TwilightHá que lamentar o nome da banda. Formados não muito antes do grande boom que levou a parada vampiresca brilhar ao sol e ouvir Muse, os Twilight faziam-se ouvir desde São Francisco como uma super banda formada por membros ou ex-membros de entidades como Leviathan, Nachtmystium, Xasthur ou Draugar. O disco de estreia, em 2005, resultou numa boa proposta de black metal menos tradicional e com uns sentimentos mais arrojados. O segundo álbum, porém, iria surpreender muito mais. “Monument To Time End” juntava os membros N. Imperial, Aaron Turner, Stavros Giannopoulos, Sanford Parker, Wrest e Blake Judd num lineup de sonho que devolveu um álbum de sonho.

Juntamente com o lançamento deste “III: Beneath Trident’s Tomb” foi anunciado o fim dos Twilight. A expectativas para o terceiro, último e irrevogável disco dificilmente serão suplantadas. Mas o que esperar de um disco em que temos Thurston Moore  – sim, esse mesmo, o dos Sonic Youth – no posto outrora ocupado por Aaron Turner e Blake Judd? O juízo é que, mesmo com a pressão do último disco «ter-que-ser» memorável, o grupo falha. Num disco muito mais curto que o anterior, estes «novos» Twilight revelam-se incapazes de criar elos que possam prender as ideias nos ouvidos. À excepção de ‘Seek No Shelter Fevered One’ e um ou outro momento, este “III” é um disco oco, cambaleante, daqueles que balbuciam entre a nota artística e a [des]inspiração, parecendo-se mais com uma jam medíocre, com os elementos aqui e ali a suscitarem pouco interesse. O toque de Thurston faz-se ouvir, sem dúvida, entre um misto de ruído e guitarra com frescas cargas de dissonância, mas Aaron Turner era o Midas, como já deu para perceber na sua relação com o encerrar de outras bandas. Por outro lado, o disco não deixa de ser uma chapada nas ideias comuns e nos cânones que o black metal impingiu nos meados dos anos 90. Mas isso não é novidade na cena americana.

Se este é mesmo o último disco de Twilight (estes anúncios nunca são de fiar, não é?), então fica a sensação que o núcleo que os compõe não soube fechar a sua última porta. Uma estreita relação entre o declínio e o fim com um conjunto de temas leigos.

// Nuno Bernardo

Há que lamentar o nome da banda. Formados não muito antes do grande boom que levou a parada vampiresca brilhar ao sol e ouvir Muse, os Twilight faziam-se ouvir desde São Francisco como uma super banda formada por membros ou ex-membros de entidades como Leviathan, Nachtmystium, Xasthur ou Draugar. O disco de estreia, em 2005, resultou numa boa proposta de black metal menos tradicional e com uns sentimentos mais arrojados. O segundo álbum, porém, iria surpreender muito mais. "Monument To Time End" juntava os membros N. Imperial, Aaron Turner, Stavros Giannopoulos, Sanford Parker, Wrest e Blake Judd num lineup de sonho que devolveu um…
Apesar de tudo, o disco não deixa de ser uma chapada nas ideias comuns e nos cânones que o black metal impingiu nos meados dos anos 90.

[Álbum / Century Media Records / 17 Março]

Classificação

66%

Apesar de tudo, o disco não deixa de ser uma chapada nas ideias comuns e nos cânones que o black metal impingiu nos meados dos anos 90.

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