A década de 80 foi, principalmente, dominada pelo surgimento e imposição do thrash metal e de uma nova forma de compor rock progressivo. Os 5 álbuns seguintes tentam não focar toda a atenção no thrash metal ou heavy metal, por isso foi necessário suprimir alguns discos, que para muitos são melhores que alguns aqui apresentados. A diversidade foi um dos principais critérios para a escolha destes álbuns que fazem, este ano, 30 anos.

Metallica - Ride the Lightning

É o segundo disco de estúdio das lendas do thrash metal, perdurando, este álbum, como essencial e histórico na longa carreira do grupo americano liderado por Lars Ulrich e James Hetfield. Quando comparado com a obra-prima do thrash metal, Master Of Puppets, Ride the Lightning acaba por ser ‘deixado de lado’ por uma grande maioria dos fãs. No entanto, os seguidores da banda, os fãs mais acérrimos e “old-school”, que seguem sempre a banda, vêem neste disco a base para tudo que os Metallica fizeram nos três álbuns seguintes, onde marcaram a história da música. É um dos mais ferozes produtos musicais que há memória, nota-se a força e a irreverência do grupo que se esforçou para deixar uma ‘pegada’ definitiva na indústria musical. Ride the Lightning está muito perto da perfeição.


Chicago - XVII

Tenho de ser sincero, quando vos digo que este é um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Chicago começou por ser uma banda que gostava de tocar rock progressivo, jazz fusion, jazz/blues ou até hard rock, no entanto com o passar dos anos tornou-se cada vez mais ‘amiga das rádios’ e a partir do décimo segundo álbum, Hot Streets, virou por completo a sua direcção musical. Com a morte de um dos fundadores e melhores guitarristas de todos os tempos, Terry Kath, a grande influência de rock com uma tendência musical mais eléctrica e progressiva desapareceu, provocando uma enorme mudança no grupo.

Apesar disso, Chicago sobrevive ainda hoje como uma das bandas mais marcantes dos anos 60, 70 e 80. É verdade que perdeu muita força ao longo dos anos, mas não deixam de ser lendas vivas que contribuíram, significativamente, para a evolução da música. Prova disso mesmo é este Chicago XVII, que é todo ele um sucesso comercial cujas faixas passaram várias vezes nas rádios e que se tornaram conhecidas de todos os fãs. “Stay the Night”, “Hard Habit to Break”, “Along Comes A Woman”, “You’re the Inspiration” ou “Remember the Feeling”,  são sucessos que, ainda actualmente, são obrigatórios e que fazem parte integrante da sua discografia. Arrisco-me até a dizer que este disco marcou uma geração. Todo ele merece destaque e apesar de ser totalmente romântico, ele deve ser ouvido por todos os ouvintes de rock.


Dio - The Last in Line

The Last in Line é o sucessor do grande sucesso e álbum de estreia, Holy Diver. Ambos são muito parecidos, em termos qualitativos, e fazem parte da trilogia de discos lançados por Ronnie James Dio que permitiram impulsionar a banda, Dio, para um nível icónico. O álbum foi até considerado como um dos 500 melhores discos de rock e metal pela revista Rock Hard. É outro dos lançamentos que marcou uma década com sucessos como “We Rock”, “The Last in Line”, “I Speed at Night”, “One Night in the City”, “Evil Eyes” e “Egypt (The Chains Are On)”, que se mantiveram no repertório do grupo até à morte, em 2010, da lenda Ronnie James Dio.


Iron Maiden - Powerslave

É outro álbum de heavy metal/thrash metal que marcou o ano de 1984 e a história musical, no entanto Iron Maiden apresenta e sempre apresentou um som muito diferente de outras bandas de thrash metal ou heavy metal americanas, que marcaram esta década de 80. Os mestres do New Wave of British Heavy Metal lançam mais outro excelente álbum, a juntar aos outros lançados neste ano. Este lançamento é, juntamente com The Number of the Beast e Seventh Son of the Seventh Son, o melhor álbum do grupo com uma direcção bem mais ‘thrash’ e rápida do que outros discos. De destacar as rápidas e poderosas “Aces High”, “2 Minutes To Midnight” e “The Duellists” e as épicas “Powerslave” e “Rime of the Ancient Mariner”.


Deep Purple - Perfect Strangers

Deixei este disco para último propositadamente, Perfect Strangers é, de longe, o melhor álbum lançado neste ano de 1984 e um dos melhores de todos os tempos, sem dúvida alguma. Para além de tecnicamente irrepreensível é, também, bastante simbólico, já que marcou o regresso da segunda formação dos Deep Purple, após uma separação de 11 anos. O grupo volta a juntar-se, marcando um dos maiores regressos da história da música, e volta a respeitar-se, pelo menos durante algum tempo. Os milhões de dólares convenceram os membros e antigos amigos a juntar-se, o que resultou numa excelente demonstração de como o hard rock e heavy metal deve ser executado. Como referi, o respeito reinou durante uns anos, para acabar pouco tempo depois do lançamento do credível The House of Blue Light, em 1987.

O grupo funciona “às mil maravilhas” quase assemelhando-se à magia que o grupo tinha quando Roger Glover e Ian Gillan se juntaram à banda, em meados de 1969. O ‘mestre dos mestres’ da guitarra, Ritchie Blackmore, faz neste disco uma das grandes exibições da sua carreira com surpreendente qualidade em “Knocking at Your Back Door”, “Perfect Strangers”, “Under the Gun”, “Hungry Daze”, “Mean Streak” e a fabulosa faixa-bónus, “Son Of Alerik”, um instrumental raro na sua carreira. Ian Gillan parece recuperar a energia de cantar aqueles agudos e ‘gritos’ que só ele sabe exibir, e mostra uma voz bem mais madura do que 11 anos atrás. Jon Lord, tem uma das melhores composições de teclas, deste disco, com “Perfect Strangers”, “Knocking at Your Back Door” e “Hungry Daze”. Em relação a Ian Paice e a Glover, ambas exibições mantiveram-se ao nível perfeito como sempre estiveram, tanto um como o outro são a base e a espinha-dorsal de um disco com muito poucas falhas.

Para os interessados na história do grupo e de Ritchie Blackmore, mais especificamente, visitem um ‘Especial’ anteriormente lançado, ESPECIAL: RITCHIE BLACKMORE.


Ver 5 aniversários, 5 grandes álbuns I (40 anos)

Ver 5 aniversários, 5 grandes álbuns III (20 anos)

// João Braga

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