Opinião de: David Matos
Todos os anos, a equipa da Ruído Sonoro elege, a título individual, os seus discos de eleição. 2025 não foi exceção. Pessoalmente, costumo partilhar nesse artigo um top 10 ou top 15 nacional, separado do top internacional. Este ano, decidi que deveria dar um destaque diferente à música portuguesa, em especial ao meu género de eleição, o Metal.
Foi um ano com muitos e bons lançamentos de peso, desde álbuns de estreia a bandas já de renome. Mas antes de irmos a eles, queria deixar na mesma o meu top 10 nacional fora do metal. Também nesses meandros menos agressivos sonoramente foi um ano bastante forte, com vários nomes consagrados a lançar discos magníficos, bem como alguns novos projetos surpreendentes. Aqui ficam as minhas escolhas nessa categoria:
1. Noiserv – 7305
2. Mão Morta – Viva La Muerte!
3. Rei Bruxo – O Quarto Fechado
4. Linda Martini – Passa-Montanhas
5. Carminho – Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir
6. Scúru Fitchádu – Griots I Riots
7. Decline And Fall – Scars And Ashes
8. Rui Massena – Parents’ House
9. Tó Trips & Fake Latinos – Dissidente
10. Conan Osíris – Xenonexo
Podem ouvir uma música de cada um dos lançamentos mencionados acima nesta playlist:
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Prosseguimos então com o metal nacional em 2025. Não só foi um ano com muitos álbuns lançados, como houve uma qualidade acima do normal e dos mais variados subgéneros. Apresento então os discos que mais me impressionaram, num top 10 decrescente e uma menção honrosa, para manter o suspense do disco nacional do ano durante mais uns meros segundos de scroll vertical.
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Menção honrosa: Sigilo – Sermão
Black Metal // Sortelha
O motivo para este lançamento ser uma menção honrosa é porque, na verdade, não é um álbum. É um split do novo projeto nacional de black metal Sigilo com a dupla brasileira Luxúria de Lilith. Em Sermão, podemos ouvir quatro músicas desta nova aposta da Alma Mater Records, que farão parte do álbum de estreia que sairá este ano. É um dos projetos de black metal que mais me encheu as medidas nos últimos anos em solo lusitano; não esperem pelo álbum e vão já ouvir este split.
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10. Inhuman Architects – Spectrum Of The Damned
Deathcore // Lisboa
Quatro anos depois do álbum de estreia, os Inhuman Architects voltam com um disco mais audaz e bem conseguido, onde um deathcore furioso nos abraça numa explosão constante, com elementos sinfónicos e imponentes breakdowns.
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9. Glasya – Fear
Symphonic Metal // Lisboa
O terceiro álbum dos Glasya é uma produção de metal sinfónico ambiciosa e audaz, revelando uma banda em evidente crescimento qualitativo; Fear é majestoso, vivaz e excitante, escondendo detalhes deliciosos ao longo de 66 minutos.
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8. The Ominous Circle – Cloven Tongues Of Fire
Black Metal, Death Metal // Porto
Oito anos depois do aclamado disco de estreia, os portuenses The Ominous Circle regressam com mais uma pútrida manifestação de opressivos desígnios, numa fusão de black e death suja, crua e visceral, evocando negrume sem piedade.
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7. Lysergic – Black & Blue
Extreme Progressive Metal, Melodic Death Metal // Santarém
Apesar de ser o seu primeiro álbum, os Lysergic mostram já relevante maturidade musical. Black & Blue é uma tempestade de riffs viciantes, com um som orgânico e eletrizante, não esquecendo a melodia e introduzindo deliciosos elementos progressivos.
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6. Eden’s Apple – Primordial Roots
Alternative Metal, Melodic Death Metal, Symphonic Metal // Leiria
O disco de estreia dos leirienses Eden’s Apple escreve um refrescante novo capítulo na história do metal nacional; com voz feminina que vai do lírico ao gutural, a sua sonoridade bebe do death melódico, metal alternativo e sinfónico, criando algo único.
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5. Destroyers Of All – In Darkness We Remain
Thrash Metal, Melodic Death Metal, Groove Metal // Coimbra
No seu terceiro álbum, os Destroyers Of All conseguem a sua melhor produção de sempre; exímios na execução instrumental e vocal, os conimbricenses não reinventaram a roda do death e thrash, mas fazem-na girar com o necessário vigor e pujança.
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4. Spiralist – Violent Feathers
Alternative Metal, Industrial Rock // Porto
Um dos segredos mais bem guardados do metal nacional, o projeto Spiralist de Bruno Costa é marcado pela irreverência e constante reinvenção. Violent Feathers é um disco diverso e experimental, onde o metal alternativo se casa com o rock industrial.
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3. Godark – Omniscience
Melodic Death Metal // Penafiel
O regresso dos Godark constitui um dos melhores discos de death metal melódico alguma vez feitos em Portugal. O delicado equilíbrio entre peso e melodia é respeitado com precisão, revelando uma sonoridade que evoca os seus congéneres nórdicos.
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2. Anzv – Kur
Black Metal, Death Metal // Porto
Na sua fusão entre black e death metal, os Anzv criam sonoridades ritualescas de atmosfera intensa, por vezes positivamente sufocante, com uma bateria furiosa a ser acompanhada por riffs vertiginosos e uma voz dilacerante, com ocasionais coros.
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1. Phase Transition – In Search Of Being
Progressive Metal // Porto
O álbum de estreia dos portuenses Phase Transition não podia ser mais entusiasmante. Metal progressivo moderno, enérgico e coeso, cantado em feminino, com solos magníficos, bateria empolgante e um irrequieto violino a dar um sublime toque clássico.

