O que motiva uma banda de jovens a semelhar um estilo de música inerente a uma década em que nenhum destes era nascido?

Os Skyard são Gonçalo Ferreira (voz e guitarra), Ricardo Nunes (guitarra), Francisco Amado (bateria) e Dário Santos (baixo), um quarteto que pratica um Hard Rock fiel aos anos 80 e que se revela entusiasta pela cultura vivida no Glam Metal da altura. Invulgar é nenhum dos quatro ter nascido nessa década e agarrar-se aos costumes quase com um sentido nostálgico, como se tivessem vivido aqueles dias em que se copiava uma cassete com uns tais de Bon Jovi no lado A e uns Mötley Crüe no lado B.

Após assistir a um ensaio da banda, que se encontra a concurso no EDP Live Bands para actuar no NOS Alive, onde se acertaram novos pormenores das faixas e se ganha ritmo para os concertos que se aproximam, sentámo-nos à mesa do estúdio e trocámos umas palavras sobre a ainda curta carreira de Skyard.

Ruído Sonoro: De onde surge o nome Skyard e o que significa?

Gonçalo: O nome da banda originalmente não era para ser Skyard. Surgiu como Still Waiting [o nome da banda], só que descobrimos que já havia uma banda com o mesmo nome e não era bem sucedida, mas ainda continuam activos. Nós começámos a pensar e a pensar algo que ligasse as nossas músicas a um nome… pá e surgiu Skyard. É tudo junto, sky e yard, tipo “jardim do céu” – uma inspiração à base da Natureza e da paz de espírito, para transmitir ao público.

RS: É aqui neste estúdio que as coisas ganham forma. Até quão longe acham que conseguem projectar as ideias que aqui constroem?

Gonçalo: Nós trabalhamos as nossas ideias com base num objectivo: que o público levante as mãos e sinta a nossa música e que nós estamos a tentar transmitir a nossa paixão pela música – isto porque todos os membros da banda têm talento. Epá, é expor o talento ao máximo. Trabalhamos as músicas ao pormenor para que não falhe nada para que corra sempre bem o show.

RS: Imaginem que podiam estar aqui neste espaço a trabalhar nas vossas músicas, vivo ou morto. Quem seria?

Gonçalo: David Lee Roth.

RS: É a opinião de todos?

Gonçalo: Epá, não sei. Cada um tem a sua opinião.
Dário: Para mim seria o Kurt Cobain… ou o Eddie Vedder.
Francisco: A cena é que não tenho um específico…
Ricardo: Epá, o Nikki Sixx ou o Slash.
Francisco: Eu gostava do Phil Collins.
Dário: Uma banda fixe aqui, para dar grande apoio, era Mötley Crüe.
Gonçalo: Sim, Mötley Crüe… Vince Neil também.

RS: Como é que uma banda se empenha a praticar um estilo de música muito ligado anos 70 e 80, de uma época em que nenhum de vocês era nascido?

Gonçalo: Eu, porque isto tudo começou de uma ideia minha e entretanto foram surgindo outras ideias, desde pequeno, praticamente desde bebé que oiço Pink Floyd, Scorpions.. depois outro estilo, Guns [N’ Roses], Mötley Crüe, Van Halen, Iron Maiden. Desde pequenino sempre ouvi e sempre segui esse registo, apesar de ter tido outros projectos diferentes na base do Metalcore, Post-Hardcore, Rapcore, são coisas totalmente opostas, e decidi que estava na altura de fazer uma coisa… é que nós nascemos para fazer isto. Nós seguimos esse patamar de 70s e 80s mas tentámos criar uma coisa à nossa maneira – pegar no que é antigo e tentar fazer uma coisa nova daquilo. E eu acho que isto está na moda. Hoje em dia nós vimos isso no visual das roupas… estão-se a vestir roupas que eram dessa altura e nós estamos a pegar num estilo dessa altura e a tentar fazer uma coisa nova.

RS: E acreditam que o Glam é para voltar?

Gonçalo: O Glam não é um estilo de música mas é um estilo de visual com base no Hard Rock. Eu acho que o Glam nunca morreu. Há sempre pessoas que gostam de Glam e podem não adoptar o estilo, mas adoptam a sensação Glam e do Rock e acho que isso é para voltar. Aquele visual todo é para voltar.

Skyard

RS: Já têm ideias para algum primeiro lançamento? Algo a ser feito?

Francisco: Agora estamos a pensar trabalhar num vídeo e já fizemos a gravação de uma música. Agora estamos em projecto para um concurso de bandas… pá, por isso agora isso está em stand-by.
Gonçalo: Nós optámos por gravar uma música portuguesa porque em Portugal, apesar de muitas pessoas falarem Inglês, se conseguirmos tocar na nossa língua poderemos chegar a alguma coisa. E surgiu a oportunidade… é um concurso que neste momento não me lembro do nome. *toca o telemóvel* Epá, desculpa. São coisas que acontecem. É a fama. *risos* Epá, não me lembro. Neste momento não me estou a lembrar do nome do concurso mas estamos inscritos, o nosso manager tratou disso. É banda vencedora do videoclip. Mas é só para videoclip, não para a música, mas ao menos conseguimos transmitir a música e pode ser que chegue aos ouvidos das pessoas.
Ricardo: É tentar arranjar uma forma de partilhar a nossa música não só com Portugal mas também com o mundo, se for possível. Gostávamos também de partilhar as nossas experiências, as nossas ideologias… e era seguir sempre para a frente para estarmos sempre dispostos a partilhar a nossa mensagem. É pegar na estrada e ir, a vida não espera.

RS: Acham que, mais tarde ou mais cedo, se vão definir mais como uma banda ao vivo do que propriamente uma banda que está mais preocupada com as gravações?

Dário: Sim, é ao vivo que está a verdadeira essência. Penso que conseguimos transmitir melhor aquilo que a gente sente do rock n’ roll e a mensagem penso que passa melhor ao vivo. Pá, as cenas das gravações e de ensaios é uma questão de trabalhar… Mas hoje em dia a malta gosta de sentir que a malta que está a tocar também curte e também vive aquilo que está a fazer. É mais isso do que ter uma boa gravação, porque ao vivo é sempre diferente.
Gonçalo: A gravação, por muito boa que esteja, ao vivo acaba por ser totalmente diferente em termos de sensação. É claro que é importante nós conseguirmos obter bom material, com boa qualidade de som e uma boa masterização, mas ao vivo, como o Dário estava a dizer, é que se sente a pica toda.

RS: Gravado acaba por ser mecanizado e ao vivo é diferente.

Gonçalo: Exacto, é mais humano, é mais terra à terra.
Dário: Se mandares uma posta de bacalhau… *risos* Olhas em frente e continuas a cantar e a tocar.

Entrevista e Fotografias: Nuno Bernardo

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