Depois de divulgado o cartaz do Primavera Sound de Barcelona está oficialmente aberta a época de especulação em torno do cartaz possível do nosso NOS Primavera Sound, a acontecer uma semana depois do irmão mais velho da Catalunha. Sem esconder os nossos desejos de acolher por cá Brian Wilson (com o incrível Pet Sounds), PJ Harvey e Animal Collective, ou ainda um regresso de Explosions In The Sky, abraçámos quinze nomes menos óbvios que gostaríamos de ver, ou rever, no Parque da Cidade do Porto nos dias 9, 10 e 11 de Junho.

Destroyer

Escrevemos aqui sobre Poison Season e o nosso amor por Bejar, tendo cabido mesmo de forma inquestionável nas nossas escolhas para o ano que acabou há pouco. Foi inclusivamente pelas mãos do Primavera Club em 2012 que o tivemos por cá pela última vez, sendo que agora, e com a confirmação por terras da Catalunha, ficou a esperança de o ver dar um saltinho até à Invicta. Com banda inteira, vinho branco e cornetas ao barulho, por favor. [RPA]

Dinosaur Jr.

Somos todos a favor de cromos repetidos quando são do Eusébio ou do Chalana. Isto para dizer que se a Panini curasse um palco no NPS, um dos que podia ir saindo sempre era o dos Dinosaur Jr., um com a guedelha farta do J. Mascis contra uma parede de amplificadores ensurdecedora. Em 2013 o sol pôs-se sobre o Parque da Cidade ao som duma “Sludgefeast”, três anos depois parece-nos tão boa altura para repetir como qualquer outra. [RPA]

Empress Of

O ano que ainda agora terminou teve em Empress Of e em Me uma das suas mais notórias revelações. Lorely Rodriguez tem a entrega vocal duma diva pop mas cruza-a com a timidez e a nudez emocional de quem canta no duche. Não fica difícil antever o crescimento de uma artista que tem em 2016 o ano ideal para uma afirmação definitiva. [RPA]

Evian Christ

A carreira do britânico Joshua Leary como Evian Christ não arrancou há tanto tempo quanto isso, não fosse Kings and Them datar ainda de 2012. Lançado pela Tri Angle Records, a sua fusão sombria de hip-hop e R&B a momentos de carácter bem menos rítmico não tardou a ganhar notoriedade. Que o diga um senhor chamado Kanye West, que o chamou pouco depois para colaborar na produção de Yeezus – e tanto quanto sabemos também na de Waves – acabando mesmo por colocar Leary debaixo da asa da sua DONDA. Dificilmente uma pista de dança escolheria um incendiário tão perfeito. [RPA]

Islam Chipsy / EEK

Em 2015, Islam Chipsy e a sua nave EEK apresentaram-se em data dupla em Portugal e vaporizaram as salas que encheram como areias de Cairo. O egípcio não deverá ter dificuldade em repetir a façanha num Palco Pitchfork, quando perdermos conta às horas da madrugada, fazendo-nos facilmente acreditar que na Praia de Matosinhos iremos encontrar as edificações de Gizé. [NB]

Jenny Hval

A pop vanguardista da norueguesa Jenny Hval, ex-Rockettothesky, assinou finalmente um álbum pela Sacred Bones no ano que passou. Os contornos experimentais de Apocalypse, Girl tiveram até direito a data de apresentação em Portugal – uma passagem algo despercebida no Vodafone Mexefest – mas nova visita seria muito bem-vinda. [NB]

Jessy Lanza

Jessy Lanza surgiu em 2013 como uma cara nova e desconhecida na gigante Hyperdub, tendo em Pull My Hair Back a encarnação perfeita da artista em ascensão, numa simbiose mágica entre a R&B contemporânea e a intemporalidade da soul. O novo álbum da norte-americana, OH NO, está já apontado para o próximo dia 13 de Maio, e se não só fosse um dos nossos lançamentos mais aguardados do ano, ainda vinha a calhar de forma deliciosa para uma estreia à luz dos primeiros raios de sol da madrugada – de olho na “Anémona” de Janet Echelman. [RPA]

John Carpenter

Nome incontornável do cinema de terror e ficção científica das décadas de 70 e 80, John Carpenter mostrou ao ano passado com o lançamento de Lost Themes que a sua capacidade de pintar atmosferas não depende em nada de imagens. Passar música assim, dum walkman pela madrugada dum bairro manhoso para palco de festival tem certamente tanto de auspicioso como de louco, e deve muito bem ser boa parte do que adoramos na ideia. [RPA]

Julia Holter

Não é segredo de que gostámos de Have You In My Wilderness, assim como já tínhamos aprovado discos anteriores. Com este novo álbum, Julia Holter pode muito bem chegar ao Parque da Cidade e recolher quantas flores achar melhor. Seja para usar em coroa – como tanto se gosta de o fazer neste festival – ou simplesmente para compor o seu palco, não negamos que pode trazer consigo um dos discos mais primaveris. [NB]

Neon Indian

Alan Palomo vira os flancos como bem lhe apetece. Jogam-lhe à cara as definições de chillwave, as proposições de synthpop e os corolários de future funk. Isto porque Psychic Chasms (2009) foi uma estreia auspiciosa, Era Extraña (2011) confirmou as credenciais com tons mais negros e menos festivos e este novo VEGA INTL. Night School (2015) faz-nos querer procurar a pista de dança mais próxima. [NB]

Pantha Du Prince

Foi já em 2010 que Hendrik Weber despejou Black Noise direitinho para uma galeria de obras de arte da techno contemporânea. Sob a bandeira de Pantha Du Prince o alemão até pode ter fundações fortes no esqueleto da minimal, mas os ritmos e as progressões que a esse sobrepõe são quentes, complexas e repletas de pormenores. Continua a ser tão bom reviver aquela casa à beira do lago quanto o foi da primeira vez – um clássico moderno para a noite dentro. [RPA]

Protomartyr

O post-punk grita presente. Talvez da mesma linhagem recente em que conhecemos Iceage, estes Protomartyr somam as correntes lançadas por Wire, Pere Ubu ou The Fall ao garage rock da mal-amada Detroit. The Agent Intellect foi um dos discos do género mais urgentes de 2015 e ver malhas como “Why Does It Shake?” ao vivo devia ser obrigatório.  [NB]

Richard Dawson

Dawson tem na sua guitarra acústica o mais leal dos cavalos de carga, um ao qual nos amarra pelo pé e arrasta ao dependuro pela areia dum deserto americano. De voz quebrada e rouca, as histórias que nos canta pelo meio do choro distorcido daquelas seis cordas têm tanto de mundano como de bizarro, e até pode ser homem de composições simples, sim, mas não teme explorá-las até à exaustão ao longo de mãos cheias de minutos. O nosso coração masoquista já lambe os dedos por ser levado ao tapete. [RPA]

Royal Headache

O Primavera Sound há já uma mão cheia de anos se revela ser um bom circuito para regressos aos anos 90. Estes australianos conseguiram em High lembrar-nos do tão bom que é o rock directo e simples dessa década. Para quê complicar? [NB]

Sheer Mag

Se há coisas que apreciamos é poder testemunhar uma banda ao vivo antes dos holofotes estarem todos virados para ela, e é certo que alguns já estão. Estes Sheer Mag andam nisto há coisa de dois anos, já com dois EPs editados, mas o potencial existente e o eventual lançamento de um longa-duração deixa-nos adivinhar ser uma das bandas que melhor sabe tratar o garage rock dos anos 70 – de forma genuína, sem revivals nem jogos de imitação. [NB]

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