Em véspera da primeira edição do Lisboa Dance Festival esclarecemos algumas questões sobre o evento. Recordamos que o festival se realiza no LX Factory a 4 e 5 de Março com alguns dos mais sonantes nomes da electrónica dançante a nível internacional e nacional, onde naturalmente sobressaem nomes como Sven Väth, Âme, Move D, Motor City Drum Ensemble, DJ Ride, Magazino, Moullinex ou Xinobi. Consulta toda a programação, aqui.

Para nos responder às perguntas esteve Karla Campos, parte da organização do Lisboa Dance Festival e também responsável pela produção de outros eventos nacionais como Sumol Summer Fest e edpcooljazz.

Ruído Sonoro: A descrição do Lisboa Dance Festival parte de um principio de coabitação entre cultura urbana e linguagens modernas na música electrónica. É bem-sabido, historicamente, que ambos andam de braço dado. Quais são os aspectos desta mesma «cultura» na cidade de Lisboa que a tornam num terreno tão fértil para a emergência de novas linguagens musicais?

Karla Campos: Lisboa é historicamente uma cidade de encontros, de trocas, de misturas raciais múltiplas, muito pela nossa história. Com isso a possibilidade da criatividade e abertura de espírito aumentam e são inevitáveis. Por outro lado somos extremamente receptivos, hospitaleiros, misturamo-nos bem, ou seja tudo isto ajuda para que o resultado em termos de cultura urbana esteja a passar uma fase explosiva.

RS: Para além dos grandes nomes internacionais, há também um peso grande de talento nacional no alinhamento cartaz. No que diz respeito às labels portuguesas, como é que acham que se pode fomentar um maior sentimento de comunidade e cooperação entre todas?

Karla: Através de um evento como este.

RS: Consideram que o público português está desperto para a música e material que se produz por artistas nacionais, sobretudo na música de dança, ou continuamos ainda em redor de um «nicho»?

Karla: Ainda não e por isso um dos motivos deste evento, dar a conhecer, promover, sair do nicho e alargar para Portugal e mundo.

RS: Cada vez mais se ouvem chamadas de atenção para a grande predominância masculina no universo da música de dança e do clubbing, ao mesmo tempo que se criam movimentos que tentam contrariar essa tendência. Como explicam que esta primeira edição tenha tão poucas mulheres representadas no alinhamento? Consideram que a música de dança pode também, para além do entretenimento, funcionar como uma alavanca de activismo social?

Karla: Como mulher gostaria de ter mais mulheres no alinhamento, mas infelizmente a maioria são homens. Porém já há algumas, para a próxima edição quero ter mais, ando atenta. 😉

RS: Nas conversas, pode avizinhar-se algum debate em torno do formato vinil. Que factores explicam o crescimento exponencial de venda e produção de vinil nos últimos dados, bem como o interesse crescente das gerações mais jovens (quer de produtores, quer de ouvintes)? 

Karla: «Get to basics» é o lema que estamos a viver na nossa sociedade global actual. E por isso esse retorno e depois claro os Djs muitos deles sempre preferiram o som do vinil.

RS: De que forma expectam que o Lisboa Dance Festival contribua para o enriquecimento, crescimento, ou até mudança, da cena musical electrónica em contexto nacional? 

Karla: Com o arranque deste festival e continuação do mesmo, a intenção é marcar, promover. O mood é LISBOA DANCE FESTIVAL – MUSIC|TALKS|MARKET e esta será a primeira de muitas edições. Quero passar para o mundo este mood e atrair público a Lisboa permitindo e colaborando para aumentar ainda mais a troca, a mistura, a criatividade da cultura de música urbana. Conseguir que o LISBOA DANCE FESTIVAL seja uma referência no mundo dos eventos de música electrónica.

Entrevista: Telma Correia

Lisboa Dance Festival 1

Leave a Reply

Your email address will not be published.