Banda: Azagatel
Álbum: Lux-Citanea
Data de lançamento: 8 de Setembro de 2012
Editora: Nekrogoat Heresy Productions
Género: Melodic Black/Folk Metal
País: Portugal

Membros

Rodolfo “Hrödulf” Ferreira – Voz
Filipe Ferreira – Guitarra
Nelson Lomba – Guitarra
João Costa – Baixo
Oannyel “Green Devil” – Bateria

Convidados

Ana Cristina Santos – Acordeão
Carla Rosete – Voz feminina

Alinhamento

  1. Endovellico
  2. Lucifer (The Bringer Of Light)
  3. Nabia Corona
  4. The Oath Of The Oak
  5. Viriathus
  6. Bandue
  7. Ibéria

Introdução

Finalmente os Azagatel estão de regresso com um álbum de longa duração, o primeiro desde o Nautilus de 2001. Se é verdade que a banda não esteve parada este tempo todo, também é verdade que os pouco mais de 20 minutos de música que em conjunto que nos deram o EP The Horned God em 2005 e o split Olokun com os Dagor Dagorath em 2008 souberam a pouco. Nesta que é das poucas bandas a explorar a sonoridade folk em Portugal, destaque para os temas na nossa língua materna neste novo álbum. Com uma sonoridade que remete nalguns pontos para Gwydion e primórdios de Moonspell, os Azagatel começam a criar uma sonoridade própria e mostram que os anos só serviram para amadurecer a banda.

Review

Lux-Citanea começa com Endovellico, a primeira de três músicas em português. O início do tema vai alternando entre um coro clamando “Endovélico” e partes de Black Metal cantado em português, com uma letra muito bem conseguida, que fala deste Deus da mitologia lusitana. Com uma sonoridade que impõe respeito e cheira a passado, destaca-se o gutural poderoso do Hrödulf e uma produção que permite ouvir bem todos os instrumentos. O toque Folk é dado ao tema pouco antes dos 3 minutos, com uma bela melodia de violino e guitarra semi-acústica a acompanhar uma citação em latim.

Segue-se Lucifer, com um excelente ritmo imposto pelas guitarras no início da música, mais uma vez acompanhado por um gutural imaculado. Sendo um tema mais genérico e sem grandes riscos, não deixa de ser bastante agradável de ouvir, mantendo o espírito solene e de respeito pelo legado histórico. Uma entrada acústica, na qual entra logo de seguida um acordeão, marca o início de Nabia Corona, mais um tema em português e um dos melhores de Lux-Citanea. O refrão com voz feminina e masculina limpa é uma novidade que soa fresca e é bem recebida pelo ouvinte, dando uma melodia mágica à música. Os dois minutos finais contam com mais acordeão e um pequeno cântico trauteado, numa música mais folk e calma que as anteriores.

The Oath Of The Oak é talvez a faixa mais fraca de todo o Lux-Citanea. Não é má, mas é bastante simples e igual a muita coisa que já se ouviu, não trazendo nada de novo a este registo. Felizmente, é também o segundo tema mais curto. No entanto, os Azagatel recuperam o interesse do ouvinte com Viriathus, que abre com a declamação do poema Viriato de Fernando Pessoa, primeiro com voz limpa e acabando em gutural. O resto do tema desenrola-se com um ritmo empolgante e conta com um refrão excelente para entoar ao vivo: “Heya, heya, Luxcitanea!”. A única coisa que peca a meu ver é a duração do mesmo: não sei porquê, estes quase 5 minutos souberam-me a pouco, dava a sensação que estava aqui bom material para criar um épico de maior duração, com uma passagem instrumental pelo meio.

Bandue é o tema mais curto do álbum, e apesar de mais interessante que o The Oath Of The Oak, é mais um tema maioritariamente genérico, que é salvo pelo minuto final, explosivo e furioso, a passagem mais pesada e black de todo o disco. O último tema original do CD é também o melhor. Ibéria tem de tudo um pouco, começando com uma entrada acústica melódica acompanhada de acordeão. O tema vai progredindo, tanto a nível instrumental como vocal, enquanto é cantado o orgulho pela grande Ibéria e o seu povo. Com o aumentar do ritmo, chegamos a um riff empolgante, a lembrar um cavalgada, algo semelhante ao riff de entrada do tema For A Piece Of Heaven da demo de estreia dos Azagatel. A parte final do tema conta com uma atitude mais altiva e poderosa, dando um toque bélico e de orgulho patriota. A fechar, a cover do tema The Crown dos Samael, que não se enquadrando na temática lírica do resto do álbum, acaba por encaixar bem a nível instrumental, e não sendo uma cover genial, é um tributo agradável a uma banda que merece o respeito de todos.

Conclusão

Os Azagatel repetem com Lux-Citanea o êxito dos trabalhos anteriores e voltam a dar algo novo ao Metal nacional. Num registo que tem as suas imperfeições, destaca-se uma banda bem madura e que não vai em cantigas e “mariquices”. Gostando-se ou não, nota-se profissionalismo, seriedade e dedicação em cada um dos temas. A nível vocal e instrumental, nada a apontar, além do facto de ficar a sensação que se poderia ter arriscado mais nas guitarras e bateria; qualidade nos músicos não faltava. Termino a análise a este álbum num apelo aos portugueses para que, nestes tempos de crise, não se esqueçam de quem fomos e das nossas raízes, e que delas retirem os ensinamentos e força para enfrentar os tiranos falsos no poder. Roubando a frase do booklet deste álbum, “os povos são como as árvores, sem as suas raízes não crescem…”.

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Vocal: 9/10
Instrumental: 8,25/10
Escrita: 8,5/10
Originalidade: 7,75/10
Produção: 9,5/10
Impressão pessoal: 8,5/10

TOTAL: 8.6/10

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