Estivemos à conversa com Alexandre Travessas, da organização do Reverence Santarém, para fazer um balanço do festival, saber um pouco mais sobre a edição de 2017 e perspectivar o futuro. O Reverence Santarém 2017 está aí à porta e promete manter o espírito e o ambiente que se viviam em Valada, agora com melhores condições.

 

Com a quarta edição à porta, o Reverence já é uma referência nacional nos festivais de música rock. Até agora, o festival tem correspondido às vossas expectativas iniciais?

Cremos que excedemos as espectativas logo na primeira edição. O cartaz teve um impacto muito positivo no panorama de festivais em Portugal, criando logo uma expectativa para edições futuras. Também no panorama mais alternativo o festival acabou por ser uma lufada de ar fresco, trazendo a Portugal bandas numa vertente mais psicadélica, criando algumas sinergias entre músicos e editoras.

O Reverence tem nova casa. O que motivou a mudança e que melhorias pode o público esperar decorrentes dessa alteração?

A mudança deveu-se ao facto do evento ter crescido muito depressa, mas para um nicho de público que ainda não é muito grande no nosso país. Foi necessário reestruturar a logística do evento, torná-lo um pouco mais pequeno, criar raízes e assegurar o futuro. O público pode esperar um recinto igualmente idílico à beira Tejo, mas numa capital de distrito. A estação dos comboios está agora a apenas 5 minutos a pé – o que facilita bastante os acessos – e a oferta de bens e serviços é muito mais vasta que na localização anterior.

O festival em Valada sempre teve um ambiente muito próprio, no qual o recinto tinha um papel importante. Acham que o novo local permite a contuinidade desse espírito?

A Ribeira de Santarém foi o primeiro local pensado para o Reverence em Portugal, mas dada a proximidade da residência do Nick Allport e das Cartaxo Sessions com Valada, acabou por acontecer naquele Parque de Merendas. Não temos dúvidas que o espírito e o ambiente Reverence serão uma certeza nesta nova casa.

Os primeiros nomes para o Reverence 2017 só foram lançados em Junho. Porque começou o cartaz a ser revelado tão tarde?

Tendo em conta todas as mudanças necessárias para a realização da 4ª edição, acabámos por ser forçados a começar a trabalhar muito tarde. A C.M. De Santarém deu uma ajuda vital para que tudo isto fosse possível e acabámos por fechar cartaz em pouco mais de 3 semanas, o que – verdade seja dita – é muito pouco tempo.

Mais do que em qualquer edição anterior, o Reverence aposta em sonoridades pesadas. É um ano de excepção ou a maior aposta no Metal vem para ficar?

O festival é desde a primeira edição um misto entre peso e psych; sempre tivemos metal, se bem que o metal estava mais direccionado para o stoner e o doom. Este ano, dada a oferta disponível, apostámos no post-metal e nos 25 anos de carreira de Moonspell, que dada a importância que tiveram no underground, de todas as portas que abriram e do know how que passaram a outros, merecem esta nossa homenagem. No entanto é importante referir que não temos restrições sonoras; temos, isso sim, vontade de mostrar boas bandas num ambiente incrivel.

Consideram que o Reverence segue alguma linha musical definida ou podemos esperar um pouco de tudo em futuras edições?

Se quiseremos definir um conceito sonoro para o Reverence esse será psych (neo psych, space rock, shoegaze, post rock), metal (stoner, doom, post, hardrock), dark wave, goth, post punk. Isso engloba, claro, todo o panorama underground português dentro destas sonoridades, mas também algumas bandas lendárias e coisas mais fora da caixa, como é o caso das Sunrise Jams onde juntávamos músicos de várias bandas para improvisar ao nascer do sol.

Que concertos destacam este ano?

Além do concerto especial de Moonspell, que vão “enterrar” os seus primeiros 25 anos de carreira naquela que será a última oportunidade de verem a banda tocar o «Wolfheart» e o «Irreligious» na íntegra, destacamos os Gang of Four (que irão apresentar novos temas), Mono e Amenra, a estreia das lendas kraut suecas Trad Gras och Stenar, os misteriosos Hills e a panóplia de bandas da Fuzz Club, que vêm festejar o 5º aniversário da editora na edição deste ano.

Em todas as edições do Reverence, que bandas vos deu maior prazer trazer ao festival?

Foram dezenas delas… Talvez as que pela primeira vez vieram a Portugal, como Hawkwind, Black Angels ou Sleep. No entanto, houve também outros concertos memoráveis como Electric Wizard, A Place to Bury Strangers (dois concertos incríveis), entre muitos outros.

E existe alguma banda que sonhavam ver no palco do Reverence, que seja possível trazerem cá um dia?

São tantas as bandas que gostaríamos de ver no Reverence, como aquelas que gostaríamos de voltar a trazer. King Crimson, Tool, Melvins, High On Fire são bons exemplos, mas também não nos importávamos nada de ter de novo os Electric Wizard, por exemplo, no Reverence.

À semelhança dos anos anteriores, o festival apostará em medidas de protecção do ambiente, como copos recicláveis? O que podem destacar da relação do evento com a natureza envolvente?

Sim, o impacto que o festival tem no local onde se realiza sempre foi – e continua a ser – uma preocupação. Sendo que temos uma ligação muito forte com o Tejo, o lixo que produzimos é algo a que damos muita atenção… Os copos recicláveis são apenas um exempo disso.

Por fim, quais as expectativas em relação ao futuro do festival? O foco está no crescimento ou em manter a dimensão e o espírito do mesmo?

O foco neste momento está em criar raízes na Ribeira de Santarém, mantendo por agora a dimensão que achamos sustentável mas com um olho no futuro. Queremos que o festival cresça, mas com os pés bem assentes na terra.

Entrevista: David Matos

Agradecimentos: Alexandre Travessas e Sara Cunha

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