PurpleParece que foi ontem mas já passaram uns dez anos desde que nos referíamos aos Mastodon como uma banda selvagem, pura, pronta a forçar as grandes bandas de rock a meter o rabo entre as pernas sempre que eram confirmados para um festival em Portugal. Inevitavelmente, dada a sua qualidade e poderio, os Mastodon acabaram por atingir um maior público, uma maior atenção das massas e o lançamento de um The Hunter que os ligou em definitivo a um público menos barbudo.

Mas estava tudo bem, pois os tipos das camisas de flanela continuavam a guardar os Baroness como seus e só seus. Mas não sabemos até quando este “segredo” poderá continuar guardado – também com quatro discos vimos os Mastodon a fechar um capítulo e a abraçar um novo. Após o lançamento de um Yellow & Green mais bonito e comedido e do acidente que desafiou a vida da banda, deram-se duas saídas – do baixista Matt Maggioni e do baterista original Allen Blickle – que deixaram John Dyer Baizley como o restante membro original de uns Baroness que sempre foram o seu reflexo. Um reflexo a nível musical e, sobretudo, a nível visual e conceptual, não fosse ele o responsável pela direcção artística dos lançamentos desde o EP de estreia em 2004.

Depois da numeração em EPs – First e Second – seguiram-se os álbuns por cores. A Relapse Records assinou Red Album em 2007, Blue Record em 2009 e o duplo Yellow & Green em 2012, uma trilogia que demarcou uma evolução natural da maturidade dos Baroness. Onde surge este quarto Purple nesse contexto? A nível de maturidade é tão ou mais importante que Yellow & Green, mas a nível sonoro situa-se precisamente entre as cores que mistificam a púrpura. Entre o Red e o Blue, isto é, entre a selvajaria a la Mastodon com riffs soberbos e a introdução da calmaria progressiva que os Pink Floyd ensinaram na primeira metade dos anos 70.

Não estamos perante nenhuma faixa estupidamente viciante como aquela “A Horse Called Golgotha” ou uma cadência inconsequente de riffs como na antiga “The Birthing”, mas há boas visitas ao culto da guitarra em “Kerosene” e “The Iron Bell”. Aquele pré-verso de “Chroline & Wine” lembra mesmo a enorme “Shine On You Crazy Diamond” dos Floyd e não podemos deixar de relacionar a lírica com a própria vivência, ou sobrevivência, de Baizley. É um álbum escrito sobre os pilares do agradecimento pela vida, pelo positivismo e, sobretudo, pela alegria de poder voltar a pisar o pedal de fuzz e overdrive no momento de tocar guitarra.

Autor: Nuno Bernardo

Parece que foi ontem mas já passaram uns dez anos desde que nos referíamos aos Mastodon como uma banda selvagem, pura, pronta a forçar as grandes bandas de rock a meter o rabo entre as pernas sempre que eram confirmados para um festival em Portugal. Inevitavelmente, dada a sua qualidade e poderio, os Mastodon acabaram por atingir um maior público, uma maior atenção das massas e o lançamento de um The Hunter que os ligou em definitivo a um público menos barbudo. Mas estava tudo bem, pois os tipos das camisas de flanela continuavam a guardar os Baroness como seus…
É um álbum escrito sobre os pilares do agradecimento pela vida, pelo positivismo e, sobretudo, pela alegria de poder voltar a pisar o pedal de fuzz e overdrive no momento de tocar guitarra.

Álbum. Abraxan Hymns. 18 Dezembro 2015

Classificação/Rating

8.1

É um álbum escrito sobre os pilares do agradecimento pela vida, pelo positivismo e, sobretudo, pela alegria de poder voltar a pisar o pedal de fuzz e overdrive no momento de tocar guitarra.

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