Os dois álbuns seguintes são pontos de viragem nas carreiras de Marillion e Queensrÿche. A primeira, apesar de não ter tido uma década de 90 muito fantástica, com a excepção do lançamento do muito inteligente Brave, em 1994, conseguiu, na entrada do novo milénio, dar um novo rumo à sua carreira. A segunda tem tido, desde finais dos anos 90, uma carreira manchada pelas polémicas e maus lançamentos. Apesar de ambas as bandas já terem marcado presença na nossa lista por mais que uma vez, estes dois discos são, de certeza, as escolhas mais discutíveis e controversas alguma vez a figurar aqui, no Fundamentais do Progressivo.

Marillion – 1991 – Holidays in Eden

Corria o ano de 1991, em que quase todas as bandas decidiram tomar caminhos diferentes com estilos diferentes e mais alternativos. Pode-se dizer que Marillion foi uma dessas bandas, de uma forma mais suave mas, ainda assim, o grupo tomou uma direcção musical mais ‘experimental’ e alternativa, quando comparado com anos anteriores.

Holidays in Eden não é, maioritariamente, um disco de rock progressivo, cheio de complexidades instrumentais e composições profundas, como Marillion nos habituou. É o álbum mais subvalorizado e controverso da carreira do grupo britânico liderado por Steve Rothery.

Lista de faixas para Holidays in Eden:
01. Splintering HeartMarillionHolidaysInEden
02. Cover My Eyes (Pain And Heaven)
03. The Party
04. No One Can
05. Holidays In Eden
06. Dry Land
07. Waiting To Happen
08. This Town
09. The Rakes Progress
10. 100 Nights

É verdade que este disco tem um ou outro elemento de pop/rock, mas parece-me exagerado denominá-lo como tal. Também é correcto dizer que não contém os elementos mais clarividentes do típico rock progressivo ‘à Marillion’, nem é essa a intenção. Apesar do álbum ser bastante incerto, apresentando faixas amigas da rádio como “No One Can” ou “Cover My Eyes (Pain And Heaven)” ou faixas mais progressivas como a intensíssima e dramática “Splintering Heart” ou conceptual “This Town/The Rakes Progress/100 Nights”, o disco acaba por pecar, não pela falta de qualidade, mas sim pela falta de regularidade na direcção musical apresentada.

Este lançamento não é conceptual, mas poderá ser interpretado como tal, para os fãs mais acérrimos da banda, já que existe um tema bastante presente no álbum. Temas como saudade, sofrimento, desgosto, traição e ilusão são conceitos bem demarcados no disco. Apesar de não ser muito bem aceite pela crítica ou fãs, este lançamento é, na minha opinião, uma excelente demonstração que a banda tem em adaptar-se a estilos mais soltos do progressivo.

Marillion – Holidays in Eden (álbum quase na íntegra)

Queensrÿche – 1994 – Promised Land

Apesar de ter várias opiniões de desacordo, este disco é o último lançamento verdadeiramente progressivo do grupo americano, liderado à altura por Geoff Tate. Apesar de Operation: Mindcrime II ser um produto musical positivo e progressivo, e American Soldier ser um álbum conceptualmente fantástico e bastante bem trabalhado, todos concordam que o grupo americano a partir de Promised Land desiludiu muitos fãs. Com inúmeras ‘guerras pessoais, maus lançamentos e incongruências musicais a banda acabou por se separar e, literalmente, partir-se em dois.

Este disco de 1994 consegue ter os condimentos necessários para se tornar um clássico, para além de poder ser interpretado como um álbum conceptual, é, também, um dos lançamentos mais emocionais e dramáticos alguma vez produzidos por Tate e companhia. Apesar de se notar a viragem musical do grupo neste disco, a grande característica deste lançamento é a sua complexidade lírica que se baseia em sentimentos como perda, memória, família, sucesso e desgosto.

Lista de faixas para Promised Land:
01. 9:28 A.M.Promised Land
02. I Am I
03. Damaged
04. Out Of Mind
05. Bridge
06. Promised Land
07. Disconnected
08. Lady Jane
09. My Global Mind
10. One More Time
11. Someone Else?

As faixas “Damaged”, “Bridge”, “Promised Land”, “Lady Jane”, “One More Time” e “Someone Else?” são os grandes ‘hits’ de um álbum que nunca se perde e cuja produção se revela bastante boa, numa década em que a qualidade das produções e dos discos deixam muito a desejar. O conceito geral de Promised Land é bastante obscuro tornando-o muito difícil de ouvir quando comparado com o sucesso anterior, Empire. Este é, também, o último lançamento em que o grupo funciona perfeitamente, compondo, por isso, um disco cheio de qualidades. Curiosamente, parece-me que também é o último álbum em que a voz de Tate está a 100%, tendo em “Someone Else”, a muito pessoal “Bridge”, “Lady Jane” e “Damaged” as melhores exibições da sua qualidade vocal.

Promised Land não foi um álbum aceite pela crítica ou fãs da banda, mas é reconhecido como o último trabalho que, realmente, vale a pena ouvir dos ‘bons velhos tempos’ do Queensrÿche.

Queensrÿche – Promised Land (álbum na íntegra)

// João Braga

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