É a vez de o BAÚ voltar ao activo, desta vez, num papel mais permanente do que anteriormente anunciado. Os protagonistas deste BAÚ são os The Power Station, o primeiro super-grupo desta secção. Na verdade, a história e a discografia deste super-grupo é bastante pequena, mas o seu legado e influência nas décadas de 80 e 90 é bastante significativo.

O grupo formou-se em 1984, com ex-membros de Chic e Duran Duran, com Robert Palmer à cabeça como vocalista e líder desta comitiva de fantásticos. Apesar do reconhecimento mediano da banda, a história desta banda é curta e composta por apenas dois álbuns, com 11 anos de diferença, ainda por cima.

Apesar de tudo isto, os The Power Station marcaram o mundo do pop/rock na década de 80, popularizando-se pela sua rebeldia e talento, com um super-grupo com nomes de renome que estavam habituados ao sucesso além-fronteiras. A ideia acabou por surgir um pouco por improviso, sem quaisquer planos ou conceitos preconcebidos. Curiosamente, tudo isto surgiu das cabeças de Andy Taylor e John Taylor, que viriam a ser o guitarrista e baixista do super-grupo, respectivamente. Tanto um como outro queriam sair da sonoridade mais pop e electrónica dos Duran Duran, para tocarem algo mais semelhante ao rock clássico que os Led Zeppelin faziam tão bem.

Ora, esta vontade acabou por pôr em marcha um dos mais bem-sucedidos super-grupos de todos os tempos. Inicialmente, o projecto seria apenas formado por um trio (Andy Taylor, John Taylor e Tony Thompson), com um vocalista convidado em cada uma das faixas. Várias foram as vozes de renome que foram abordadas para gravar no álbum, entre eles, Mick Jagger e Billy Idol. Robert Palmer foi uma dessas vozes, tendo sido chamado para gravar a fantástica “Communication”, no entanto, correu tudo tão bem que o grupo acabou por o escolher a ele como vocalista permanente da banda. O grupo assina pela Capitol Records e começa a corrida pelo sucesso comercial.

Primeiramente, os Big Brother, mais tarde, The Power Station, o baptismo realizou-se ao vivo em 1985, no reputadíssimo programa ao vivo da televisão americana, Saturday Night Live. A banda interpretou dois temas, “Some Like It Hot” e “Get It On”, que foram um prenúncio do sucesso que se adivinharia. Em Março de 1985, sai o álbum homónimo de estreia do super-grupo, tendo atingido o Top 20 de vendas no Reino Unido e o Top 10 nos Estados Unidos.

A irreverência dominou este The Power Station num lançamento puramente rock com trejeitos de inovação, ao mesmo tempo que mantém a sonoridade típica dos anos 80. As grandes faixas foram aquelas que se tornaram mais conhecidas, pois tiveram direito a singles (“Communication”, “Get It On”, “Some Like It Hot”), acabando por trazer a fama a este super-grupo. No entanto, é de destacar a emotiva “Lonely Tonight” que se torna num contraste daquilo que é a maioria do disco; a excelente “Harvest for the World” que fala sobre a paz mundial; e a subvalorizada “Murderess” que traz um trago um pouco mais fatal ao álbum.

Apesar do sucesso vindouro do longa-duração, a banda nem teve tempo de fazer digressão de promoção, pois Robert Palmer apressou-se a ir gravar o seu disco a solo, Riptide. Foi uma perda não haver concertos desta época com Palmer, no entanto, The Power Station vendeu muito bem por si mesmo, tendo atingido posições de destaque nos rankings de venda. Michael Des Barres veio substituir o agora acossado Palmer que foi pressionado pela imprensa e acusado de trair os The Power Station e, também, de algum aproveitamento. Palmer foi também acusado de roubar a sonoridade do super-grupo para a utilizar no seu disco a solo. Querelas à parte, por esta altura, já Des Barres estava no grupo tendo assinado o vocal da banda na digressão e no Live Aid de 85.

Não era, portanto, difícil perceber que o super-grupo podia não durar muito. Ora, no final de 1985, cada um segue o seu caminho, tanto nas bandas de origem, como em projectos a solo.

Os The Power Station ficam de porta fechada até 1996, quando decidem regressar com a formação original. Sim, com Robert Palmer no vocal. Tudo parecia estar alinhado para uma reunião bem-sucedida, no entanto, John Taylor – um dos fundadores do projecto – foi forçado a abandonar o barco, devido a problemas pessoais. Bernard Edwards, o produtor do disco, seria o substituto para o novo álbum e para a respectiva digressão, no entanto, foi atingido pela infelicidade, tendo falecido em 1996 de pneumonia. ‘The Show Must Go On’ já dizia o lendário Freddie Mercury, então, o agora virado trio recorreu a músicos de sessão para preencher a vaga de baixista.

O segundo e último disco de originais foi escrito por todos, ainda antes da saída de John Taylor, tendo sido lançado 11 anos após a estreia do grupo. É, na verdade, um álbum muito díspar do primeiro, sobretudo devido à década de lançamento. Tem um impacto muito mais forte, com um rock muito mais áspero e letras que apresentam uma mistura entre a consciência social, as luzes da fama e o orgulho masculino. Comercialmente, falhou redondamente, tendo apenas obtido direito a um single, apresentado abaixo, “She Can Rock It”. Em boa verdade, – e apesar de não ter tido o sucesso devido – Living in Fear apresenta uma sonoridade realmente diferente, o seu hard rock apresenta uma frescura invulgar e consegue surpreender com faixas poderosas e inesperadas, basta atentar a faixas como “Living in Fear”, “Notoriety” e a suave “Life Forces”, entre outros destaques.

No entanto, os The Power Station sempre pareceram ser uma banda-refúgio dos seus próprios membros. Mal havia uma oportunidade melhor para eles, estes saíam do projecto para as suas bandas ou para projectos a solo. A banda separa-se pouco após o lançamento de Living in Fear, tendo desaparecido do mapa até 2002, com o lançamento de uma compilação. Em 2003, morrem Tony Thompson e o lendário Robert Palmer, terminando por aí qualquer hipótese de reunião. Mas, tudo isto, vai sendo mantido vivo não só pela sonoridade criativa do grupo, mas com o lançamento de outra compilação em 2005, e com a existência de rumores da reunião do grupo no próximo ano de 2020. Apesar do que possa acontecer em 2020, os The Power Station tiveram uma vida curta, com sucesso moderado, mas tiveram uma carreira certamente subvalorizada, com poucas menções após o seu término. Acima foi mencionado que o grupo era um dos melhores super-grupos de todos os tempos e reafirmo tal declaração. Os dois álbuns apresentaram e apresentam elementos de grande criatividade, tanto no rock como nos aspectos líricos dos discos. Os membros eram, na verdade, super-membros com grande reputação, que tiveram uma enorme importância na indústria musical e que precisaram de um escape para produzirem algo realmente atrevido. A história e a qualidade deste super-grupo ficará para sempre nos livros da História da Música e aqui no vosso BAÚ.

Autor: João Braga

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