Foi na passada sexta-feira, 21 de Maio, que o quarteto Linda Martini voltou aos concertos, ao final de sete longos meses de uma dura pandemia. Esta actuação, integrada no ciclo de concertos Santa Casa Portugal Ao Vivo, decorreu no Campo Pequeno, em Lisboa.

Enquanto se aguardava, começamo-nos a aperceber das diferenças suscitadas pelas precauções a que fomos obrigatoriamente expostos: menos ruído, mais espaço, muitos lugares vazios, mesmo quando o relógio já assinalava as horas previstas para o início do concerto. Somente às 20h20 é anunciada a mensagem de abertura, e o público movimenta-se no sentido de aplaudir e apoiar os artistas e a cultura.

A sensação de escutar música ao vivo, a voz que sai pelas colunas faz arrepiar – «agora é para viver» -, recuperando assim um sentimento perdido no tempo para quem só agora regressou aos concertos. Nunca o público foi tão calmo, sossegado, contido, num concerto de Linda Martini. Também a sua voz e a música surgem assim, contidos, cheios de vontade de flutuar  neste mar de gente. Sente-se o calor das pessoas, a sua energia, a vontade de abanar mais que a cabeça ou bater o pé. A banda abre com “Dez Tostões” e “Horário de Verão”, mas foi com “Boca de Sal”, já depois de “Caretano”, que mais se ouviu a ajuda do público, a vibrar.

Entre samples com a voz de José Mário Branco em “Partir Para Ficar” e uma versão de “Frágil ” de Jorge Palma, fez-se notar a emoção da lembrança e admiração pelos artistas nacionais e o uso da música enquanto veículo de intervenção. “Juventude Sónica”, depois da recente “Taxonomia”, trouxe a noção de comunhão, com o público a gritar «parecemos putos, não temos aulas amanhã», tal como em “Putos Bons” nas intensidade das palavras, «eu não caibo em mim».

André, Hélio, Cláudia e Pedro, o quarteto maravilha, agradeceram o apoio que sobretudo à família e amigos deram ao contribuir para a compra dos bilhetes e antes de rumarem a “Semi Tédio dos Prazeres” sublinharam que «é importante estarmos juntos, agora que podemos», agradecendo a todos. A fechar deixaram-nos uma “Não Sobrou Ninguém”.

Para quem chegou até esta parte do texto e apenas quer perceber como é ir a um concertos nos dias que correm, fiquem descansados, o bar continua aberto: é possível continuar a acompanhar os concertos com um copo na mão, desde que se garantam as condições de segurança (i.e., retirar a máscara apenas aquando do momento do ingestão da bebida). A cultura é segura.

Texto: Ana Margarida Dâmaso
Fotografia: Ana Ribeiro

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