Dois anos após a passagem pelo Amplifest, o trio de Chicago passou por Portugal numa data única na digressão europeia, que, desta feita, apenas visitou a capital e lotou por completo a sala de Alvalade.

Ainda que sem um registo novo na bagagem, os já cinco discos do trio de post-metal instrumental serviram de motivo suficiente para o reencontro. E muitos foram os que compareceram na hora marcada, já que não é desconhecida a relação de amor correspondido entre os norte-americanos e o público português.

Mas antes dos Russian Circles espalharem a sua mestria instrumental pelo palco do RCA Club, foi a vez dos Helms Alee se estrearem em território nacional. Outro trio, mas de Seattle, com três discos para dar a conhecer, com destaque para o mais recente “Sleepwalking Sailors”. E a três vozes apreciámos temas como “Pleasure Center”, “Fetus.Carcass.” ou “Dogde the Lightning”. O entusiasmo foi uma constante, tal como os sorrisos e a boa disposição entre o grupo. No final, um concerto que surpreendeu e uma banda ainda com muitas cartas para mostrar.

 

Contudo, por muito bem impressionados que estivéssemos, a prestação que se seguiu, dos Russian Circles, deixou-nos completamente assombrados. Por entre o fumo denso surgiram Dave Turncrantz, Brian Cook e Mike Sullivan, que começaram a fazer soar as primeiras notas de “Deficit”, retirada do mais recente “Memorial”, que iniciou um encadeamento de emoções, por entre as várias texturas do som rico do trio. “Carpe” marcou o primeiro regresso ao primeiro disco, “Enter”, e “Harper Lewis” teve direito aos primeiros gritos de exaltação e contentamento por parte do público e foi interpretada com uma energia galopante e um jogo de luzes seguindo a cadência do próprio tema, já obrigatório nos concertos do trio.

Já “Geneva” conferiu parte do protagonismo ao baixo colossal de Brian Cook e “Station” desenvolveu-se à medida que o público abanava a cabeça de forma sincronizada. A “Mlàdek”, faixa que conjuga acordes de peso com uma espécie de leveza harmónica, seguiu-se a explosiva “Death Rides a Horse” onde foi possível conferir a «bestialidade» de Dave Tunrcrantz na bacteria.

Uma pausa para assinalar o encore e um regresso ao palco mais do que obrigatório e muito requisitado pelo público do RCA, com Mike Sullivan a compor, acorde a acorde, “Youngblood”, que deu por terminado o encantamento ao qual todos fomos submetidos. No final, a sensação era de coração cheio, depois de uma noite num ambiente familiar e de envolvência única. Sentimo-nos acolhidos nos acordes melódicos e sombrios de Russian Circles e no final foram muitos os que ficaram à conversa com os elementos do trio.

Fotografia: Manuel Casanova
Texto: Rita Bernardo

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