Banda: Swallow The Sun
Álbum: Emerald Forest And The Blackbird
Data de lançamento: 1 de Fevereiro de 2012
Editora: Spinefarm Records
Género: Melodic Death/Doom Metal
País: Finlândia

Membros
Mikko Kotamäki – Voz
Juha Raivio – Guitarra
Markus Jämsen – Guitarra
Matti “Horgath” Honkonen – Baixo
Aleksi Munter – Teclado
Kai Hahto – Bateria

Alinhamento

  • Emerald Forest And The Blackbird
  • This Cut Is The Deepest
  • Hate, Lead The Way
  • Cathedral Walls [feat. Anette Olzon]
  • Hearts Wide Shut
  • Silent Towers
  • Labyrinth Of London (Horror Part IV)
  • Of Death And Corruption
  • April 14th
  • Night Will Forgive Us

Introdução

Neste apaixonante, mas por vezes duro, trabalho de reviewer, depara-mo-nos com álbuns sobre os quais é mais ou menos difícil escrever. Uns são exasperantes, outros complicados de descrever em texto, e ainda há aqueles cujas palavras certas teimam em escapar. E depois há álbuns como este, para os quais que nem todas as palavras do mundo chegariam para descrever a avalanche de emoções que nos assolam, álbuns que arrancam almas e fazem delas escravas da orgia sonora que docemente dilacera os nossos ouvidos. São pérolas como esta que nos fazem sentir impotentes na sua análise, mas que ao mesmo tempo nos obrigam a escrever sobre elas, porque deixá-las passar silenciosamente seria impossível.

Review

Emerald Forest And The Blackbird surge como o quinto registo de longa duração de uma banda que, desde a sua estreia em 2003, nos habituou a uma qualidade fora do vulgar. Em comum, todos os cinco álbuns partilham três pontos essenciais: a sonoridade, que apesar de ter, obviamente, influências, se tornou característica dos Swallow The Sun; a capacidade de prender o ouvinte, com uma diversidade de elementos que nos impedem de cair no aborrecimento; e, por último e mais importante, cada álbum é mais maduro que o anterior, atingindo os Swallow The Sun com este registo o ponto mais alto da sua carreira.

A presente obra-prima oferece logo no tema homónimo de abertura uma experiência de dez minutos assustadoramente intensa, com melodias que vão desde o suave e doce vocal feminino, do calmo e profundo canto masculino, ao intenso e esmagador growl de Death e até mesmo ao sufocante e pútrido toque de Black, tudo isto acompanhado por um instrumental verdadeiramente impressionante, que tem o seu momento alto (ou talvez, baixo, uma vez que em termos sentimentais é o fundo do abismo) a meio do tema. No seu todo, o álbum leva-nos a momentos de Black, Death, Doom, Funeral Doom e Gothic Metal, sendo possível referenciar influências tão distintas como Katatonia, Shape Of Despair, Immortal, My Dying Bride e Opeth.

Como já é hábito, este disco conta também com dois temas mais melódicos, em tom de balada, nomeadamente This Cut Is The Deepest e Cathedral Walls (este último com uma performance imaculada de Anette Olzon). As melodias presentes nos refrões destes dois temas são de cortar a respiração, mas não são as únicas passagens mais melódicas a ter em conta. Silent Towers tem também dois momentos de incrível beleza, sendo no seu todo uma faixa especial por ser a menos “pesada” de toda a discografia dos Swallow The Sun, tornando-se mesmo numa espécie de oásis de alívio num deserto de sofrimento. O tema final, Night Will Forgive Us, tem também momentos mágicos, com uma melodia de guitarra contagiante no refrão. Mas o grande destaque vai mesmo para a passagem calma de Labyrinth Of London, a parte IV da saga Horror, saga essa que se torna melhor a cada álbum, sendo este capítulo o melhor até à data, simultaneamente o mais melódico e agressivo dos quatro.

No que toca a partes mais pesadas, além do destaque que já fiz no tema de abertura, temos a Hate, Lead The Way! que é extremamente agressiva do princípio ao fim, podendo mesmo o tema ser classificado como Progressive Black Metal. Of Death And Corruption é também brutal; apesar de um início mais Doom, tem um final esmagador que conta com um espectacular solo. April 14th destaca-se não pela agressividade, mas sim pelo ambiente soturno e negro, uma faixa brilhante de oito minutos e meio que pode passar despercebida à primeira audição pela sua natureza mais progressiva e atmosférica, mas que cresce como nenhuma outra em audições sucessivas. Por fim, o único tema do qual ainda não falei, Hearts Wide Shut. Com uma bela progressão do belo ao monstruoso, e apesar de estar ao nível do melhor que os Swallow The Sun fizeram em trabalhos anteriores, não deixou de soar a faixa menos original e que menos me impressionou em todo o trabalho.

Conclusão

O nome da banda diz tudo, neste álbum mais do que nunca. Experimentem engolir o sol das vossas vidas, olhar para ela sem cor, sem a luz do que voz faz sorrir. Entrem no lado negro, no frio e implacável sentimento de vazio, de medo, de arrependimento, de ódio, de indiferença por tudo quanto é belo. Abracem a morte, beijem a ausência de calor e esperança, façam amor com o negrume que vos habita a alma. Esta é a viagem que a banda nos oferece, esta é a viagem que me levou a estar deitado na cama, imóvel, com os headphones postos, desligado do mundo a apreciar cada segundo deste mundo dos Swallow The Sun. Valeu a pena cada momento.

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Vocal: 9,75/10
Instrumental: 9,75/10
Escrita: 9,5/10
Originalidade: 9,25/10
Produção: 10/10
Impressão pessoal: 9,5/10
TOTAL: 96,6%

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