Pretendo apresentar, aqui, alguns dos álbuns que foram lançados por artistas a solo. Músicos que saíram de bandas ou que decidiram continuar projectos paralelos, de forma, a poder divulgar o seu próprio material. Muito do material discográfico a solo é, muitas vezes, ignorado seja comercialmente como profissionalmente. Não quero com isto dizer, que não haja artistas a solo ou discos a solo que não tenham muita importância na indústria musical, mas muitos dos artistas aqui referenciados são “retirados” de bandas com estatuto lendário e, maioritariamente, reconhecidos pelo seu trabalho num grupo, ao invés, de reconhecidos individualmente.

Este artigo, não é de todo um “best-of”, apresentando os “melhores dos melhores”. São apenas alguns lançamentos que me parecem bastante interessantes de ser ouvidos, alguns mais conhecidos que outros mas todos de muito boa qualidade.

Steve Hackett, Phil Collins, Peter Gabriel, Tony Banks e Mike Rutherford (Genesis)

De todos os nomes acima apresentados, parece-me claro que as carreiras de Phil Collins e Peter Gabriel têm e tiveram uma projecção bem maior que a dos restantes colegas. Independentemente dos resultados comerciais e da sua recepção global, a qualidade dos trabalhos dos cinco músicos está garantida. Reconhecidos por terem pertencido à lendária banda de rock progressivo, Genesis, largamente esmiuçados aqui na Ruído Sonoro, serão sempre lembrados pelo seu trabalho no grupo mas alguns deles montaram a sua fama mundial desenvolvendo uma carreira a solo bastante diferente do “estilo Genesis”, separando-se muitas vezes da identidade da banda.

NojacketPhil Collins, parece-me o caso mais flagrante de sucesso conseguindo criar a sua própria identidade e formando uma fama mundial sem precedentes na história do rock progressivo, pelo menos, em termos de sucesso contínuo. O lançamento em 1985 de No Jacket Required, clarifica a capacidade de um artista que sempre teve uma paixão pelo pop/rock mais emocional e ligado ao amor, com composições claramente românticas e bastante “amigas da rádio”. Ainda assim, No Jacket Required, tem uma forte componente instrumental, que apesar de não ser complexa, é extremamente bem composta. No ano seguinte, Genesis lança o quase perfeito, Invisible Touch, que se apresenta como um dos melhores lançamentos dos anos 80.

Phil Collins – No Jacket Required (álbum na integra)

Peter_Gabriel_So_CD_coverPeter Gabriel decidiu sair dos Genesis em 1974, após o lançamento do lendário The Lamb Lies Down on Broadway, para iniciar a sua carreira a solo. O início da carreira do artista é fulgurante, com o lançamento de discos como Peter Gabriel, em 1977-1982, e do lançamento de Birdy, em 1985, no entanto o grande disco de Peter Gabriel até os dias de hoje é So, lançado em 1986. É neste disco que Gabriel tem o maior conjunto de “hits”, que marcaram toda a sua carreira a solo. Faixas como, “Sledgehammer”, “Red Rain”, “Big Time”, “In Your Eyes”, “Don’t Give Up” e “Mercy Street” destacam-se pelo seu grau de complexidade, experimentalismo e melodia. Curiosamente, este é dos discos em que Peter Gabriel melhor consegue “dar asas” ao seu experimentalismo, mas também adicionar um grau de emoção, compondo um conjunto considerável de faixas comerciais e “amigas da rádio”.

Peter Gabriel – So (álbum na integra)

STEVE HACKETT- PLEASE DONT TOUCHCom mais de 20 álbuns de estúdio, a carreira de Steve Hackett é bastante estável com lançamentos de relativo sucesso e acompanhados por relativamente bem sucedidas “tours”. No entanto, Hackett é, na minha opinião, um artista subvalorizado, considerando o valor e talento do guitarrista. Os primeiros três discos são claramente os mais bem sucedidos, a juntar com os álbuns tributo aos Genesis, ambos tributos foram lançados em 1996 e 2012. O álbum de estreia já mencionado num dos Fundamentais do Progressivo, é o melhor da carreira do guitarrista, para além desse gostaria ainda de destacar o segundo disco intitulado, Please Don’t Touch, lançado em 1978 que conta com a participação de Chester Thompson, Graham Smith, Frank Zappa, entre outros.

Steve Hackett – Please Don’t Touch (álbum na integra)

Mikmike-rutherford-smallcreeps-daye Rutherford e Tony Banks são os mais evidentes fundadores e membros mais representativos dos Genesis. No entanto, tanto um como o outro lançaram trabalhos a solo, e apesar de não terem sido um sucesso comercial são dois discos com boa qualidade. Mike Rutherford compôs, apenas, dois discos a solo intitulados Smallcreep’s Day e Acting Very Strange, o primeiro consegue ter uma alma completamente diferente, passando um pouco pelo art rock, rock progressivo e rock comercial. Smallcreep’s Day consegue ter uma estranha fluidez, muito bem conseguida, e uma obscuridade muito pouco comum em Rutherford. O guitarrista consegue com este disco demonstrar o seu valor a solo, e teve a capacidade de compor letras e instrumentais, de facto, sensacionais. Ao contrário dos restantes colegas dos Genesis, Rutherford sempre se manteve na “sombra do grupo”, e é muitas vezes “deixado de lado” quanto à sua importância no processo de composição dos álbuns.

Mike Rutherford – Smallcreep’s Day (álbum na integra)

Tony Banks – A Curious Feeling (álbum na integra)

ACuriousFeelingO proeminente artista dos Genesis, Tony Banks, é autor de diversas bandas sonoras para filmes, e compositor de outros discos de originais que abrangem o rock progressivo, rock comercial, art rock e música clássica. Entre todos os álbuns originais do multi-instrumentista destaca-se A Curious Feeling, lançado em 1979. É um lançamento, principalmente, de rock progressivo baseado na história de Daniel Keyes intitulada, “Flowers for Algernon” (história de ficção científica). Não é de todo, um álbum consensual para a crítica profissional, com uma boa parte dela apontando a falta de complexidade instrumental e de magia como o ponto menos positivo. Apesar disso, todos concordam que A Curious Feeling é um bom lançamento, e que apesar de não ser arriscado e atrevido em termos instrumentais, o disco tem bons momentos de rock, apresentando um grupo coeso a interpretar músicas muito bem escritas e produzidas.

// João Braga

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