentos acústicos de “Erosion”, foi construída aqui uma mistura de elementos pesados, lentos e agressivos pela sua própria consistência. Gonçalo é responsável por marcar a queda das guitarradas de Hugo e Nuno com o seu melhor trabalho de bateria até à data, enquanto Custódio se faz ouvir melhor – é impossível não ficar deliciado com a sua presença na faixa final, enquanto as guitarras tomam outro rumo. Os leads de Nuno, quando existem, são fulcrais para a progressão do álbum e entregam ao ouvinte uma boa maneira de se emergir e ser consumido. E Hugo volta a provar que é, muito provavelmente, a voz mais intimidante em Portugal se “FÆMIN” estiver a ser escutado a bons decibéis acima do habitual.

Para além de ser mais um lançamento de luxo, “FÆMIN” é só por si uma cruel força da natureza. O seu querer em transportar-nos para paisagens cinzentas remete-nos para um estado meditativo e, ao mesmo tempo, alarmante. Desde a calma de ‘Cleanse’ à titânica brutalidade dos minutos finais de ‘Fæmin’, este álbum convence-nos que os dois lados de um choque de contrastes podem proporcionar algo sobrenatural. Raiva? Contenção? E porque não ambos? O céu e o inferno também se tocam.

// Nuno Bernardo

 Classificação: 96/100

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