Banda: Darkside Of Innocence
Álbum: Xenogenesis
Data de lançamento: 17 de Janeiro de 2012
Editora: Infektion Records
Género: Progressive/Gnostic Metal
País: Portugal

Membros
Pedro Remiz – Tudo

Alinhamento

  • Lux
  • Airian
  • Dulcifer Tragoedia
  • Nox Omega
  • Eros
  • Thanatos
  • Ego
  • D’eus

Introdução

Os Darkside Of Innocence são um projecto cujo caminho tem sido difícil ao longo dos seus sete anos de existência. A banda de seis elementos do álbum de estreia é agora um projecto a solo; de uma sonoridade mais sinfónica, algures entre o Gothic e o Black Metal, passou para algo mais complexo, técnico e progressivo. A verdade é que, contra todas as adversidades, a banda respira e está mais viva do que nunca. Xenogenesis é um renascer, num novo registo musical, com o mesmo profissionalismo e dedicação, mais maduro e mais sólido, mas também mais difícil de absorver e compreender. Vamos aqui tentar esmiuçar esta amálgama de sons e influências.

Review

Xenogenesis é um trabalho curto: oito temas, dois deles intro e outro, vinte e sete minutos de música. Pouco conteúdo? Longe disso. Apesar de curto, é intenso e sobrepõe inúmeras camadas sonoras, com diversos pormenores técnicos e muito por onde explorar. Após uma introdução com uma atmosfera misteriosa, remetendo para algo transcendente à normal percepção humana, surge Airian. Este tema contém muitos dos elementos que caracterizam Xenogenesis: riffs de guitarra em quantidade industrial, vários tipos de vozes, muitas mudanças de ritmo e um ambiente místico e negro. Marcadamente progressiva, Airian não é das melhores faixas do álbum, mas causa um forte impacto para primeira impressão no ouvinte.

Segue-se Dulcifer Tragoedia, com uma simples entrada de piano que cedo é afectada por interferências aleatórias, acabando por explodir numa passagem mais pesada com gutural. O resto do tema desenrola-se numa alternância entre esta parte mais pesada e algumas instrumentais mais técnicas, com destaque para o trabalho na guitarra solo e no baixo. Este curto tema leva-nos a Nox Omega, com um som de entrada bastante estranho. O álbum aqui pode começar a tornar-se enfadonho à primeira audição, uma vez que a quantidade de sons se começa a tornar algo massiva, repetitiva e monótona. No entanto, numa análise detalhada e após entrar dentro da alma do Xenogenesis, descobrem-se aqui pormenores muito interessantes, sons de desespero e resistência, um toque mais sentido e humano.

Faltam agora os meus três temas favoritos. Eros tem um interessante riff de entrada, que abre para uma parte com voz feminina, cantando uma bela melodia. A progressão neste tema é magnífica, quer instrumentalmente, quer vocalmente, com o exponente máximo do vocal feminino num grito agudo aos dois minutos. Destaque sobretudo para a composição nas guitarras e bateria, mais bem conseguida do que em qualquer outra parte do disco. O tema despede-se numa passagem atmosférica algo futurista, que continua em Thanatos. O primeiro minuto deste tema assemelha-se aos ambientes típicos dos Ulver, entrando depois uma guitarra que assenta bem no pano de fundo. Ao longo da música, o ritmo vai aumentando, acabando num final intenso e que mais uma vez transita para o tema seguinte.

Ego é para mim a melhor faixa deste registo. Com uma bateria muito bem trabalhada, e a guitarra mais nítida que nas restantes músicas, conta com pequenos solos muito bons. A melodia final, mais uma vez com inclusão de vocal feminino, é penetrante e a parte mais agradável de Xenogenesis. O álbum despede-se com uma sonoridade estranha, sendo D’eus ainda mais peculiar que a introdução Lux. Desconcertante este final!

Conclusão

Xenogenesis não é um trabalho fácil de ouvir, mais difícil ainda de se compreender. Por isso mesmo, não terá muitos fãs nem será um registo muito falado. No entanto, e apesar de haver muita coisa aqui a melhorar, é uma promissora nova direcção dos Darkside Of Innocence que abre o apetite para trabalhos futuros. Esperemos que no próximo álbum as melodias pareçam mais bem ligadas e o som, se for complexo, que tenha mais pontos de referência, onde o ouvinte se possa agarrar, parar e assimilar o que ouviu.

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Vocal: 7,5/10
Instrumental: 7,5/10
Escrita: 8/10
Originalidade: 8,75/10
Produção: 7,75/10
Impressão pessoal: 7,75/10
TOTAL: 78,8%

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