Para o SonicBlast Moledo a receita é simples. Sol, praia, surf, skate, piscina e rock são ingredientes obrigatórios para o festival minhoto que se realiza nos dias 12 e 13 de Agosto, com um warm-up na véspera a tomar logo o perímetro do Centro Cultural de Moledo.

A história desta rajada sónica no noroeste do país deu o primeiro passo em 2011, com um cartaz onde saltavam à vista os nomes de Plus Ultra, Mr. Miyagi e O Bisonte. Desde aí a aposta tem sido crescente – em 2012 aplaudiu-se a chegada de Sungrazer e Samsara Blues Experiment, em 2013 o festival fez-se ouvir com Kadavar, Mars Red Sky e The Machine e em 2014 o aparato em Moledo não foi para menos, com Church Of Misery, The Atomic Bitchwax, The BellRays e Blues Pills em evidência. No ano passado as maiores atenções foram para o extenso legado de Pentagram, tamanha instituição que influenciou em certa parte uma série de bandas que por este festival passam. Para 2015 a ambição não fica para trás e o clima é ascendente.

O cartaz

O enguiço dos cancelamentos pairou e continua a pairar sobre este festival. Windhand foi um dos primeiros nomes a surgir no line-up, mas o cancelamento de toda a sua tour europeia impede que discos como Soma (2013) e Grief’s Internal Flower (2015) sejam visitados em Portugal neste verão. Igual infortúnio e justificação tiveram Eyehategod, gigantes do sludge liderados por Mike Williams e Jimmy Bower. E como não há duas sem três, nas vésperas do festival também os nossos Black Bombaim foram forçados a desistir do concerto no SonicBlast devido a lesão do guitarrista do trio. A vaga deixada pelos barcelenses, no entanto, ainda não foi preenchida.

Mas fale-se dos que estão em cartaz. Este ano as letras gordas vão para Truckfighters e Uncle Acid and the Deadbeats. Os primeiros, suecos, são nome grande do stoner rock psicadélico e guardam quatro discos de estúdio na bagagem, todos com o selo da Fuzzorama Records. Já os segundos, britânicos, agarram com unhas e dentes algumas das comparações feitas com Black Sabbath, valendo-lhes já a honra de fazer a primeira parte de dezasseis datas da reunião de Ozzy, Iommi e companhia em 2013.

No primeiro dia oficial do festival o destaque maior vai para Valient Thorr, stoner norte-americano com um quê de rock sulista aqui e aculá. Acabadinho de saltar do forno está Old Salt, o sétimo álbum da banda, lançado no passado dia 29 de Julho. Antes destes e originais do Tennessee, actuam os All Them Witches de Lightning at the Door e Dying Surfer Meets His Maker. A fechar o festival, depois de Truckfighters e Uncle Acid, estarão os suecos Salem’s Pot e o seu ocultismo vampírico. Ou não é essa a ideia do novo Pronounce This!?

Em cartaz estão ainda os nacionais Miss Lava com o novo Sonic Debris; a pedra do trio ucraniano Stoned Jesus; os norte-americanos Sacri Monti; os barcelenses Killimanjaro com novo EP; e ainda Acid Mess, The Black Wizards, Spelljammer, Correia, Vircator, Possessor, Cachemira, Brain Pyramid, Bala, Asimov, Jay e Maize.

O warm-up do festival terá entrada livre acontecerá no Ruivo’s Bar e no Paredão 476 com concertos de The Black Wizards, Big Red Panda, Milhomes, Ana Paris e The Dead Academy no dia 11 de Agosto. Os passes gerais para o festival custam 45 euros e os bilhetes diários ficam-se pelos 25 euros.

O que já foi dito sobre o SonicBlast Moledo

Já por três vezes passámos por Moledo. Já em 2012 afirmámos que, à segunda edição, tudo estava reunido para o SonicBlast se tornar um ponto de referência dos festivais em Portugal. Em 2013, ainda o festival era de apenas um dia, as conclusões foram mais do que claras:

Moledo é convidativo e, tendo em conta os outros festivais, sejamos francos, é bem barato. É um dia cheio de diversão musical, piscina e bom ambiente. Com uma organização cheia de garra e paixão pela música que só pecou no aspecto do campismo, mas também é algo compreensível. Ao que aparenta não se esperava uma enchente tão grande este ano.

Em 2014, já com as certezas de que SonicBlast é um destino fiável, soube-se sublinhar a importância de ter a banda certa no festival certo:

Um dos principais motivos da presença em Moledo era sem dúvida a presença de um nome incontornável na cena stoner nas últimas duas décadas: The Atomic Bitchwax. Foi uma máquina de debitar riffs que invadiu o palco principal não deixando créditos por mãos alheias e fechando o festival em nota alta.

Para 2016 o SonicBlast, apesar da linha de crescimento, parece ter os pés assentes na terra. Os ingredientes são, desde 2011, os ideais, mas a componente musical tem subido nos seus degraus. O rock do SonicBlast não é rock pela sanidade do rock – é um peso sónico que se reencontra com o Minho e que garante o retiro nº 1 para os amantes das guitarras empilhadas em fuzz.

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