Hemispheres e Thick as a Brick são dois discos frequentemente presentes nas listas dos melhores álbuns de todos os tempos, e como é óbvio têm de marcar presença nesta nossa lista dos Fundamentais do Progressivo, aqui na Ruído Sonoro.

Rush – 1978 – Hemispheres

Este lançamento segue a mesma linha musical do predecessor, A Farewell to Kings (anteriormente mencionado num dos Fundamentais), contendo, como sempre, uma forte componente técnica com duas faixas bastante ‘doentias’, em termos técnicos. Este disco é essencialmente marcado pela faixa de abertura, “Cygnus X-1 Book II: Hemispheres”, a 2ª e última parte da faixa conceptual, “Cygnus X-1” sobre um explorador que é sugado para um buraco negro. Esta parte da música centra-se nas ‘guerras’ entre os deuses Apollo e Dionysus, o primeiro ensinava a sua sociedade a construir cidades e a desenvolver a tecnologia e ciência, o segundo tinha uma sociedade ‘primitiva’ mas que desenvolvia e nutria as emoções humanas, algo que faltava na sociedade de Apollo. A necessidade de um balanço entre estes dois grupos é a principal mensagem da faixa conceptual, o explorador é reconhecido, no final, por ambos os deuses como o Deus do balanço e equilíbrio com o nome Cygnus.

Lista de faixas para Hemispheres:
01. Cygnus X-1 Book II: HemispheresHemispheres
02. Circumstances
03. The Trees
04. La Villa Strangiato

“La Villa Strangiato” foi a primeira faixa completamente instrumental, e é uma das favoritas dos fãs do grupo canadiano. Seguramente, esta é uma das músicas, instrumentalmente, mais complexas, artísticas e mais requisitadas da história da banda. “La Villa Strangiato” está dividida em doze partes com curtas durações, cerca de 90% da música é composta por secções com cerca de um minuto ou um pouco mais. A faixa é, ainda hoje, reconhecida pelo fortíssimo e rapidíssimo solo de guitarra, que juntamente com a bateria e baixo formam um trio instrumental magistral.

Hemispheres é um dos álbuns mais bem sucedidos da discografia dos Rush, ajudando a construir o legado lendário do trio canadiano. Para além de ser um dos favoritos da crítica, é também um dos predilectos dos fãs, comigo incluído. Um fã que não tenha ouvido este álbum não pode dizer que conhece a discografia dos enormes Rush.

Rush – Hemispheres (álbum na íntegra)

Jethro Tull – 1972 – Thick as a Brick

O grupo britânico liderado por Ian Anderson tem neste Thick as a Brick o melhor lançamento da sua discografia, com o trabalho mais criativo, inteligente e mais complexo. O álbum foi concebido para ser uma paródia conceptual, ‘desfigurando’ a seriedade de álbuns feitos por Emerson, Lake & Palmer, Yes ou Genesis, entre outros. O disco foi uma resposta às declarações da crítica que afirmava que Aqualung, o álbum anterior a este, era conceptual. Ian Anderson decidiu compor o que segundo ele seria a epítome de todos os álbuns conceptuais (“the mother of all concept albums”, afirmou Anderson).

Supostamente, o disco é uma adaptação musical de um poema épico escrito por uma criança de 8 anos, Gerald Bostock. Este Gerald Bostock nunca existiu, tendo sido uma personagem ficcional criada para este álbum, no entanto é-lhe atribuída a composição das letras deste disco, como forma de paródia. Na verdade, foi Ian Anderson o escritor e compositor da música e letra de Thick as a Brick, a brincadeira resultou tão bem que muitos fãs acreditavam na existência deste Gerald Bostock.

Lista de faixas para Thick as a Brick:
01. Thick as a Brick Part IThick As A Brick
02. Thick as a Brick Part II

Ian Anderson baseou-se na genialidade dos Monty Python para compor este disco, conseguindo criar um teatro fictício bastante criativo e inteligente e tão raro de se ouvir na indústria musical, só comparado, conceptualmente, a Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos The Beatles.

Musicalmente é marcado pelas diversas mudanças de “tempo” e a utilização de diversos instrumentos com destaque para a guitarra, bateria e instrumentos de sopro. Anderson tem aqui a melhor performance da sua carreira, e apesar do álbum anterior ter sido também de ‘encher o olho’, é este o lançamento que coloca Jethro Tull e Ian Anderson num estatuto icónico. Thick as a Brick teve um enorme sucesso comercial e é, ainda hoje, denotado como uma obra-prima musical, com diversos mistérios e pequenos detalhes, que tal como o álbum dos The Beatles acima referido, ainda surpreendem os fãs. Pessoalmente, Jethro Tull não está no meu lote de favoritos, mas confesso que neste álbum eles conseguiram atingir um nível genial que deve ser admirado por todos os apreciadores do bom rock progressivo.

Jethro Tull – Thick as a Brick (álbum na íntegra)

// João Braga

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