Iguana Garcia é, segundo nos conta nas redes sociais, é um réptil sonoro. É iguana de nome, mas camaleónico sonoro: uma fusão psico-electro-pop fumegante que vive de loops de guitarra e sintetizadores e beats electrónicos a romper através de percussões ambientes.

Lança-se a solo em 2016 e, um ano depois, mostra-se ao mundo com Cabaret Aleatório, o disco de estreia que coloca este híbrido de sangue frio a ferver as pistas daqui em diante. O primeiro concerto de apresentação do álbum, gravado, misturado e masterizado no HAUS por Fábio Jevelim e Makoto Yagyu, é já no dia 4 de Outubro na inauguração da Tap Room da Fábrica da Musa, em Lisboa. Para antever esse concerto – e os meses que se seguem na pele de Iguana Garcia – o músico respondeu-nos a algumas perguntas.

Porque escolheste uma Iguana como teu alter ego? Qual a tua relação com este bichinho? Ou é o camaleão que já se tornou num chavão demasiado “normal”?

O nome Iguana Garcia só surgiu no HAUS enquanto gravava o álbum. Na altura fiz em conjunto com o Makoto um ‘brainstorming’, e a verdade é que cheguei a equaciona palavra camaleão no nome do projecto, mas por razões fonéticas preferi iguana. A música pode ter uma vertente camaleónica, mas em Iguana Garcia vejo a palavra mais como um nome próprio do que a referência ao animal em questão.

Tiveste uma banda, os The Kafkas. Nessa altura já equacionavas ter o teu próprio projecto one-man-band? Ou isto foi algo que aconteceu depois?

Os The Kafkas foi a banda que comecei com os meus amigos de escola no secundário e foi com esse projecto que fui crescendo como compositor, explorando estéticas rock e pop. Mas na altura não sonhava que o meu primeiro álbum sairia a solo. Foi um processo natural, a banda acabou porque dois dos elementos foram viver para fora de Portugal e eu não quis depender de outros músicos para um novo projecto. Foi por isso que parti para esta aventura de ‘one man band’.

Como surgiu a oportunidade de lançar este primeiro disco da Iguana?

Foi muito simples. Em Novembro do ano passado inscrevi-me para o concurso de bandas do Vodafone Mexefest. Na altura apesar de não ter sido seleccionado recebi o contacto do Fábio Jevelim do HAUS a dizer que gostava do projecto e a propor a hipótese de gravar no estúdio deles. Eu sempre fui fã tanto das bandas do pessoal que gere o HAUS como dos projecto que eles têm vindo a gravar, e como já tinha planeado a gravação de um primeiro álbum para este ano achei que era o passo certo a tomar.

E estás então prestes a lançar este Cabaret Aleatório. O que é que este disco de estreia diz sobre ti?

Acho que o álbum acima de tudo mostra o gosto que tenho pela composição. Mesmo não sendo um álbum conceptual, para mim é muito importante enquanto compositor que todos os detalhes sejam planeados. A nível lírico realço também questões de certa forma introspectivas.

Quanto tempo demoraste no processo de compor, gravar e juntar estas músicas num mesmo registo?

O processo de composição começou no Verão de 2016 e o álbum foi finalizado no inicio de Fevereiro de 2017.

Qual o elo de ligação entre elas e o título do disco?

Eu comecei a compor as primeiras ideias do álbum pouco tempo depois de uma viajem que fiz a Marselha. Lá, fui a uma discoteca chamada ‘Cabaret Aleatoire’ da qual guardo óptimas memórias. Reconhecendo no álbum uma forte matriz de música de dança fez-me todo o sentido traduzir o nome e baptizar assim este trabalho.

Entretanto, tens andado ocupado por aí, pelo país a fazer a malta dançar – Lisboa, Évora, Monção, com uma paragem em Barcelos. Que tal tem sido a recepção nesta vida de estrada?

Essa é uma das boas experiências da vida de música, acaba-se a viajar, conhecer mais pessoas, aproveitar dinâmicas e cenários diferentes. E tanto no Alentejo como no Minho se come e bebe soberbamente!

Os dois primeiros singles que lançaste, “Não Sendo Nómada” e “60KF”, são um tanto distintos, mas ambos dotados de uma certa roupagem retro. Achas que vivemos numa altura de nostalgia sonora? Isto é algo que surge naturalmente hoje em dia?

É difícil dizê-lo de uma maneira geral. No meu caso sim, até porque me inspiro muito em nostalgias por si só. Mas talvez dissesse que sim, que há uma procura global em aperfeiçoar moldes passados com a roupagem contemporânea. De qualquer forma vejo-o como algo positivo. Há tanta coisa óptima no passado que nós queremos ouvir de novo.

Tens o concerto de estreia do disco marcado para dia 4 de Outubro na inauguração da Tap Room da Musa. O que tens na manga para essa apresentação?

Vai ser uma óptima oportunidade de verem o rock ir à discoteca!

Por onde andará a Iguana nos próximos tempos?

Por Lisboa até Novembro, depois um pouco pelo país, mas ainda por revelar.

 

Entrevista por Rita Bernardo

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