Toada é o primeiro registo de longa-duração de Live Low, apresentando-se aqui um quarteto coeso depois de diversas colaborações. Nesse disco cruzam-se ritmos de trabalho e um vasto cancioneiro reinterpretado com texturas electrónicas e complexas composições.

O álbum será apresentado ao vivo já a partir de dia 21 de Outubro com concerto no CCOP, no Porto, seguindo-se concertos no Jameson Urban Routes em Lisboa e no Festival Verão Azul em Lagos – mais informações, aqui -, mas tal acontece depois de Live Low nos responderem a uma mão-cheia de perguntas numa leve entrevista.

O Pedro conhecemos já de projectos como Ghuna X e de registos a título próprio. Quem completa os Live Low e qual o vosso background como artistas?

Para este disco, e agora no formato ao vivo, estão: o Miguel Ramos, que conhecemos com baixista em Torto e com o projecto pessoal NACO; a Ece Canli, cantora e performer turca, que vive há uns anos no Porto onde completa um doutoramento sob o tema de estudos queer; e o Gonçalo Duarte, guitarrista em Equations. Para as gravações do disco, pudemos ainda contar com o contrabaixo do Henrique Fernandes (Srosh, Sonoscopia) e a voz do Nuno Moura (cabeça da editora Douda Correria).

Toada deixa no palato um sabor requintado, muito seu, feito de nuances e de dinâmicas cuidadas. Parece-vos mais desafiante fazer música que ferve assim de mansinho?

Interessou-nos mantê-lo simples na sonoridade, com poucos elementos e um trabalho de mistura sem grandes artifícios. Mas talvez seja um disco que engana, é verdade. É muito calmo, lento, mas nostálgico, um pouco triste, é essa a sua carga.

Esta arrisca-se a ficar velha, mas a verdade é que a vossa música tem um sentido cinematográfico muito forte, quasi pitoresco. O cinema é uma influência consciente da vossa parte ou a música ganha os contornos que efectivamente tiver de adquirir?

Neste disco os temas foram ganhando os seus contornos. Pode parecer bastante cinematográfico, sobretudo porque nos propusemos em criar um alinhamento que retratasse o período de sol-a-sol…

Podemos ler na vossa página de bandcamp que Toada foi gravado ao longo de um período de dois anos, no entanto não deixa de soar muito coeso. Podem explicar-nos um pouco do que foi o processo de composição e gravação do disco?

Grande parte do processo do disco passou pela troca de ideias e uma planificação dos temas, da sua estrutura, dos timbres, etc. Tivemos muitos encontros onde não se gravava nada. Nem houve necessidade de overdubs, regravar linhas, etc. A partir do momento em que decidíamos como queríamos esses elementos, concretizar era rápido.

Sexta-feira apresentam-se ao vivo no Porto para uma de três datas de apresentação de Toada. Como é transcrever o material novo para um palco?

Temos feito as adaptações necessárias. Queremos tocar o disco, mas a estrutura das músicas nele, é fruto da sua própria elaboração. São temas pensados como peças. Sabemos que isso não resulta necessariamente num concerto, até porque existem partes nele que não exequíveis ao vivo, como determinados elementos da electrónica, ou a edição da voz e do contrabaixo. Portanto estamos a adaptar-nos, a saber mudar a estrutura, a ter as coisas a rolar mais organicamente.

Entrevista: Rui P. Andrade

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