Com a rapidez do passar dos anos, ninguém se apercebe que o tempo voa e abaixo apresentamos uma lista de álbuns que estão já a fazer 10 anos. É, provavelmente, a lista mais diversa que apresentamos, com ‘soul’, ‘thrash metal’, metal progressivo e ‘heavy metal’. Este artigo marca o final do nosso conjunto de artigos de aniversário, esperamos que vos tenham limado as memórias para voltarem a escutar alguns destes álbuns e celebrarem a música de qualidade.

Lee Fields & The Expressions - My World

É daqueles álbuns inesperados de encontrar aqui na Ruído Sonoro, mas é dos tais lançamentos que marcaram de uma forma inabalável o mundo da música, sobretudo da música ‘soul’. Lee Fields é um veterano deste mundo, com uma voz inconfundível que acabou por andar, relativamente, desaparecido durante alguns anos. Em Portugal, Lee Fields tornou-se conhecido do público há coisa de poucos anos, tendo dado um concerto no Super Bock Super Rock 2018, num concerto no palco alternativo do festival. Ora, Lee Fields juntou-se a The Expressions, criando um perfil musical único e cheio de criatividade. My World representa tudo isso, contendo faixas cheias de vigor vocal e lírico que destacam – e de que maneira – a voz do grande Lee Fields. Igualmente, The Expressions sustentam uma componente instrumental fundamental para a voz de Fields. A partir de 2009, o grupo tem sido uma unidade inseparável, continuando a produzir álbuns de óptima qualidade, provavelmente, My World é o melhor com o melhor que Lee Fields pode oferecer aos fãs: um álbum de ‘soul’ cheio de espírito e alma, com uma rica componente instrumental de suporte que se torna na espinha dorsal de todos os seus discos.


Kreator - Hordes Of Chaos

Hordes Of Chaos acaba por ser um representante do regresso ao apogeu dos mestres do ‘thrash metal’ teutónico. Na verdade, este lançamento tornou-se num dos mais bem-sucedidos da história dos Kreator, tendo sido ovacionado pela crítica e pelos fãs. É um dos álbuns mais requisitados ao vivo e é um exemplo de qualidade instrumental e conceptual, não querendo com isto dizer que é um álbum conceptual, nem nada que se pareça. No entanto, verifica-se que Mille Petrozza e companhia trabalharam muito para este Hordes Of Chaos; Petrozza é um dos grandes símbolos dessa mudança, tendo trabalhado imenso na sua técnica instrumental com a guitarra, deixando para trás alguns mais vícios da sua actuação. Desde a faixa de abertura até “Demon Prince” – a faixa de encerramento – os Kreator fornecem-nos um dos grandes lançamentos das últimas décadas no ‘thrash metal’, tendo sido um dos grandes propulsores de criação de qualidade do género para novas bandas e até para bandas mais antigas. É um disco que se tornou obrigatório desde o primeiro dia e é uma das melhores produções da banda alemã.


Queensryche - American Soldier

É um dos últimos álbuns da banda com Geoff Tate e um dos excelentes lançamentos da década, apesar da má forma do grupo a partir de 1995. American Soldier é um disco sentido sobre os soldados americanos e sobre as suas lutas em cenários de guerra. Utiliza relatos verdadeiros, com testemunhos verídicos, e transforma-os em músicas muito sentidas com letras emocionais e um instrumental muito bem trabalhado. É um álbum conceptual cuidadosamente produzido, sem nunca comprometer o estilo da banda, mas ao mesmo tempo, sem nunca comprometer as histórias de cada uma das faixas. Apesar de tudo isto, não é de todo um lançamento amado pelos fãs, tendo até recebido críticas profissionais mistas. No entanto, é um daqueles álbuns que se entranhará com o tempo e que se tornará num ‘culto’, mais tarde ou mais cedo.


RAMP - Visions

É sempre bom saber que uma banda portuguesa faz parte deste tipo de listas. Sim, é verdade, aqui estão os grandes RAMP, uma daquelas bandas icónicas do ‘thrash metal’ que é, constantemente, subvalorizada, seja por que motivo for. Os naturais do Seixal já são uns veteranos da música, mas nunca chegaram a atingir o reconhecimento dos comparsas Moonspell, a banda portuguesa mais internacional, no entanto, nunca por falta de valor e qualidade. Visions estabelece o regresso do grupo, que havia lançado o seu último disco em 2003, com Nude, outra referência da sua discografia e do metal português. Em Visions, os RAMP surgem como uma banda muito mais madura, implementando novas técnicas instrumentais e trabalhando mais na produção do disco. Após o seu lançamento, a banda usufruiu de algum sucesso comercial e de alguns concertos, tendo estado, desde então, parados em termos de produção de novo material de estúdio. E, sim, é verdade que já faz dez anos de existência. Parece que foi ainda ontem que este disco tinha acabado de sair para as lojas, no entanto, a Ruído Sonoro não esquece a sua contínua importância para o mundo do metal português. Um lançamento a ouvir para os fãs de excelente música.


Baroness - Blue Record

É difícil não falar de Baroness sem falar de qualidade suprema e criatividade cativante. O grupo americano foi uma criação recente, de 2003, não tendo ainda atingido as duas décadas de existência. No total, a banda tem apenas cinco álbuns no seu repertório, e este segundo álbum, Blue Record, é muito capaz de ser a sua obra-prima. De forma muito inteligente, os americanos criaram uma série de cores – que podem transmitir o mais alargado conjunto de sentimentos e é isso mesmo que o quarteto pretende e consegue relevar – como fio condutor das suas obras, quase peças musicais. A banda de ‘heavy metal’ é mais do que isso, sobretudo neste álbum, onde apresenta um conjunto de 12 faixas exímias de metal progressivo e ‘heavy metal’, não só em termos de conceito, mas de arranjo instrumental, lírico e técnico. Blue Record é um disco musicalmente directo com uma mistura dos dois estilos musicais, sem nunca comprometer a adesão a qualquer um dos dois géneros. Tem riffs complexos e simples, ao mesmo tempo que contém arranjos instrumentais muito cavalgantes e trabalhados. É um dos grandes lançamentos de referência das últimas décadas e lançaram os Baroness para um estatuto de enorme destaque no mundo do metal.

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Autor: João Braga

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