Barreiro Rocks. A fotogaleria do regresso do festival

Fotografia: Nuno Bernardo

Quando em 2018 afirmámos que o pior do Barreiro Rocks era ter de esperar mais um ano pelo próximo, não imaginávamos que seriam muitos mais. Foram precisos sete anos para retomar a história do festival que actua como epicentro da cultura garage rock e celebra o rock’n’roll cru de forma singular.

Numa «edição muito sentimental», de acordo com o fundador Carlos Ramos (ora Picos, ora Suave, ora Nick Nicotine, ora outra alcunha perdida pela copofonia), o Barreiro Rocks regressou com um cartaz composto por amigos para fazer valer o revivalismo, dando palco a artistas que tocaram no festival na década anterior.

Dia 5 de Dezembro

O pavilhão do Grupo Desportivo dos Ferroviários não foi palco como outrora, mas o seu bar que agora mantém negócio diário com o nome Locomotiva fez parte dos planos deste Barreiro Rocks. As boas vindas foram dadas por A Boy Named Sue nos pratos com um DJ set a que fez circular os primeiros litros de cerveja, um par de horas antes de se atravessar a linha de comboio para focar as atenções no novo centro de operações do festival, a ADAO.

A sala maior da ADAO acolheu o palco Crooner Vieira, nome herdado da importante figura que marcou o festival pela sua boa disposição e marcante cantoria entre concertos. Aquecidas primeiras válvulas amplificadas, os Algumacena de Alex D’Alva Teixeira e Ricardo Martins voltaram ao evento em que a banda se estreou, precisamente, em 2018. Para a ocasião apresentaram-se com uma formação expandida, com João Descalço no baixo e Óscar Silva (aka Jibóia) na guitarra, com a surpresa Inês Matos (aka Inóspita) a tomar também a guitarra para a despedida de palco.

Ainda na mesma sala, Miguel Gomes aka Chinaskee também estreou uma nova formação e iluminou de escarlate o bonito backdrop pintado para o Barreiro Rocks – tradição anual que regressou também com o festival. Já na sala das colunas ao lado, no intitulado palco Party Fiesta, os El Señor apelaram à proximidade para se combater o frio.

 

Detentores de concertos intensos dados no festival, os Sunflowers fizeram o público regressar ao palco Crooner Vieira para testemunhar como a banda cresceu e como o seu fuzz ecoa de forma mais agressiva. A marcha punk da noite foi vincada por Vaiapraia, também com um estatuto bem diferente do que quando passou pelo Barreiro Rocks pela primeira vez, acabando os concertos da noite em grande com maior agitação na plateia.

Entre os dois, o palco Party Fiesta abanou com os locais Pista, praticantes do pé de dança frenético de mão dada com o noise, o math e o surf rock. Depois de arrumadas as guitarras, houve DJ Candy Diaz para prolongar a noite.

 

Dia 6 de Dezembro

O segundo dia de Barreiro Rocks arrancou mais uma vez no Locomotiva no período da tarde. A corrida São Silvestre, que suspendeu as estradas marginais da cidade, afunilou o trânsito por uma única via e tornou complicado o acesso à programação prevista para o festival antes da hora de jantar. Escárnio, liderados por Violeta Luz, deram o pontapé de saída antes de Cooperativa Soundsystem, trupe barreirense que troca discos.

Já de pés assentes na ADAO, ninguém melhor do que Fast Eddie Nelson para dar as boas-vindas ao Barreiro para os que chegaram de fora. O bluesman camarro sabia que a ocasião de regresso do festival merecia um ‘mimo’ extra, convidando a palco a surpresa João Cabeleira. De ouvidos afinados para a música de outrora, o fuzz primitivo d’Os Overdoses (ainda que de antigos nada tenham) permitiu um dos concertos mais efusivos do Barreiro Rocks. No palco Party Fiesta a movimentação dos corpos não abrandou com a sempre elevada jarda de 800 Gondomar.

 

Já a noite se prometia estender quando os neerlandeses The Anomalys potenciaram o rock fantasmagórico em modo power trio, tese igualmente defendida por The Jack Shits antes e depois de se despirem as camisolas como já é tradição em concerto da banda portuguesa. O concerto final desde segundo dia de Barreiro Rocks coube aos madrilenhos Los Chicos e a impressão é a mesma em cada passagem pelo festival: bandão intemporal que faz de qualquer metro quadrado uma oportunidade de palco. Pouco importou se as guitarras estavam entre o público, se músicos de outras bandas pudessem entrar a bel-prazer numa faixa ou se o público pudesse invadir o palco. Os Los Chicos são já barreirenses honorários e fizeram-nos sentir em casa. Já pela madrugada avançada, os resistentes ainda bateram o pé com DJ Shimmy.

 

Dia 7 de Dezembro

A combater possíveis ressacas de dois intensos dias, o terceiro e último dia de Barreiro Rocks assumiu o papel de epílogo em matiné tardia no Locomotiva. No centro das atenções esteve o fundador e homem-forte do festival, Carlos Ramos, com presente e passado criativo: primeiro com os recentes The Anxiety Disorders e depois com os históricos The Act-Ups, sempre com o Tejo a servir de fundo e Lisboa no horizonte. Caída a escuridão e para a última troca de copos, Nuno Rabino foi o DJ capaz de dar música às palavras de «para o ano há mais».