Quinta-feira, 26 de Fevereiro, foi a data escolhida para a passagem da Rebellion Tour 6 por Portugal, mais concretamente por Lisboa na já clássica República da Música. A edição deste ano reuniu os Backtrack, os Rise of the Northstar, os Strife e os Madball e, para além de da data em Portugal organizada pela Hellxis, passou também pela Alemanha, França e por Espanha.

O cartaz em Lisboa contou com a ajuda dos nacionais Push! e Reality Slap, sendo que quando chegado ao local, por volta das 21h00, já os segundos estavam na sua penúltima música. Deu para ver pouco mas também para perceber o tamanho do lugar que estes já ocupam na cena nacional, a julgar pelo já público presente na frente e pelo moshpit constante.

Durante os 10 minutos de intervalo que duraram até aos Backtrack subirem ao palco, dá-se a volta pelo merch. Nessa altura já a sala estava bem composta e do início ao fim houve sempre pessoal a entrar – e via-se de tudo, desde pessoal do norte a estrangeiros, e desde pessoal mais old school a miúdos novos nestas andanças. Começaram então os nova-iorquinos Backtrack. A primeira pausa, ao fim de 3 músicas, serviu para o vocalista elogiar os Reality Slap e puxar o público mais para a frente, começando de seguida a banda a tocar “Their Rules”, o seu tema mais conhecido, que caiu optimamente no público. Seguiu-se “Life’s Plan”, com o vocalista já em tronco nu e, após uma curta pausa, a banda passou ainda por “Nailed to the Tracks” e “Too Close”, antes de acabar com “Erase The Rat”.

Era a vez dos Rise Of The Northstar. Pessoalmente, embora não seja a minha sonoridade de eleição, tinha uma certa curiosidade em vê-los pelas «personagens» que encaram. Com dois Roll Ups japoneses no palco, após um pequeno problema com o pad do baterista (que fazia um som com uma frequência de graves capaz de fazer tremer as paredes e o chão da sala), a banda começou a debitar o seu hardcore rap lento e forte carregado de dedilhados executados pelo carismático Evangelion B com a sua máscara de dentista. Sendo claramente uma banda new school de mais para muitos dos presentes e que baixou um bocado a intensidade, os franceses optaram por deixar o melhor para o fim e acabaram com “Again and Again”, seguida pela conhecida “Demonstrating My Saiya Style”.

 

Às 22:40h começou o melhor concerto da noite. Os Strife tinham prometido voltar a Portugal depois do seu show no Jurassic Club Fest em 2013 e assim o fizeram. Automaticamente a média de idades presente na frente voltou a subir e a energia começou também a subir quando os californianos entraram em palco com “Through and Through” do álbum de 1994, One Truth, seguida de “What Will Remain” do mesmo álbum, passando depois para “Carry the Torch”. Com um destaque especial para o baterista, o que não faltou no concerto inteiro foram elogios e pessoal a fazer crowd surf e stage dive. Depois de tocarem “Thorn Apart”, subiu ainda ao «palco mais pequeno da tour» (palavras do vocalista) um convidado especial para ajudar em “Look Away”, tendo o concerto acabado com a conhecida “Blistered” meia-hora depois do início.

Ainda antes da meia-noite foi então a vez dos reis da noite subirem ao palco. Activos desde 1988 e adorados por todos os presentes na sala, os Madball entraram a matar com “Set It Off” passando para “Hardcore Lives”. Com Bryan “Mitts” Daniels vestido duma maneira que parecia um turista inglês do «Allgarve», Hoya Roc sempre com o seu estilo mexicano e uma setlist de mais de 20 músicas, a banda de Freddy Cricien não desiludiu, passando pelos grandes “Get Out”, “Heaven Hell” (com a ajuda de Poli dos Devil In Me), “Pride” e “Para Mi Gente” e tocando também temas do novo álbum, Hardcore Lives. A última pausa serviu para apresentar a banda e, após uma curta mas merecida ovação, a noite acabou ao som de “Hardcore Still Lives!” de 1996.

A verdade é que, quer se goste ou não, ficou mesmo provado que o hardcore ainda vive e está para ficar.

Fotografia: Manuel Casanova
Texto: João António Silva

 

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