Ainda me lembro da primeira vez que ouvi Boris. Andava eu a explorar a já vasta discografia de Sunn O))) na altura quando me deparei com um álbum de colaboração entre eles e a banda japonesa: Altar. Takeshi Ohtani, Atsuo Mizuno e Wata haviam-se juntado à dupla de Seattle para um registo que contava ainda com a presença de nomes como Dylan Carlson, Jesse Sykes e Randall Dunn. Uma combinação explosiva, com resultados fantásticos, que rapidamente se tornou numa referência dentro do género.

Mas hoje não vos venho falar do passado de Boris, nem das imensas contribuições que já fizeram ao mundo da música experimental. Hoje, falo do seu presente e do seu mais recente registo, Dear, editado a 14 de Julho pela Sargent House. O álbum que começa com um simples rolar de bateria, seguido da queda repentina de guitarras, como que um estalar de dedos que pronuncia a morte de meio universo, é uma continuação da exploração sonora que os Boris têm vindo a fazer desde a sua concepção. Desde a sua primeira faixa, “D.O.W.N -Domination of Waiting Noise-“, percebemos exactamente isso, que Dear é só mais um exemplo do porquê da banda japonesa ser tão amada dentro do círculo do drone.

Neste álbum, temos um pouco de tudo. Se a vossa cena é mais riffs lentos e arrastados misturados com vocais hipnóticos, então “Deadsong” e “Memento Mori” vão saciar o apetite. Se preferem algo mais frenético, então “Absolutego”, esse rápido piscar de olhos ao primeiro álbum da banda, será o vosso melhor amigo. Mas se a calma antes da tempestade é o que mais amam, então encontraram em “Distopia –Vanishing Point-“ e “Beyond” aquilo que procuram. Mas verdadeiramente felizes serão aqueles que gostam de todas as facetas dos Boris.

No geral, Dear é um álbum consistente. Não no sentido literal da palavra pois aqui é o caos que reina, mas sim no sentido em que é um álbum à Boris, imponente e com qualidade, algo que a banda japonesa nos tem vindo a habituar ao longo da sua carreira. E no fundo é isso mesmo que se quer. E queridos são eles por o continuarem a fazer.

Autor: Filipe Silva

Ainda me lembro da primeira vez que ouvi Boris. Andava eu a explorar a já vasta discografia de Sunn O))) na altura quando me deparei com um álbum de colaboração entre eles e a banda japonesa: Altar. Takeshi Ohtani, Atsuo Mizuno e Wata haviam-se juntado à dupla de Seattle para um registo que contava ainda com a presença de nomes como Dylan Carlson, Jesse Sykes e Randall Dunn. Uma combinação explosiva, com resultados fantásticos, que rapidamente se tornou numa referência dentro do género. Mas hoje não vos venho falar do passado de Boris, nem das imensas contribuições que já fizeram…

Álbum. Sargent House. 14 Julho 2017

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