Trigger é o álbum de estreia de uma das bandas de maior duração em Portugal, os Blind Zero. O objectivo desta secção é fornecer-vos uma retrospectiva dos álbuns que mais marcaram este país, com o melhor das discografias de bandas portuguesas, cantem elas em português ou não. Iniciamos este ÁLBUNS DE PORTUGAL com os já ‘adultos’ Blind Zero, que apesar de terem mudado de direcção musical a partir dos anos 2000, e se terem direccionado para algo mais comercial, tiveram, no início das suas carreiras, um impacto significativo na indústria musical portuguesa com um som inovador no cenário da música portuguesa.

Trigger conseguiu trazer uma nova lufada de ar fresco a uma indústria que na altura de lançamento do álbum, e ainda agora, estava a precisar de um novo som, algo que pudesse ‘abanar os alicerces’ de uma indústria que parece nunca ter despontado. Blind Zero foram a grande excepção a esse facto, trazendo um excelente disco de estúdio que marcou, significativamente, a carreira da banda nortenha. É um dos discos mais pesados e rápidos, por vezes, da história da música com faixas que, de facto, enlouqueceram o público e marcavam os seus concertos de uma forma muito predominante. Arrisco-me a dizer que este lançamento de 1995 foi um dos pontos de partida para a mudança da sociedade portuguesa a partir da década de 90, movida em grande parte por uma grande influência do que era feito lá fora com estilos musicais mais obscuros, rápidos e pesados que se conectavam, em grande medida, ao heavy metal, thrash metal, death metal ou black metal.

Lista de faixas para Trigger (1995):

Into the Mystictrigger1995
Big Brother
Recognize
Keeping in Wonder
Amen
No Soul
Woman
Water
Heart of Mine
Maniac Inland
More Than Ever

É um álbum conciso e sólido, mas que apresenta o seu ‘quê’ de diversidade, sempre com intenção clara de ‘chocar’ a realidade portuguesa com um conjunto de faixas que, de facto, não eram norma na música portuguesa dos anos 90. Faixas como: “Into the Mystic”, “Big Brother”, “Recognize” ou “Maniac Inland” demonstram o lado mais rock da banda, principalmente a última que é até hoje uma das poderosas faixas dos últimos 30 anos, pelo menos no que à música portuguesa diz respeito. É diverso, pois consegue apresentar igualmente um conjunto significativo de baladas, ou pelo menos de músicas mais calmas que contrastam com as faixas mencionadas acima. No entanto, líricamente o grupo consegue um dos trabalhos mais ambiciosos da sua carreira, apesar de os últimos álbuns conterem componente conceptual, algo que mostra a exigência que o grupo foi fomentando ao longo dos anos. O álbum introduz um ideal mais grunge e por vezes mais heavy metal, em algumas faixas, enriquecendo o panorama musical português de uma forma nunca antes vista.

Este disco de originais, o seu primeiro foi produzido por um dos grandes da indústria do rock, Ronnie S. Champagne, que trabalhou com Jane’s Addiction e Alice in Chains, e rapidamente atingiu o estatuto de um dos álbuns mais vendidos e mais bem-sucedidos da música portuguesa, magnificando a fama dos Blind Zero. Apesar de o estilo deste primeiro disco não ter sido seguido nos próximos lançamentos, Trigger marcou, de forma surpreendente, o panorama português que precisava de um ‘abanão’ e de um pouco de rebeldia e luta anti-sistema.

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Autor: Ruído Sonoro

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