No sábado passado, por volta das 23h00, as portas do famoso Musicbox, em Lisboa, abriram-se para a gravação da segunda edição da série documental “Club Docs”, em que os concertos de Linda Martini e Dead Combo (espectáculo que aconteceu no dia anterior, sexta-feira dia 17) estarão incluídos. O espaço estava esgotado e, apesar da chuva, a fila era comprida, o que comprova o sucesso do recente albúm dos Linda Martini, “Casa Ocupada“. Para “aquecer” o público os Linda Martini trouxeram a banda I Had Plans.

Esta banda, embora desconhecida a muitos dos espectadores, já existe há alguns anos e os elementos desta não são totalmente desconhecidos no panorama musical português. O projecto conta com o guitarrista português Rui Carvalho (conhecido também pelo seu projecto a solo “Filho da Mãe” e por ser guitarrista da banda If Lucy Fell) e com o baterista Ricardo Martins (Lobster e Asneira). O concerto começou pouco antes da meia-noite e surpreendeu-nos com um espectáculo intenso. Embora o alinhamento fosse curto, com uma sonoridade a lembrar o post-hardcore com passagens instrumentais de bandas como Thursday, e uma performance no mínimo energética, os I Had Plans deixaram muitos dos presentes estupefactos. O vocalista Iuri Landolt esteve sempre comunicativo, chegando a misturar-se com o público para ouvir os seus colegas tocarem as passagens instrumentais. Ao fim de 40 minutos, a banda abandonou o palco dando assim lugar aos Linda Martini que tomaram os seus lugares rapidamente.

A banda iniciou-se com “Elevador” e logo de seguida “Mulher-a-Dias“, ambas do seu trabalho mais recente. No ar pairava uma sensação de cumplicidade entre a banda e o público que cantava os temas a plenos pulmões. O resto do alinhamento tocou todas as fases da banda, passando por faixas como “Efémera“, “Cronófago” e “As Putas Dançam Slows“, mas focando, claro, o álbum “Casa Ocupada“. O baterista Hélio Morais foi o elemento de comunicação para com o público, mostrando-se espantado com a aderência do público à banda, sendo que nos últimos dois meses tocaram em Lisboa três vezes, sempre com casa cheia. Depois de “O Amor é Não Haver Polícia” a banda fez um breve encore, regressando 5 minutos depois para tocar duas músicas igualmente emblemáticas, algo a que os Linda Martini já nos habituaram nos seus concertos. A primeira foi “Este Mar” do seu primeiro EP. Esta faixa melancólica mas mais tarde enérgica mostra-nos como a banda começou e foi, como sempre, um dos momentos altos do concerto (a par com a mais comercial “Amor Combate“). O último tema tocado foi “Cem Metros Sereia“, o qual se começa a tornar numa espécie de hino para encerrar concertos e que juntou, em palco, vários amigos da banda para cantar os coros finais: “Foder é perto de te amar / se eu não ficar perto!”.

Será que a música portuguesa está finalmente a ganhar valor entre os jovens? Acho que se pode concluir que sim e esperemos que esta banda continue entre nós e que se continuem a entoar e gritar as suas palavras.

ALINHAMENTO:

Elevador
Mulher-a-Dias
Efémera
Nós os Outros
Amigos Mortais
Dá-me a Tua Melhor faca
Juventude Sónica
Belarmino
Amor Combate
Cronófago
Partir Para Ficar
As Putas Dançam Slows
Ameaça Menor
O Amor é não Haver Polícia
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Este Mar
Cem Metros Sereia

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