Banda: Kreator
Álbum: Phantom Antichrist
Data de Lançamento: 1 de Junho de 2012
Editora: Nuclear Blast
Género: Thrash Metal
País: Portugal

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Membros:

Mille Petrozza – Voz, Guitarra (ritmo)
Sami Yli-Sirniö – Guitarra (solo)
Christian “Speesy” Giesler – Baixo
Ventor – Bateria

Alinhamento:
01. Mars Mantra (01:18)
02. Phantom Antichrist (04:31)
03. Death to the World (04:53)
04. From Flood into Fire (05:26)
05. Civilization Collapse (04:13)
06. United in Hate (04:31)
07. The Few, the Proud, the Broken (04:37)
08. Your Heaven, My Hell (05:53)
09. Victory Will Come (04:14)
10. Until Our Paths Cross Again (05:49)
Passados quase 30 anos desde a sua formação, terão os Kreator uma agressão ainda verdadeiramente extrema?

Banda que criou um vasto número de álbuns de enormíssima qualidade na década de 80, os Kreator não são decerto um nome estranho para quem gosta de metal. Os seus riffs rasgados, bateria furiosa e voz inconfundível do histórico Mille Petrozza irão certamente ficar gravados na história como um dos melhores exemplos de como expressar fúria pela música. Porém, com os anos 90, vieram inevitavelmente as experimentações e muitos dos fãs reviraram os olhos a estes álbuns.  Com o fim dessa década, a agressividade pareceu ter voltado a ser o foco de todos os músicos, fazendo com que os Kreator tenha sido uma das bandas que iniciou o, mais tarde denominado, renascimento do thrash metal. Assim, depois de vários álbuns neste registo, e de um último algo inconsistente, será que a banda ainda consegue oferecer algo de realmente novo?

O som actual de Kreator não está muito longe do som pelo qual a banda é conhecida, sendo a rapidez e peso as bases deste novo álbum. No entanto, desde o seu regresso às origens que se foi notando um maior cuidado com os aspectos melódicos da música pesada. Assim, o som deste “Phantom Antichrist” apresenta-se como uma mistura do thrash germânico habitual, com toques suecos no que diz respeito à melodia, fazendo lembrar por vezes o característico som de Gottenburg. Para além do dito aspecto melódico, o som do álbum apresenta ainda toques de algo mais épico, tendo por vezes um ar não muito longe do power metal, isto apesar de ser o álbum mais pesado da nova era Kreator.

Sim porque, apesar das diversas influências referidas, o termo pesado é o mais apropriado para definir o álbum. Apesar de não atingirem a brutalidade dos do clássico “Pleasure To Kill”, os riffs são por norma bastante rápidos, sendo também executados com uma precisão impressionante. Como referido acima, estas partes mais agressivas contrastam com partes mais calmas em que a melodia se destaca, o que ajuda a dar uma maior variedade às músicas. Os solos seguem exactamente o mesmo raciocínio, sendo que ora são devastadores ora são bastante melódicos, conforme o “pede” a música em questão. Passando para a secção rítmica, esta não se destaca muito. De facto, temos aqui uma bateria que cumpre as exigências da composição, que podem por vezes ser bastante elevadas, e um baixo praticamente inaudível. No que toca às letras, estas debruçam-se sobre os temas habituais do thrash metal, sendo que muitas vezes se apresentam quase como um apelo ou um chamamento ao ouvinte, para que ele faça algo para tentar resolver os problemas sociais descritos. Por fim, relativamente à produção, esta é clara, permitindo uma boa distinção entre os vários instrumentos. O facto de ser analógica, tal como aconteceu no último álbum, permite ainda que o som geral do álbum tenha um carácter adicional, que não está presente quando esta é digital.

No global, pode-se dizer que os Kreator apostaram em criar um álbum bastante equilibrado. Tendencialmente, os seus últimos álbuns tinham apostado mais na melodia, acabando, em algumas músicas, por retirar completamente a vertente thrash do seu som. Neste álbum, por outro lado, temos um som bem mais equilibrado, de uma banda que agora mistura dois tipos de som com mestria. Se é o álbum mais pesado da banda? Não, e os que gostam da fase mais primordial da banda talvez tenham de se adaptar um pouco. Mas este álbum revela uma qualidade que, actualmente, está ao alcance de poucos.

// João Vinagre

 Classificação: 89/100

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