ANDREW KING

Neofolk, Martial Inglaterra Palco Igreja da Pena

Após uma noite de apetitosas entradas para ouvidos exigentes, o prato principal começou a ser servido no dia 29 na Igreja da Pena, de forma nunca antes vista naquele palco. Trovadores são coisa de um passado distante, mas este final de tarde começou com uma viagem no tempo guiada pela voz grave, soturna e ecoante do senhor Andrew King. Iniciando com Corvus Terrae Terror que desenrola em The Three Ravens, assistimos a um concerto único no estilo e localização, num ambiente hipnotizante que era quebrado no intervalo dos temas, quando King, rei dos trovadores modernos, introduzia esta ou aquela música, explicando sobre o que se tratava; a mãe que deseja o regresso do seu filho morto em The Wife Of Usher’s Well, a religião contada de outra forma do épico final Judas, enfim, uma panóplia de contos acompanhados de sons marciais, que marcaram pela forma como ecoavam pelas paredes da igreja. Destaque não só para o já referido Judas, tema mais famoso do músico, como também para a fantasmagórica The Stripping of the Alters. Uma hora depois regressamos ao presente, para ouvir os agradecimentos e a despedida de um músico que respira aquilo que faz.

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NŐI KABÁT

New Wave, Electro Minimal Inglaterra Palco Igreja da Pena

Női Kabát significa… Bem, segundo a própria banda, coisa nenhuma. São palavras inventadas para cada um pronunciar como quiser e associar ao que melhor lhe soar. Significado e sentido teve sim a escolha desta banda para actuar no Entremuralhas. Apesar de ser um projecto recente, com um curto leque de músicas que levou a um concerto de apenas 40 minutos, a qualidade patente na sua sonoridade minimalista de new wave saltou aos ouvidos de todos, estreando os passos de dança naquele palco, mais vividos nos singles de avanço Industry e Make Room! Make Room!. Simpáticos e com boa presença em palco, o duo nem começou da melhor maneira, com um tema inteiro e o início do segundo a pedir para os técnicos de som subirem o volume. Finalmente satisfeitos e pedindo desculpa pela primeira música, e apesar de esporádicas falhas do vocalista a entrar nos tempos certos das músicas, a verdade é que a prestação foi intensa do princípio ao fim, explosiva até nalguns momentos, com estilo q.b. e uma atmosfera que apenas aquele palco consegue proporcionar. Após um instrumental mais agressivo, a banda deixou o palco com um ruído a pairar no ar, tendo acabado por voltar para tocar mais um instrumental e enfim despedir-se do público que tão bem os recebeu.

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ONIRIC

Cabaret/Burlesque, Chanson Itália Palco Alma

O Alma foi pisado pela primeira vez poucos minutos após a hora marcada, às 21:13, por aquela que foi de longe a banda com mais dificuldades no inglês a actuar na história do Entremuralhas. Curiosamente, apesar de praticamente incapaz de comunicar com o público nessa língua, as músicas cantadas em inglês até soaram bem. Os Oniric são um colectivo italiano que facilmente se pode associar aos Spiritual Front no estilo. Faltando-lhes a experiência em palco destes, notou-se alguma insegurança e timidez, momentos mortos entre músicas e, para “ajudar” à festa, o piano deixou de funcionar por duas vezes. As coisas acabaram por ir melhorando aos poucos, com momentos doces e melodias magníficas em temas que ficam no ouvido, como Space Farewell, Found Love in a Pain(t), Blessing e Tomorrow The Sorrow. Num painel de fundo com filmes a preto a branco a passar, e claro, as muralhas do castelo, foram a belíssima voz de Simona Giusti a acompanhar Gian Vigo, que por sua vez ajudou no instrumental de Carlo De Filippo, e a qualidade e pormenores instrumentais nos temas que ficam para a história. No final, depois do único tema em italiano da noite, Sensazioni, e obviamente radiantes com o local onde tocavam, a banda despediu-se com um simpático “Portugal is fantastic!“.

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PARZIVAL

Panzer Pop, Neoclássico Dinamarca/Rússia Palco Alma

Apanhado de surpresa, vinte minutos depois das oito da noite, o público presente assistiu impotente à invasão russo-dinamarquesa. Para muitos ‘O’ concerto da noite, os Parzival marcaram pela poderosa e surrealmente grave voz de Dimitri Bablevskij, curiosamente irrequieto e animado em palco, contrastando com a solenidade fria e implacável de temas como Kali-Yuga e Das Gold Der Partei; tinha jeito para estrela de rock! Aliando sons neoclássicos ao martelar furioso da percussão, o Palco Alma mergulhou num ritual de energia e misticismo, acompanhado por uma projecção de fundo que alternava entre paisagens frias, locais inóspitos do planeta e belas imagens do universo. O vocalista fazia a festa, atirava os foguetes e apanhava as canas em palco, sempre a puxar pelo público, que respondia à altura, arrancando largos sorrisos ao carismático líder da banda. Uma cristalina voz operática feminina dava um toque sublime a composições complexas, uma muralha sonora que ecoava nas de pedra que a rodeavam. Foi ao som de um dos seus temas mais famosos, Jerusalem, que a banda finalmente deu a conquista por terminada e pousou as armas sonoras, permitindo que os presentes descessem para o Palco Corpo, onde se travam guerras mais corpo a corpo.

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HOLOGRAMS

Post-Punk, Punk Suécia Palco Corpo

Era difícil captar a atenção do público após aquilo que os Parzival fizeram. Pode-se dizer que a missão dos Holograms foi concluída com moderado sucesso, não agradando a todos, mas arrancando uma prestação bem executada. O concerto, que começou com um excerto de música clássica e logo a seguir um grande tema, no qual se destacou o momento em que toda a banda cantou quase a-capella, até prometia ser algo diferente, mas acabou por se tornar óbvio que o post-punk dos suecos não é nada de inovador, apesar de ter qualidade que se evidencia mais em Monolith, Shame e ABC City (o apogeu do concerto). Inegavelmente bons músicos, não faltou a rebeldia em palco, parecendo por vezes um pouco forçada (colocar o microfone para baixo e cantar com o pescoço virado para cima deve dar uns torcicolos jeitosos!). Os presentes dançaram e curtiram o som, sem grande euforia, mas não propriamente apáticos; houve os seus altos e baixos na plateia, enquanto a banda gritava e fazia gritar as guitarras, sempre enérgicos e sérios naquilo que faziam. Fica para a história a estreia em Portugal de uma banda que certamente cá irá voltar noutro festival ou em nome próprio, num futuro não muito distante.

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AESTHETIC PERFECTION

Electro Industrial, Synthrock Estados Unidos da América Palco Corpo

Também em estreia por cá, mas desta vez vindo do outro lado do Atlântico, os Aesthetic Perfection fecharam a noite com um espectáculo pré-montado bem executado, numa hora de concerto que meteu as filas da frente a dançar ao ritmo de um Synthrock mais leve do que aquilo que a banda fez no passado e do que a maioria das bandas que fecharam outras noites do Entremuralhas pratica; foram bem mais acessíveis que uns Hocico, Combichrist, Suicide Commando ou ESC. Após uma música perfeita para começar o concerto, Happily Ever After (não fosse a música que abre todos os concertos da banda desde que foi lançada), a actuação atingiu picos de qualidade na famosa Antibody, Lights Out e The New Black, este último precedendo um encore que terminou com o tema Spit It Out, com uma letra que agradece aos presentes o facto de o apoiarem e de lhe darem motivos para continuar. Enérgico em palco e simpático, Daniel Graves e os músicos que o acompanham ao vivo não se podem queixar de uma estreia em Portugal num cenário tão especial. Já nós, podemos queixar-nos apenas de não terem tocado um ou outro tema do primeiro álbum.

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Dia 28: Ermo, Uni_Form, Iceage

Dia 30: Allerseelen, She Past Away, Darkwood, The Legendary Pink Dots, O. Children, Hocico

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