Banda: I, Machinery
Álbum: A1 [EP] Data de lançamento: 1 de Janeiro de 2012
Editora: (sem editora)
Género: Progressive Death/Technical Metal
País: Portugal

Membros
Tiago Sousa – Baixo
Outros – Resto dos instrumentos

Alinhamento

  • Lomani
  • Tumatauenga
  • Vivisection
  • Caaba
  • Abaddon
  • Murphy
  • Human Condition

Introdução

Mais uma vez voltamos a ter em destaque na Ruído Sonoro uma banda com o seu trabalho de estreia em 2012. Desta vez são os I, Machinery, conjunto de Death Metal técnico e progressivo de Vila Nova de Gaia, cuja carreira discográfica se inicia com este A1. A sua sonoridade pode ser descrita como pesada, brutal e sem floreados. Um som cru, mecânico e visceral, com alguma parecença a bandas como, por exemplo, Meshuggah e, mais na parte instrumental, Fear Factory. O destaque vai sobretudo para o facto de ser uma sonoridade pouco explorada no nosso país, pelo que os I, Machinery têm uma grande margem de manobra para a explorar melhor e conquistar o público nacional sem serem imediatamente apontados como “mais uns gajos a fazer este som”. Pelo contrário, são uns dos pioneiros em Portugal.

Review

A1 é um trabalho sólido e bastante coeso. Não tendo nenhuma faixa que se destaque individualmente (embora, pessoalmente, a Human Condition me tenha agradado em particular), é no seu todo um disco que capta a atenção do ouvinte pela intensidade dos riffs e pela densa atmosfera criada. É como uma espécie de viagem ao futuro, onde as emoções humanas parecem ter sido sugadas e dado lugar ao frio e mecânico raciocínio das máquinas. Não existe nenhuma melodia mais “bonita”, todos os sons apontam para um mundo em guerra onde a sobrevivência é a única preocupação, onde os seres não passam de mais um aglomerado de átomos do universo. Para este ambiente contribui também o gutural intenso e profundo, com alguns gritos de horror a sobressair, uma voz que encaixa muito bem no som.

A construção dos sete temas é bastante semelhante, sendo esse um dos pontos menos positivos do álbum: todos eles soam ao mesmo, o que, não sendo exactamente mau porque o som é interessante,  deixa aqui uma clara necessidade de inovar e acrescentar alguns elementos que quebrem a monotonia. A composição é também maioritariamente simples, embora existam muitos pequenos pormenores: eles são, no entanto, camuflados pelo som no seu todo, e precisavam de ser mais realçados. A natureza progressiva do EP é muito bem conseguida, criando um suspense sinistro e obrigando o ouvinte a entrar dentro da natureza do CD, a deixar-se levar na viagem pelo mundo acima descrito. À capacidade instrumental não há nada a apontar, mas tenho a certeza que a banda é capaz de fazer melhor.

Este EP não é para todos. É preciso estômago, são precisos ouvidos prontos a ser dilacerados por uma potente avalanche sonora. Quem estiver à procura de um álbum para relaxar e apreciar sem grande esforço, esqueçam. Por outro lado, se procuram algo que leve tempo a digerir e que vá crescendo em sucessivas audições, algo potente e complexo (no sentido em que cada um consegue tirar as suas próprias interpretações das músicas), então não hesitem em ter nas mãos uma cópia deste A1.

Conclusão

Estamos perante mais uma promissora estreia lusa, com uma excelente base para começar a construir a sua carreira. Por detrás do som do A1 nota-se que está uma banda com grande profissionalismo e vontade de fazer mais, melhor e, sobretudo, algo diferente, original. Será interessante ver qual a reação do público ao vivo, observar até que ponto a banda consegue promover o seu trabalho durante o ano corrente. Uma coisa é certa, este trabalho não deixará fãs de Metal mais pesado indiferentes, e encaixa-se nos gostos de quem gosta de som directo e brutal e também daqueles que gostam de trabalhos mais progressivos, que fogem à rotina do mercado e deixam uma marca própria. Com os devidos melhoramentos, os I, Machinery terão capacidade para ser uma banda líder do género no mercado nacional e começar a ser falados no mercado estrangeiro. Tudo dependerá da qualidade do próximo trabalho.

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Vocal: 7,5/10
Instrumental: 7,5/10
Escrita: 7/10
Originalidade: 7,25/10
Produção: 8/10
Impressão pessoal: 7,25/10
TOTAL: 73,9%

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