Curiosamente, ambos os discos são os de estreia para duas das mais representativas bandas do rock progressivo. Foram dois discos que deram início à melhor década para a indústria musical, principalmente para o hard rock, heavy metal e rock progressivo. Lançados em 1970, são ainda hoje considerados como essenciais para a colecção do “fanático” do progressivo.

Emerson, Lake & Palmer – 1970 – Emerson, Lake & Palmer

É um dos mais consagrados lançamentos do trio britânico, marcando a sua estreia no rock progressivo com um dos mais complexos e arranjados álbuns dos anos 70. Inicialmente, não era suposto ser lançado como um disco de grupo, mas de colaboração e portanto algumas das faixas foram compostas por apenas um dos artistas.

Em termos musicais, Emerson, Lake & Palmer surpreende pelo seu grau de inovação e liberdade instrumental. Apesar de em 1970, King Crimson, Pink Floyd, Deep Purple ou Genesis já fazerem parte do lote de bandas em ascensão e algumas delas com estatuto definido, o trio britânico consegue “abrir alas” para se assumir como um dos favoritos para a crítica e fãs. Não é completamente consensual entre a crítica profissional, é um daqueles álbuns que se “odeia” ou se “ama”. O disco de estreia do trio pode atingir uma nota muito perto da perfeição quando ouvido com grande atenção, seja ao nível da produção, desempenho, escrita e composição instrumental. Emerson, Lake & Palmer é um dos lançamentos mais polivalentes do grupo britânico.

Lista de faixas para Emerson, Lake & Palmer:
01. The BarbarianELP-ELP
02. Take A Pebble
03. Knife-Edge
04. The Three Fates
05. Tank
06. Lucky Man

Abre com a poderosíssima “The Barbarian”, que apesar de estar creditada aos três músicos, originalmente a faixa foi composta por Béla Bartok em 1911, para piano. O trio adaptou a peça de piano para uma música rock com bateria e guitarra, e com enormes resultados. “The Barbarian” e “Lucky Man” são as mais curtas do disco, mas não deixam de ser altamente instrumentais e de uma complexidade ímpar, esta última é uma forte balada muito semelhante às que mais tarde iriam ser lançadas pela banda. “Knife-Edge” e “Tank” eram favoritas para as ’tours’ e são duas das faixas com mais história do grupo. “The Three Fates” é na verdade uma faixa dividida em três peças musicais diferentes, e contém a interpretação de diversos instrumentos musicais como piano, órgão, guitarra, bateria e sintetizador, sendo uma das faixas mais ricas e talentosas do álbum. É como disse acima, um dos mais polivalentes discos dos anos 70, onde faixas tão poderosas como “The Barbarian”, “Tank” e “Knife-Edge” conseguem conviver com as épicas “Take A Pebble”, “The Three Fates” e a balada “Lucky Man”, formando um disco bastante consistente mas, ao mesmo tempo, muito diversificado.

Emerson, Lake & Palmer – Emerson, Lake & Palmer (álbum na integra)

Gentle Giant – 1970 – Gentle Giant

Outro álbum de estreia que ajudou a criar um estatuto que fez com que Gentle Giant se tornasse uma banda de culto, seguida por muitos apoiantes e fãs incondicionais do rock extremamente experimental e complexo. Criados em 1970, tiveram os seus anos de apogeu musical nos primeiros cinco álbuns, em que o grupo segue uma tendência intensamente experimental e progressiva. Findaram as suas actividades em 1980, tocando um género de new wave, art rock e hard rock que não atraiu os fãs da banda.

Gentle Giant não é o melhor disco da sua discografia, mas anda muito perto desse feito, consegue juntar todo o talento e capacidade dos artistas neste seu primeiro lançamento. Desde a faixa “Giant” até “Alucard”, o grupo reúne o rock mais pesado e intenso na faixa de abertura, com a suavidade de “Funny Ways” e a complexidade instrumental de “Alucard”.

Lista de faixas para Gentle Giant:
01. GiantGentle Giant
02. Funny Ways
03. Alucard
04. Isn’t It Quiet and Cold?
05. Nothing at All
06. Why Not?
07. The Queen

Para além das faixas mencionadas acima, as faixas “Nothing At All” e “Why Not?” completam o conjunto de músicas que quero relevar, a primeira começa de uma forma mais pacífica para no minuto três transbordar para um ‘bombardeamento vocal e instrumental’ em que, mais tarde, a percussão de Martin Smith e as teclas de Kerry Minnear, se destacam dos restantes. A segunda é bem mais ‘rockeira’, apesar do início lento, com a guitarra de Gary Green a fazer uma parelha muito bem conseguida com a bateria de Martin Smith e a voz, por vezes, enraivecida de Derek Shulman.

Apesar de não ser o melhor disco do grupo, nos 10 anos de actividade, Gentle Giant consegue produzir e compor uma das melhores peças musicais da década de 70, e lançar um excelente álbum de estreia. Pelo menos, mais dois ou três discos dos Gentle Giant poderão ser, mais tarde, apresentados nesta secção, apresentando um grupo bem mais maduro e coeso e com uma direcção musical ainda mais arrojada e complexa. No entanto, preferi escolher este álbum de estreia da banda para este ‘Fundamentas’, pois é muitas vezes subvalorizado e “posto de parte” quando comparado com a restante discografia e merece, desta forma, o meu reconhecimento como um dos álbuns essenciais do progressivo.

Gentle Giant – Gentle Giant (álbum na integra)

// João Braga

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