Quatro bandas, quatro estreias, quatro álbum a apresentar, quatro estilos distintos. Estava assim constituída a celebração definitiva do Amplifest, num evento que serviu para, no fundo, ajudar a aliviar saudades. Com uma sala 2 praticamente cheia desde início, o que foge à habitual tradição portuguesa, previa-se uma noite intensa, em que tanto o peso, como o experimentalismo e o ambiental teriam todos o seu lugar.

E foi com uma boa dose de peso que a noite efectivamente começou. Dando o pontapé de saída para os concertos que estavam para vir, os Hacride proporcionaram um concerto em que o headbang foi claramente a nota dominante. A instrumentalização bem definida, intrínseca ao som da banda, ajudou a que o público reagisse de imediato. Versando-se naturalmente sobre o novo álbum, a banda acabou por cumprir, num concerto que se mostrou eficaz para libertar as primeiras ondas de energia da noite. Mas como a intensidade só resulta quando interposta no seu oposto, o concerto de Tides Of Nebula assentou perfeitamente no spot seguinte da noite. Usando as suas harmonias bastante ricas, a banda criou um ambiente que se pode chamar de quase celestial, com as linhas calmas mas complexas de guitarra a assumirem especial destaque. De referir ainda a iluminação e postura em palco da banda, que não sendo muito extravagante, revelava que estava honestamente feliz em estar ali a tocar.

E por falar em extravagante… Shining. Ver esta banda ao vivo pode-se considerar um verdadeiro desafio a tudo aquilo que se pode considerar de normal. Desde a sua tradicional junção gigante de estilos e influências, a solos free-jazz de saxofone, à incursão de Håkon Sagen para o meio do público.. Tudo na performance da banda revelou uma quase completa insanidade sensorial, sendo algo realmente distinto de tudo o que se pode ver. Este foi, por isso, um dos momentos da noite, com o público a reagir à banda com igual vivacidade, ficando apenas o desejo para que o concerto fosse maior. Isto seria, no entanto, impossível, devido à iminente presença dos The Ocean no palco portuense. Cada vez mais uma referência no meio do Metal progressivo, a banda tocou maioritariamente temas do seu aclamado último álbum, rodeando-se de um cenário visual impressionante. Com diversos vídeos, luzes e outros artefactos, a banda revelou também uma grande presença em palco (especial destaque para o constante movimento de Robin Staps) e uma boa interacção com o público, tendo o vocalista atirado-se para o crowd surf logo na primeira música. E falando em público, destaque ainda para aquele que foi o único mosh da noite, numa «actuação» que foi, de resto, também ela muito activa.

Quatro bandas, quatro álbuns a apresentar, quatro estilos distintos… e quatro grandes concertos. O Amplifest encerra assim em definitivo a sua actividade na edição deste ano com uma noite que certamente não fica atrás de todos os concertos já realizados no evento principal. Assim, resta-nos apenas despedir com um «até já», pois para o ano há mais, ficando apenas uma questão por responder: o «para o ano» tem de demorar assim tanto?

Texto: João Vinagre
Fotografia: Carolina Neves

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