Rheia é o nome da titã-mãe dos deuses do Olimpo. É também o nome do terceiro capítulo da discografia dos belgas Oathbreaker. A força titânica do álbum evidencia uma face reforçada da banda com algumas alterações sónicas, facto comprovado na sua digressão de apresentação. Na estrada com WIFE de James Kelly, fizeram passagem dupla em Portugal.

Um dia depois do concerto no em Lisboa, no Musicbox, dialogámos com Caro Tanghe e Gilles Demolder no Porto, horas antes do concerto no Cave 45. Numa expressiva entrevista ficámos a saber mais sobre esta tour com WIFE, sobre os processos de Rheia e até sobre o que ambos sentem acerca da sua carreira até este ponto.

Como tem corrido a tour? Falei com o James Kelly há umas semanas e ele estava entusiasmado com a ideia de fazer uma tour convosco, achava que o material de WIFE e o novo álbum de Oathbreaker podiam combinar muito bem.

Caro: Tem sido óptimo até agora! Em França é sempre um pouco estranho, mas tem sido óptimo.

Gilles: Sim, tem sido mesmo bom tocarmos com WIFE, sou um fã há imenso tempo.

Caro: E é bom ter um line-up que não seja metal, para variar. Passámos um mês nos Estados Unidos com Skeletonwitch e Iron Reagan, e foi porreiro, mas isto aproxima-se mais do line-up que gostaríamos de ter, por isso é muito mais interessante.

Estava a falar com o Gilles antes de teres chegado e ele disse que por vezes, em França, não são tão receptivos a misturas entre diferentes estilos.

Caro: Depende, vai haver sempre esse tipo de público…

Gilles: Nós sabíamos que ia ser um pouco arriscado, e acho que o James também o sabia, que por vezes seria estranho.

Caro: É um bocado “hit or miss”, não é?

Gilles: Além disso, na minha cabeça, a tour fazia todo o sentido. Só porque WIFE não tem guitarras nem uma bateria não quer dizer que a música não possa ser… pesada, também.

Caro: Exactamente. Mas também depende do som do espaço. Tocámos em Bilbau e lá não tínhamos um PA muito bom, por isso faltava pujança ao som. Não soou tão pesado quanto devia soar, e havia outras bandas entre nós e ele, foi estranho.

Então ontem, em Lisboa, correu melhor?

Caro: Ontem foi excelente, foi perfeito. Ao menos os portugueses entendem-nos [risos].

Os Oathbreaker têm feito algo que não só é diferente para o público mas até para vocês mesmos, e li que foi o Gilles que te inspirou a seres mais pessoal com as letras. Durante as gravações, houve algum momento em que hesitaste, em que quiseste retirar versos demasiado reveladores?

Caro: Nem por isso. Já tínhamos tudo bem preparado antes de gravarmos, por isso… talvez tenha sentido mais isso enquanto escrevíamos o álbum, porque é sempre preciso encontrar um equilíbrio entre o que podes ou não fazer, ou dizer, mas não houve nenhuma restrição, ou pelo menos não senti isso.

Habitualmente não és muito explícita, sempre foi mais fácil “apanhar” o sentido das músicas de Oathbreaker se soubermos de antemão o tema delas.

Caro: O novo álbum é bastante explícito, podes pensar que é sobre uma pessoa diferente mas é certamente sobre uma pessoa. Com os álbuns anteriores, podias desvendar algumas coisas, mas estavam sempre cobertas por metáforas.

Gilles: As letras no Rheia… falámos durante meses a fio sobre… a situação da Caro, e…

Caro: *revira os olhos*

Gilles: E principalmente para mim, aprendi imenso sobre a Caro, sobre a vida dela, apesar de já a conhecer há tanto tempo. As letras explicam-me, também a mim, imensa coisa, por isso foi uma experiência mesmo estranha e interessante. Desde este álbum, tenho visto a Caro a mudar na forma como aborda situações, ela costumava fugir das coisas e agora…

Caro: [risos] Tenho mais facilidade em abrir-me, só isso… acho que não é fácil quando ensinaste a ti mesma a agir de uma certa forma, e depois apercebes-te subitamente que se falas de coisas de que não gostas, por exemplo, isso vai mudar a forma como as pessoas respondem ou até como te tratam. É como se tivesses de reaprender tudo, é tão estranho.

Também deve ser diferente para ti teres de tocar em frente ao público, ao passo que ao gravar estavas entre amigos.

Caro: Não tanto pelas letras, mas pelas partes cantadas. Demorei imenso tempo a habituar-me à ideia de cantar em frente a… até mesmo em frente à banda. Eu e o Gilles costumávamos fazer coisas em casa, ele tocava guitarra acústica e eu cantava por cima, mas nunca no espaço onde ensaiamos. É preciso algum tempo até se sair da zona de conforto e conseguir fazê-lo em frente a outras pessoas.

Gilles: Não é fácil fazer a primeira música do álbum, que é a primeira que tocamos ao vivo.

Começas a capella, em frente a toda a gente…

Caro: Depois de ter superado isso, deixou de ser difícil, já não fico nervosa.

Gilles: Provavelmente estou mais nervoso do que ela em cada concerto. Estou tipo, “foda-se…” Não gostava mesmo de ser eu a ter de fazer isso todas as noites.

Acho que o álbum não seria tão intenso se não cantasses tanto, se te restringisses aos berros. Foi uma consequência das letras ou já estavas a pensar em fazer isso?

Caro: Não foi bem por causa das letras, mas antes por causa da música. Sinto que o álbum em si é tão dinâmico, tem ruído e silêncio, violência e suavidade, e seria uma pena ter essas dinâmicas na música e não na voz. É algo a que nos habituámos.

Outro aspecto que acho interessante é a forma como, tendo a música momentos dissonantes, não tens receio de cantar de uma forma igualmente dissonante, em vez de ficares presa às escalas. Sempre cantaste assim ou houve algo a inspirar-te?

Caro: Tive muitas aulas de música quando era mais nova, e agora tentei recuperar isso com algumas aulas de canto para refrescar a memória. Acho que a parte mais importante de cantar no álbum é que abre todo um novo espectro de emoções que não estavam presentes antes e é isso que torna tudo interessante para nós. Tenho gritado em palco desde os meus 13 anos, isso é imenso tempo, e estou tão farta disso! É bom, mas é a tua zona de conforto, habituas-te tanto… é preciso muita energia, mas é sempre igual! Já sei que o consigo fazer, por isso não é um desafio. Cantar é um desafio muito maior, principalmente ao vivo, quando pode variar tanto. Se não tens um bom PA e não te consegues ouvir bem é mesmo difícil, ao passo que antes era tudo tão fácil.

Gilles: Também se torna muito mais divertido tentar diferentes opções e combinações. Foi por isso que demorámos imenso a juntar as peças, temos imensas demos, versões estranhas das músicas…

Passaram cerca de dois anos a prepará-lo, certo?

Gilles: Escrevemos o álbum durante um ano e meio em que não queríamos tocar muitos concertos. Queríamos gravar muito mais cedo mas não sei, por vezes precisas de um prazo para acabar as coisas. Poderíamos provavelmente continuar durante mais um ano, mas…

Caro: [risos] A certa altura temos de parar.

Gilles: Gosto de compor muito mais do que gosto de tocar.

oathbreaker

A música é diferente mas a abordagem lembra-me um pouco do que a Chelsea Wolfe fez com o disco do ano passado, e à medida que se foi abrindo emocionalmente também começou a fazer photo-shoots mais glamorosos porque sentiu a necessidade de se expressar de uma forma mais física. Os vossos novos vídeos também parecem diferentes, são mais humanos, não surges apenas enquanto vocalista mas antes como outro ser humano, por isso gostava de saber se também sentiste essa necessidade de uma maior expressividade física.

 Caro: Não particularmente, mas…

Gilles: Sim! Quanto é que falámos sobre os vídeos, sobre a importância da nudez neles, e no álbum, e…?

Caro: Sim, mas não tem necessariamente a ver com eu ser mais expressiva fisicamente. Pensámos muito sobre tudo, como fazer os vídeos expressarem o que sentíamos na altura, e como as pessoas os iam ver e como as iam fazer sentir, isso foi extremamente importante, e a forma mais fácil de o conseguir foi estando envolvida neles porque nem sempre podes pedir tudo a modelos. Por exemplo, o artwork do álbum em si, eu queria fazê-lo porque é muito mais pessoal se for eu a fazê-lo. Não se percebe que sou eu mas não interessa, é simplesmente outra parte de ti que investes no álbum.

E como é que escolheram as músicas a usar nos vídeos?

Gilles: Desde o início que certas músicas faziam imenso sentido, mas também dependiam da forma como queríamos lançar as coisas para o público. Não queres uma música que soe igual ao que já soávamos antes, e de certa forma queríamos que as músicas mais estranhas fossem os singles, porque sinto que é isso que Oathbreaker é e a direcção que decidimos tomar.

Caro: Foi difícil… lembro-me de termos discutido isso imenso porque todos nós tínhamos diferentes ideias acerca das músicas que queríamos, mas depois tivemos de tomar a decisão.

Gilles: Não são necessariamente as músicas de que mais gostamos, mas tens de dar tempo às coisas. Quando gravámos, ouvimos o álbum provavelmente umas 50 vezes até decidirmos como fazer a mistura e isso tudo, mas depois não o ouvi durante muito tempo. E ouvindo outra vez, dois meses depois, soa completamente diferente!

De certa forma, precisas de te distanciar.

Gilles: Sem dúvida E o melhor é que gostei mesmo do disco dois meses depois. Com o Eros|Anteros e o Mælstrøm, depois de os gravar…

Caro: Já não os ouço.

Gilles: …não gostava deles! E precisei de um ano até os apreciar. Mas estou muito, muito feliz com o Rheia.

Como é que a decisão de cantar mais afectou a parte instrumental? Vocês agora tocam com duas guitarras em palco.

Gilles: Acho que habitualmente escrevemos a música primeiro e depois fazemos alterações. Sempre escrevemos música com duas guitarras, desde o início dos Oathbreaker, mas este simplesmente não é possível numa só guitarra, temos melodia por cima de melodia por cima de melodia, e há tanta coisa que podemos fazer…

Foi difícil envolver mais gente nesta altura? Para além de terem um novo baixista, decidiram gravar com um novo engenheiro de som, e recentemente trocaram de baterista.

Gilles: É estranho, mas ao mesmo tempo é interessante porque há novas influências, novas formas de ver a tua música. E sentimos que o Jack [Shirley] era a pessoa certa para fazer os Oathbreaker soar a Oathbreaker. O Kurt [Ballou] fez um óptimo trabalho e é uma pessoa impecável, mas ele conhecia os Oathbreaker…

Caro: Antes…

Gilles: Ele conhecia os Oathbreaker antes de fazermos este álbum. Pensámos que seria interessante termos alguém completamente novo, com novos ouvidos.

Então nunca estiveram de pé atrás em relação a gravar de forma analógica e, pelo que percebi, até sem click track.

Ambos: Não.

Gilles: Costumávamos usar click tracks e fazer tudo perfeito. Foi difícil para mim durante os primeiros cinco dias, estava sempre a pensar “foda-se, foda-se, está tudo a correr mal, bla bla bla”, mas após mais uns dias já confiava nele a cem por cento.

Caro: A certa altura tens simplesmente de te deixar ir, e é sempre difícil trazer alguém novo e confiar completamente nele.

Gilles: Sou muito defensivo em relação a tudo o que ponho no álbum, é como se fosse o teu bebé e não queres ninguém a mudar coisas, mas fiquei mesmo mais relaxado do que nos álbuns anteriores. Costumava bater mal a toda a hora quando gravávamos, ficava irritado, começava aos berros…  [risos] porque as coisas mudavam, sabes, e agora foi do género “não te preocupes, está tudo bem”, e ele fez de facto os Oathbreaker soar da forma que queríamos que Oathbreaker soasse.

Os álbuns do Jack… Deafheaven soa a Deafheaven, o disco de Loma Prieta, de que gosto imenso, soa a Loma Prieta, não soa a nenhuma outra banda, e queria que os Oathbreaker soassem a Oathbreaker e não a nenhuma outra banda. Acho que, musicalmente, conseguimos isso.

Vimos um pouco do processo através do documentário da Red Bull… havia desde o início um plano de capturar as gravações do álbum?

Caro: Não havia um plano, eles simplesmente nos perguntaram se o podiam fazer, e ao início estávamos um bocado hesitantes… sempre fizemos tudo por nós mesmos, durante estes anos todos, por isso tivemos muitas dúvidas em relação a envolver a Red Bull em algo que estávamos a criar há tanto tempo. Mas aceitámos na condição de escolhermos nós quem iria fazer o documentário, por isso pedimos aos nossos amigos da Maanlander, que também já tinham feito os nossos vídeos.

Gilles: São-nos próximos há muito tempo. O Jeroen [Mylle] fez a capa do Rheia

Caro: E também do Eros|Anteros, por isso ele conhece-nos.

Gilles: Havia uma confiança total. Se estás a gravar um álbum depois de trabalhares nele durante tanto tempo, a última coisa que queres é stressar por causa dos gajos das câmaras, não precisas disso. Assim foi muito mais fácil.

É interessante porque quando pensamos na Red Bull pensamos numa companhia bilionária, mas depois convidam pessoas como o Stephen O’Malley para a Red Bull Music Academy, e…

Caro: Pois, e o James [Kelly] também trabalhou com eles. Acho que é normal. Eles costumam ser rotulados como aquela grande corporação super-mainstream, sem “street cred”. Não estou a dizer que compram credibilidade através de nós, mas também querem estar junto do underground e retribuir, ajudar as bandas mais pequenas, e é fantástico que forneçam uma plataforma para bandas como nós, ou que dêem ao James uma oportunidade para gravar no estúdio.

Gilles: Não respondemos ao primeiro email deles…

Caro: [risos]

Gilles: Mandaram-nos um email e pensei, “que se foda isto”. Mas com o segundo email…

Caro: Não queriam que andássemos com as t-shirts deles, ou a transportar uma bandeira da Red Bull, ou a beber só Red Bull…

Gilles: Disseram-nos “vocês não precisam de fazer nada”, enviaram-nos muitas das coisas que já tinham feito” e, depois de ver os artistas que estavam lá, pensei “ok, por que não?” Às vezes focas-te tanto no “não, não, não, nós fazemos a nossa própria cena”… mas foi como com o álbum, não tanto deixar coisas para os outros, mas antes deixar os outros entrar nas nossas vidas.

Entrevista: Daniel Sampaio

Rheia is the titaness mother of the Olympian gods. It is also the name of the third chapter of Oathbreaker‘s discography. The titanic force found on the record highlights a thicken side of the Belgian band with some sonic variations, something proved by their current tour. On the road with James Kelly’s WIFE, they hit Portugal for two shows.

One day after performing in Lisbon, at Musicbox, we talked to Caro Tanghe and Gilles Demolder in Porto, some hours before their show at Cave 45. Through an expressive interview we learned more about this tour with WIFE, of some Rheia‘s processes and even about what they both feel about their career up to this point.

How’s the tour going? I’ve interviewed James Kelly a few weeks ago and he was excited about touring with you guys, because he thought WIFE and Oathbreaker’s new album could go very well together.

Caro: It has been great so far, yeah. France is always a little bit weird, but it’s been great.

Gilles: Yeah, it has been really cool to play with WIFE, I’ve been a really big fan for a long time.

Caro: It’s cool to have a… “not-metal” lineup for once. We just did like a month with Skeletonwitch and Iron Reagan in the States, and it was really cool, but this is more how we wanted a lineup to be, so it’s way more interesting.

I was talking to Gilles before you arrived, and he said that sometimes in France they are not so receptive to mixtures of different styles…

Gilles: We knew it was going to be a risky thing, I think James knew it too, that it was going to be weird sometimes.

Caro: It’s hit or miss, you know?

Gilles: And also, in my mind, the tour makes perfect sense. It’s not because WIFE doesn’t have heavy guitars and a drum set that the music can’t be… heavy, you know?

Caro: Exactly. But it also depends on the sound system, if you have a really good sound system it sounds heavy. We played in Bilbao and the venue didn’t have a really good PA’ system, so it sounded really flat and lacking bass in the sound, and that makes a difference too. Cuz it didn’t sound as heavy as it was supposed to sound, and there was bands between us and him, and it was weird.

So it was better yesterday [in Lisbon]?

Caro: It was great yesterday, it was perfect. At least Portuguese people get it [laughs].

You have been doing something that has been different not just for the audience but for you as well, and I’ve read that Gilles motivated you to be more personal with the lyrics. During the recording, was there any moment that made you think “I shouldn’t say this”, or “this is too revealing”…?

Caro: Not really, I mean… we already prepared everything before we recorded, so… it was more when we wrote the album, maybe, you always have to find a balance between what you can and can’t do, or can’t say, but there wasn’t really a restriction, it never felt like that.

Usually you aren’t very explicit, it has always been easier to “get” the songs if we know beforehand what they’re about…

Caro: The new record is pretty explicit, you can think it’s about a different person but it’s definitely about a person. But with the previous records, you could find some things, but it was always covered in metaphors.

Gilles: All the lyrics [on Rheia] were based on… we just talked for months and months about… Caro’s situation, and…

Caro: *rolls eyes*

Gilles: …and especially for me, I learned a lot of stuff about Caro, about her life, and I’ve known her for so long. The lyrics explain a lot of stuff for me too, so that was a really weird and cool experience, seeing someone open up. Since this record, I’ve seen Caro change in the way she approaches situations, while she used to run away from stuff, this is like-

Caro: [laughs] I’m just more open … I think it’s not easy if you have always taught yourself how to be, and then suddenly realize that if you talk about things that you don’t like, for example, it will change how people respond or are to you. It’s like you have to relearn everything, it’s so weird.

It’s probably different for you to play in front of an audience, because before you were just recording, among friends.

Caro: It wasn’t really the lyrics, but mainly the singing part. It took a long time for me to get over the fact that I was singing in front of… even the band. Me and Gilles used to do stuff at home, he would play acoustic guitar and I would sing over it, but never in the rehearsal space. I think it’s like a comfort zone and you have to get out of the comfort zone. It takes some time to be comfortable enough to do that in front of other people.

Gilles: It takes balls to do the first song on the record, it’s the first song we play live.

You start a capella, in front of everyone…

Caro: Once I got over the fact that it’s totally okay, I’m not nervous anymore, it’s like…

Gilles: I’m probably more nervous every show, I’m like, “fuuuuck”.  I would really not want to do that every night.

I think the album wouldn’t be as intense if you didn’t sing so much, if you just screamed. Was it a consequence of the lyrics or were you already thinking about doing that?

Caro: Not really because of the lyrics, more because of the music. I feel that the record itself is so dynamic in a way that there is loud and quiet, hard and soft, and it would be such a shame to have the dynamics in the music and not have it in the voice. It’s like a thing that we grew into.

Another thing that I find interesting is that the music itself is dissonant sometimes, and you’re not afraid to be dissonant as well, instead of sticking to the scale. Did you always sing that way, or were there singers you look up to and who have inspired you?

Caro: I had a lot of music school while I was younger, and now I tried to pick it up again and I did some singing classes to refresh all that I had learned before. I think the most important thing with the singing is that it just opens a whole new spectrum of emotions that we didn’t have before and that’s what makes it interesting for us. I’ve been screaming on stage since I was 13, that’s really a super long time and I’m just so bored of it! I mean, it’s cool, but it’s your comfort zone, you’re so used to it… it takes a lot of energy, but it’s always the same! I know I can do it, it’s not a challenge anymore, and singing is a way bigger challenge. Definitely live, it depends so much every night. If you don’t have a good PA’ system and you can’t hear yourself, it’s really hard, when before it was just so easy.

Gilles: It’s also so much more fun to try different options and combinations of things, it opened up the spectrum of things we could do vocal-wise. And that’s why it took us a lot of time to figure out all of this vocal stuff, we have tons of demos, weird versions of songs…

You had been preparing it for over two years, right?

Gilles: We wrote for a year and a half when we didn’t really play a lot of shows, because we wanted to record it a lot earlier but I dunno, sometimes you need a deadline to finish something. We could probably keep working on it for another year, but…

Caro: [laughs] There has to be a stop somewhere.

Gilles: I like writing stuff a lot more than playing stuff.

oathbreaker

The music is different but the approach reminds me a bit of what Chelsea Wolfe did last year because she also tried to open up more emotionally, and while she did that she also started doing more glamorous photo-shoots because she felt the need to express herself more in a physical way. Your new videos also seem different from what you used to do, they are more humane, you aren’t just the singer but another human being in them, so I was wondering if you also felt that need to express yourself physically.

Caro: Not particularly, but…

Gilles: Yeah! How much have we talked about the videos, with naked people being a big thing in there and on the record and…

Caro: Yeah, but it doesn’t have to do with me being more physical. I mean, we thought about everything a lot, how to make the video express what we felt at the time, and how people would look at it and how it would make them feel, that was super important, and the easiest way of doing it was with me performing it because you can’t always ask things to models. For example, the making of the artwork of the album itself, I wanted to do it because it’s so much more personal if you do it yourself, you can’t see that it’s me but it doesn’t really matter, it’s just a part of you that you put into it…

So how did you choose which songs to use for the videos?

Gilles:  From the start, there were a couple of songs that made a lot of sense, but it was also depending on the way you want to release it to an audience. You don’t want a song that kind of sounds like we sounded like before, we kinda wanted the weird songs to be the singles, because that’s where I feel what Oathbreaker is and where we were headed.

Caro: It was hard… I remember we discussed it a lot because we all had different ideas about which songs we really wanted, but then we had to make a decision.

Gilles: It’s not necessarily the songs we like the most, but you have to let it rest for a couple of months. When we record we probably listen to the record for like 50 times figuring out the mixes and all that stuff, and then I didn’t listen to it for a very long time. But then if you listen back to it after two months It’s like a completely different record!

You kinda have to detach yourself from it.

Gilles: Yeah. And it’s a cool thing that I really liked the record after two months. With Eros|Anteros and Mælstrøm, after we recorded them…

Caro: I don’t listen to them anymore.

Gilles: I didn’t like them! And it took a year for me to appreciate them. But I’m very, very happy about how Rheia turned out.

How did this decision to sing with your clean voice affect the instrumental part? I’ve noticed you’ve been playing with two guitars on stage now.

Gilles: I think we usually write the music first and then we kind of change things around. The music is much more melodic. We always wrote music with two guitars since Oathbreaker started, but this one just wasn’t possible with one guitar, you have melody over melody over melody, and there’s so much you can do…

Was it difficult to bring in an additional people at this time? You have a new bass player, you went to a new recording engineer and now you also have a new drummer.

Gilles: It’s weird, but it’s interesting at the same time, you have new influences, new ways of looking at your music. And then with Jack [Shirley], we felt that Jack was the right person to make Oathbreaker sound like Oathbreaker. I mean, Kurt [Ballou] did a really great job and he’s a really cool person, but he knew Oathbreaker…

Caro: Before…

Gilles: He knew Oathbreaker before we made this record. We thought it was interesting to have someone completely new, with new ears, to make this record.

So you never had any second thoughts about recording analog and, from what I understood, without a click track.

Both: No.

Gilles: We used to work with click tracks and make everything exactly right. I had a hard time during the first five days, I was like “fuck, fuck, this is all going wrong, bla bla bla”, but after a couple of days I trusted him 100%.

Caro: At one point you have to kind of let go of what you’ve been so focused about, for so long, and it’s always a hard thing to let someone in and trust him completely.

Gilles: I’m very defensive about everything I put on the record, it’s like your baby and you don’t want to change anything, but I was really more relaxed than with the previous records. I used to freak out all the time when we recorded, I’d be pissed off all the time, fucking screaming… [laughs] because things would change, you know, and now it was like “let go, it’s okay”, and he actually made Oathbreaker sound the way Oathbreaker should sound.

The records Jack does… Deafheaven sounds like Deafheaven, the Loma Prieta record, that I like a lot, sounds like Loma Prieta, it doesn’t sound like any other band, and I wanted Oathbreaker to sound like Oathbreaker and not like any other band. I think that musically we figured that out, we got our own thing.

We’ve seen a bit of that through the Red Bull documentary… did you have a plan from the beginning to capture the recording process or how did it came to be?

Caro: It wasn’t a plan from the beginning but they just asked us if they could do it, and we were a little bit on the fence in the beginning. We’ve always done everything ourselves basically, for all these years, so letting Red Bull into what we had been creating for so long, we had big doubts. But we agreed on the condition that we could choose the guys who would make it, so the two guys from Maanlander, who made our videos too, we asked them to come along..

Gilles: They’ve been near us for a long time. Jeroen [Mylle] did the cover art for Rheia

Caro: And also from Eros|Anteros, so, he knows us.

Gilles: There’s like blind trust, I mean… you’re recording a record where you worked on for so long, the last thing you need is to stress out about some camera guys, you don’t want that. They could do their thing and I didn’t have to think about that. It was a lot easier.

It’s interesting because when we think about Red Bull we think about a big company, but then they invite people like Stephen O’Malley to speak at Red Bull Music Academy, and…

Caro: Yeah, and James [Kelly] did stuff with them too. I think it’s normal. They often get labeled as the big corporation that is super-mainstream and they lost their “street cred”. I’m not saying that they buy credibility through us, but they want to be underground to be able to reach the people who-

Gilles: They just want to give back…

Caro: Yeah, they give back to the smaller bands and it’s cool that they give a platform to bands like us or give James an opportunity to record in the studio…

Gilles: We didn’t answer their first email…

Caro: [laughs]

Gilles: They sent us an email and I was like “fuck this”. But with the second email…

Caro: It’s not about wearing t-shirts and having a flag with Red Bull on it and only drinking Red Bull…

Gilles: They told us “you don’t have to do anything” and they sent us a lot of stuff they already did, and I checked the list too, with all the artists that were in there, and just thought “yeah, why not?” You’re so focused on “nah, nah, nah, we do our own thing”, but it was the same as with the record, not really letting go, but rather letting people in.

Interview: Daniel Sampaio

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