Os Deafheaven subiram ao palco com uma enorme frieza, devolvendo no entanto um som muito quente e acolhedor para os fãs presentes. Praticamente focados no único álbum até à data, “Roads To Judah”, a banda norte-americana tratou de exibir três das quatro faixas presentes no trabalho. O seu black metal preencheu a sala e a sua fusão de pós-rock puxou pela audiência que não os conhecia. Para terminar o concerto foi utilizada uma faixa da sua primeira demo, ‘Exit: Denied’, que poucos reconheceram. Em suma, a banda liderada por George Clarke e Kerry McCoy soube puxar pelos interessados à sua maneira e teve no próprio vocalista o seu maior ponto de foco, conseguindo estabelecer uma ligação entre as emoções e o poder que constituiem a música dos Deafheaven.
É de mencionar que os cabeças de cartaz, Russian Circles, conseguiram dar um concerto ainda melhor que o de há cerca de um ano. O som foi melhor, a sua presença em palco foi melhor, o ambiente foi melhor e acima de tudo a sua performance foi melhor. As pausas entre as músicas já não são tão compridas e as músicas do seu mais recente trabalho, “Empros” , resultam muito bem ao vivo, especialmente “Mladek”. Em relação à setlist do ano passado foram incluídas 3 temas do novo álbum e “Carpe”, e ficaram de fora “Station” e ”Malko”. A única escolha inferior relativamente ao concerto anterior foi o facto de não darem início ao espectáculo com a estrondosa “Harper Lewis”.
De resto todos os membros continuam fenomenais e “Death Rides a Horse” continua a dar-nos dores de pescoço .
Acho que se pode dizer que Russian Circles é sempre um concerto a não perder.
Texto e fotografias por Manuel Casanova e Nuno Bernardo.
Agradecimentos: Prime Artists.
]]>Forçados a cancelar o concerto que tinham agendado no palco do MVtmn, os Scissor Sisters perdem o lugar para os The Hives, confirmados como sendo os substitutos.
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Foi com impressionantes efeitos de luz, pirotecnia e Axis Mundi que a banda subiu ao palco equipado com duas paredes de amplificadores e no qual o vocalista envergava uma mascara marcial de conquista, sob a qual o publico rapidamente se rendeu ao som do novo álbum. Este foi tocado na integra seguindo o alinhamento do disco e nem mesmo a pouca familiaridade com o mesmo impediu a grande aderência do publico que tanto cantou como participou no mosh criado em algumas das musicas. O jogo de luzes e ocasional pirotécnica, tanto fogo de artificio e real, foi utilizado com mestria, tendo sido um festim visual que em tudo contribuiu para o ambiente enérgico e potente que se viveu durante a noite, as luzes rápidas, a alimentar a adrenalina do publico, ou o fogo a aquecer a sala foram alguns dos melhores momentos visuais. O ponto alto foi “Em Nome do Medo”, certamente o mais recente clássico para concertos, em que a participação do publico foi total tanto no refrão como na apreciação do solo de guitarra no qual Ricardo Amorim demonstrou mais uma vez como embelezar este instrumento, juntamente com as projeções de chamas que invadiam o palco e a temperatura emanada pela banda foi o momento desejado pela banda (aquele que contaremos aos nossos netos), apenas deixa alguma pena de que não haja mais metal cantado na língua lusa, é uma combinação perfeita. Seguiram-se musicas como “Finisterra”, “Night Eternal”, “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”; “Vampiria” e “Alma Matter” temas bastante conhecidos e apreciados pelo publico com direto a uma enorme manifestação de contentamento, participação e energia. Foi então que anunciaram o fim da primeira parte, da parte Alpha do concerto…
A segunda parte é descrita perfeitamente pelas palavras de Fernando Ribeiro ”menos eletricidade, mais poesia”, a parte Omega do concerto. Foi passado um intervalo, uma mudança de palco e de som que na segunda parte fomos presenteados com o disco Omega White, um duo de vozes femininas e um de contrabaixos e ainda projeções de vídeo sincronizadas com a musica de forma a que todo o ambiente se voltou para um visual de emoções mais escondidas, introspeção lírica e visual. O ritmo abrandou, mas de certa forma a envolvência do publico manteve-se, agora mais calmo, mas talvez também mais contemplativo, com musicas como “New Tears Eve” (dedicada a Peter Steele dos Type O Negative, recentemente falecido) a obterem grande receptividade, pela dedicação, musica e efeito cénicos de neve a cair sobre o palco, tudo isto levando pela cordialidade do grande anfitrião que é o vocalista desta banda. Finalizaram com músicas como “Raven Claws”, “Opium”, “Scorpion Flower” e “An Erotic Alchemy”, agradecimentos aos convidados e equipa de apoio técnico. De notar ainda que as projeções tiveram momentos de grande qualidade e contribuíram bastante para o ambiente, quer invocando imagens relacionadas com as musicas, como corvos e lobos, quer utilizando efeitos para expandir ainda mais o desempenho visual da banda, como em “White Skies” com as silhuetas dos músicos.
Por fim fizeram um discurso final e concluíram com “Full Moon Madness” aquilo que foi um grande concerto, com a coragem de fazer a apresentação completa de dois álbuns novos e diferentes em estilo, mostrando como se faz uma noite de metal espetacular ao longo de quase três horas de actuação.
A única crítica a apontar tem a ver com a qualidade do som, a qual não esteve a altura da excelência dos músicos (especialmente a nível de vozes) e alguns problemas sonoros pontuais, mas que mesmo assim não impediu uma prestação verdadeiramente memorável pela parte da banda, convidados, iluminação e projeções…
Indubitavelmente, um grande concerto que teve direito a uma verdadeira ovação como despedida à banda, algo realmente merecido, pois será relembrado por muito tempo.
Set List
1. Axis Mundi – http://youtu.be/m6txeg4qX9U
2. Lickanthrope
3. Versus
4. Alpha Noir
5. Em Nome do Medo
6. Opera Carne
7. Love is Blasphemy
8. Grand Stand
9. Sine Missione
10. Finisterra
11. Night Eternal
12. Wolfshade (A Werewolf Masquerade)
13. Vampiria
14. Alma Mater
15. White Omega
16. White Skies
17. Fire Season
18. New Tears Eve
19. Herodisiac
20. Incantatrix
21. Sacrificial
22. A Greater Darkness
23. Opium
24. An Erotic Alchemy
25. Raven Claws
26. Scorpion Flower
27. Full Moon Madness
Texto – Pedro Celestino
Fotos – Jorge Botas
Membros
Ana Beatriz Hilário – Voz
Ruben Ferreira – Guitarra
Duarte Vieira – Guitarra
Pedro Simões – Baixo
Sebastião Monteiro – Bateria
Alinhamento
Introdução
Os All Splintered Memories são um novo projecto lisboeta que vem provar aos mais cépticos que em Portugal ainda existe muita margem para fazer coisas novas e com qualidade. Numa desafiante mistura entre Hardcore, Metalcore, Pop e Punk, dando ainda um toque electrónico, esta banda consegue juntar sonoridades de bandas como Bless The Fall, Enter Shikari, Hills Have Eyes e… Avril Lavigne. E para aqueles que já começaram a engelhar o nariz, preparem-se para uma surpresa agradável. Love In The Animal Kingdom não é para os nossos leitores “de peso”, mas para quem gostou de Chaos In Paradise e Bless The Oggs, para quem tem uma mente aberta a todos os géneros e para quem gosta de algo mais soft mas intenso, está aqui algo que não devem deixar passar ao lado.
Review
Excluindo a introdução homónima, o EP abre logo com o melhor tema deste registo. Hold Your Breath consegue no primeiro minuto dar-nos praticamente um pouco de tudo aquilo que a banda tem para oferecer. A sonoridade é bem preenchida, intensa e com muitos detalhes relevantes, criando uma atmosfera positiva enriquecida por alguns toques electrónicos. O gutural, que infelizmente poderia estar um pouco mais presente nos temas que se seguem, contrasta na perfeição com a voz doce e cheia de energia positiva de Ana Beatriz Hilário. Este tema de cinco minutos tem passagens muito agradáveis pelo meio, destacando-se o som de piano que precede uma passagem mais pesada.
A seguir ao melhor, vem talvez o tema mais estranho do EP. Alegre e divertido, Bi[a]tch! poderia muito bem ser um tema da Avril Lavigne, não fosse uma passagem com gutural e um instrumental muito mais rico e interessante que o da cantora pop canadiana. Com algumas partes bastante catchy, é pena o minuto final do tema perder alguma qualidade por entrar em repetição. They Can’t Beat You tem uma boa entrada, mas acaba por se tornar no tema mais previsível e menos original de Love In The Animal Kingdom, mantendo no entanto uma qualidade constante do princípio ao fim. A fechar, You’ll Be Proud Of Me… I Promise 2.0 dá-nos mais quatro minutos agradáveis, faltando talvez um bocadinho de gutural na primeira metade do tema, que o bocadinho da segunda metade sabe a pouco.
Conclusão
Ainda falta percorrer um longo caminho para chegar ao topo, mas os All Splintered Memories têm o desconto de serem pioneiros desta sonoridade em Portugal. Há muita coisa a melhorar, a meu ver essencialmente no contraste entre melodia e peso, meter mais gutural nos temas e explorar melhor a voz da Ana, que é muito constante ao longo de todo o EP e dá a sensação que poderia ter algumas variações mais suaves ou mais agressivas. No entanto, tendo em conta a vontade de fazer algo novo e original, a banda não se safou nada mal, falta agora público nacional para este tipo de som.
Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos
Classificação
Vocal: 7,5/10
Instrumental: 8,25/10
Escrita: 7/10
Originalidade: 7,5/10
Produção: 9/10
Impressão pessoal: 7/10
TOTAL: 76,4%
RUÍDO SONORO: Os All Splintered Memories reúnem uma enorme diversidade de influências. Como foi conciliar os gostos e preferências de todos e como definem a sonoridade resultante?
ALL SPLINTERED MEMORIES: As nossas preferências e gostos musicais foram fáceis de se misturar e conciliar dado que não existem elitismos dentro da banda. Cada um entrou neste projecto de mente aberta e pronto a criar algo novo, e desta forma pudemos misturar diversos estilos e criar algo que achamos ser único neste país. A sonoridade que daqui resultou, gostamos de a definir como Post-Hardcore, essencialmente, mas com vertentes electrónicas e Pop-Punk à mistura.
RUÍDO SONORO: Passou 1 anos e 5 meses desde a criação da banda ao lançamento do EP. Podem dar-nos um resumo do vosso percurso durante esse período?
ALL SPLINTERED MEMORIES: No início da banda, a prioridade passava essencialmente por prepararmos covers para podermos tocar ao vivo, dado que a nossa experiência de palco era muito limitada. A partir da segunda metade de 2011, já tínhamos alguns originais e o nosso objectivo passou a ser a gravação do nosso EP de estreia. De momento só queremos é oportunidades para tocar ao vivo e apresentar este novo trabalho. Traçámos ainda para um futuro próximo os objectivos de ter merchandise disponível e conseguirmos tocar em diferentes pontos do país.
RUÍDO SONORO: Como surgiram os nomes All Splintered Memories e Love In The Animal Kingdom?
ALL SPLINTERED MEMORIES: All Splintered Memories surgiu após um brainstorming de ideias entre todos nós e acabou por ser o nome que achámos que mais prendia a atenção e se enquadrava no projecto que queríamos fazer. Quanto ao nome do nosso EP, este simboliza o contraste entre a agressividade do Post-Hardcore e do Metalcore com a electrónica e o Pop-Punk na nossa música. No reino animal predomina essencialmente o velho lema do “sobrevivência dos mais aptos”, o amor é o contraste suave a essa realidade.
RUÍDO SONORO: Do que nos fala este EP e o que acham que ele traz de novo ao panorama musical nacional?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Este EP refere-se essencialmente a vivências e problemas do dia-a-dia que afectam qualquer pessoa, principalmente para o público mais jovem, e tentámos ao máximo que estes se possam identificar com, pelo menos, uma situação descrita no EP. Queríamos tentar fazer com que o mais comum ouvinte se pudesse identificar e reconhecer na nossa música. Relativamente ao que este trás de novo no panorama musical nacional, estamos a fazer uma mistura de estilos que não é essencialmente pioneira lá fora, mas que se revela inédita aqui em Portugal. O próprio Post-Hardcore é ainda um género quase inóspito no nosso país, e nós queríamos essencialmente demonstrar com este trabalho que existe mais do que os estilos tradicionais a que tanto já nos habituámos por aqui.
RUÍDO SONORO: Como foi o processo de gravação e produção?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Foi bastante bom e correu sem problemas. O EP foi gravado e produzido ao longo de alguns meses até ao início de 2012 com o Tiago Mesquita. Ao longo deste mesmo processo, tivémos ainda a oportunidade de evoluir as nossas músicas.
RUÍDO SONORO: Tem sido boa a recepção do público dos temas ao vivo?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Somos uma banda num estilo completamente novo em Portugal, e as oportunidades de concertos que vamos tendo são com bandas de estilos e com públicos que às vezes não entendem bem o que fazemos. Mas não é por isso que pretendemos desistir, adoramos muito sinceramente a música que fazemos e vamos atingindo os nossos objectivos um passo de cada vez. Grande parte do que conseguimos alcançar deve-se a revistas tais como a Ruído Sonoro, que se interessam em saber mais sobre nós, a rádios online que querem passar a nossa música e claro, aos ouvintes que mostram o seu apoio incondicional por nós e nos ajudam a divulgar o nosso trabalho.
RUÍDO SONORO: Próximo lançamento, um álbum de longa duração? Já têm ideias?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Temos andado a compor e a passar algumas ideias para o papel, mas para já estamos focados apenas no EP e em promovê-lo. Talvez mais para o final deste ano tenhamos novidades mais concretas.
RUÍDO SONORO: A vossa orientação continuará neste tipo de som ou fazem questão de experimentar novas sonoridades?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Dado que estamos a fazer algo de certa forma diferente em Portugal, penso que este é o caminho que mais nos interessa continuar, portanto podemos garantir a quem gostou do nosso som que este Post-Hardcore Pop-Punkalhado veio para ficar! Ainda assim o experimentalismo faz parte de nós enquanto músicos, logo podem também contar com influências de diferentes estilos musicais e novas formas de transmitir arte.
RUÍDO SONORO: Com que banda nacional gostariam de partilhar o palco?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Seria óptimo partilhar o palco com bandas que nos influênciaram e são grandes referências para nós, e as que saltam logo à vista são os óbvios More Than a Thousand e Hills Have Eyes. Mas também existem bandas que consideramos de enorme qualidade e com quem gostariamos de poder um dia tocar, tais como My Cubic Emotion, Ella Palmer ou Apply Zii.
RUÍDO SONORO: Para aqueles que querem começar uma banda mas têm medo de não ter sucesso nestes tempos de crise, que palavras de incentivo lhes dão?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Se vão começar um projecto musical, não o façam a pensar na fama ou estatuto que hipoteticamente possam vir a atingir, descobrimos muito rapidamente que numa banda a maior parte do tempo é gasto a lidar com o presente do que propriamente a sonhar com o futuro. A melhor razão pela qual alguém pode começar uma banda é a mesma porque nós começámos esta, pelo simples amor à música. Obviamente que a indústria musical se ressente de forma grave nesta crise, mas enquanto existirem pessoas que pagam bilhetes para ir a concertos, enquanto existirem iniciativas que visam ajudar bandas novas e emergentes, existe sempre esperança e um incentivo para começar novos projectos musicais. Mesmo que se vejam desapoiados, ou que a recepção ao vosso trabalho não seja aquela que esperavam, é importante não desistir. Na musica, a persistência recompensa.