Steamhammer e Van der Graaf Generator são dois grupos provenientes do Reino Unido, surgiram no final da década de 60 e juntamente com outras bandas deram início a uma das grandes revoluções musicais do século XX. Usufruíram de diferentes percursos musicais e mediáticos, e apesar de não serem lembradas da mesma maneira, ambas lançaram álbuns que ficarão na memória dos fãs e seguidores do rock progressivo/psicadélico. São pela primeira vez, aqui, apresentadas com dois discos do início da década de 70.

Steamhammer – 1972 – Speech

Uma banda que focou a sua atenção no blues-rock, antes de embarcar na complexidade e fantasia do rock progressivo. Não é propriamente famosa na indústria musical, apesar de ter lançado quatro álbuns de estúdio, é um daqueles grupos obscuros e que são seguidos e conhecidos pelos fãs mais intensos do género. O primeiro álbum data do ano 1969, com o título Steamhammer, e prima por ser um disco, fundamentalmente, de blues-rock. Apesar de ser um bom álbum, à semelhança com os dois discos seguintes, o lançamento de estreia não revela o talento instrumental e conceptual que o grupo demonstra em Speech.

Mk II e Mountains foram os lançamentos seguintes, em 1969 e 1970, respectivamente. Mk II confirmou a sua qualidade como banda de blues-rock e massificou um grupo de fãs cada vez mais ansioso por os ver ao vivo. Para muitos, é uma melhoria face ao disco de estreia, apesar de na minha opinião tanto um como o outro estão no mesmo patamar qualitativo. Mountains é um disco mais subvalorizado, em que o blues-rock sofre alterações, com a banda a demonstrar uma enorme vontade em “saltar” para uma direcção mais “rockeira” e bem mais influenciada pelo improviso instrumental e complexidade técnica. Este terceiro disco, é um dos meus preferidos, mas um dos menos adorados pelos críticos profissionais e fãs mais acérrimos do grupo.

Lista de faixas Speech:
01. PenumbraSpeech
02. Telegram
03. For Against

Finalmente, em 1972, chega Speech, o único registo, verdadeiramente, rock progressivo do grupo britânico. Apesar de conter, apenas, três faixas, o disco tem mais de 40 minutos de duração, apresentando três composições épicas. “Penumbra”, tem um dos riffs de guitarra que foi, mais tarde, aproveitado por Martin Pugh para a faixa “Buzzard”, no álbum homónimo dos Armageddon (anteriormente mencionado num dos Fundamentais). “Penumbra” tem mais de vinte minutos de puro rock progressivo agressivo e, por vezes tóxico, tal é a rapidez e a ofensiva instrumental do grupo, na melhor faixa do álbum. “Telegram” e “For Against” não contêm a mesma toxicidade e agressividade instrumental da primeira, mas têm, de certeza, o mesmo grau de mestria técnica, em que o grupo consegue funcionar perfeitamente em conjunto, compondo duas faixas bem mais acessíveis que a primeira, e mais ao nível do rock progressivo/psicadélico produzido na época. “For Against” é uma faixa instrumentalmente dominada pela bateria de Mick Bradley, o influente baterista que viria a morrer de leucemia pouco tempo depois do lançamento deste álbum.

Steamhammer faz parte de uma das muitas “fornadas” de bandas que surgiram no início dos anos 70. Martin Pugh e Louis Cennamo são, provavelmente, os membros mais conhecidos que, mais tarde, viriam a formar os Armageddon, composto por ex-membros dos Captain Beyond, Renaissance, Steamhammer e The Yardbirds.

Steamhammer – Speech (álbum na íntegra)

Van der Graaf Generator – 1970 – H to He, Who Am the Only One

Este é o terceiro disco de estúdio de um dos mais decisivos e importantes grupos de rock progressivo. Van der Graaf Generator apresentam neste H To He, Who Am the Only One, um dos melhores trabalhos da sua discografia. Liderados pelo icónico guitarrista e vocalista, Peter Hammill, conseguem produzir uma complexa odisseia técnica e instrumental, que contou com a presença do lendário Robert Fripp, dos King Crimson, na faixa “The Emperor In His War Room”.

A banda estreia-se com The Aerosol Grey Machine, com um registo menos complexo e menos consistente, quando comparado com este terceiro álbum. O grupo consegue atingir, neste lançamento, uma maturidade musical bastante invulgar para tão pouco tempo de existência.

Lista de faixas para H to He, Who Am the Only One:
01. KillerHthwatoo
02. House With No Door
03. The Emperor In His War Room
04. Lost
05. Pioneers Over c.

Apesar de não ter um conceito fantasioso e de não ser um álbum conceptual, contém diversas referências à Física Moderna, no título ‘H to He’ (a fusão de hidrogénio para formação de hélio). Como disse anteriormente, este não é um álbum conceptual, mas quase todas as faixas têm a psicologia e comportamento humanos como principais “alvos” narrativos. “House With No Door”, relata uma situação de solidão e depressão, com a metáfora ‘casa sem porta’, e é uma das músicas mais emocionais do género. “Killer”, apesar de não ser directamente conectada com sentimentos humanos, poderá, metaforicamente, ser ligada indirectamente a necessidades humanas de amizade e protecção. Como referi, quase todas as faixas poderão estar relacionadas com emoções humanas, com excepção à faixa “Pioneers Over c.” sobre a velocidade da luz.

É um disco bem produzido e liderado por Hammill que, juntamente com o restante grupo, faz neste lançamento um dos seus melhores trabalhos de escrita e tem um dos melhores desempenhos da sua carreira. Para além de ter a complexidade técnica, com duas faixas com mais de 10 minutos, tem também, a inteligência conceptual com faixas ligadas aos sentimentos humanos e conceitos de Física. É outra das jóias, da década de 70, que ajudou a glorificar o género.

Van der Graaf Generator – H to He, Who Am the Only One (álbum na íntegra)

// João Braga

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