Marco Trigo: Bom, vocês têm um amplo histórico, cada um de vocês em várias bandas, e eu gostaria de perceber como é que vocês se juntam, para formar este projecto.

Tó Pica (guitarra): Eu, falando por mim, sou vizinho do Pedro. Eu e o Pedro moramos um ao pé do outro e conhecemo-nos há uma data de tempo aí da estrada, amigos comuns, do género. E basicamente foi assim. O Nuno – que carinhosamente a gente chama de “Rei Leão” – também era nosso vizinho e já nos conhecemos desde sempre; eu já nem sequer me lembro. A sério: para aí há 20 anos ou coisa que o valha, que nos conhecemos.

Falando por mim, juntei-me a este conjunto a convite do Pedro para gravar umas guitarras num suposto álbum a solo que ele estava a fazer, e fui conhecendo o Tiago (Tiago Ramos, bateria) que não conhecia, o Adelino (Adelino Duarte, guitarra) também não conhecia, a Sara (Sara Madeira, voz) que eu também não conhecia; o Nuno Louro, o teclista, eu já o conhecia dos bares, de outras andanças. Basicamente quem eu conhecia pessoalmente e com quem eu lidava era com o Nuno e o Pedro, e o Pedro convidou-me para gravar umas guitarras e eu fui, gravei umas guitarras para o álbum dele. Visto que até somos vizinhos, andamos pertinho um do outro, foi uma coisa fácil.

Pedro Teixeira: Eu no fundo reuni esta malta toda. A minha outra banda, os Corvos, é uma banda instrumental, até que quando fizemos uma das tournées, na Sérvia houve uma cantora que quis cantar uma canção connosco, eu achei um piadão àquilo. Vim até Portugal, comecei a pesquisar que tipo de sons gostaria de fazer, mas já queria fazer algo que fosse completamente diferente de Corvos para não dizerem “eh pá, está a fazer outra banda, mas no fundo é igual a Corvos”.

SecretLie RS 03Então acima de tudo fui reunindo pessoal que eu já conhecia e que reunia as qualidades sonoras e também as qualidades humanas – isso acima de tudo é muito importante – para reunir, para conseguir aquele som que eu estava à procura. Em relação à Sara, pronto eu não conhecia a voz porque Corvos era instrumental e não era um mercado que estivesse muito ao meu alcance; abri um casting no Teatro S. Carlos, onde me apareceu montes de pessoal. Ela tinha 16 aninhos na altura, estás a ver? Surpreendeu-nos a todos, mas havia aquela incógnita: “tem 16 anos, como é que isto vai ser?”.

Então fiz um rastreio desse casting, levei três a estúdio, gravei as três vozes e não havia dúvida que a Sara era a que mais se encaixava no estilo que eu pretendia. Depois fui buscar esta malta toda e foi mãos à obra.

MT: Relativamente ao casting que fizeram. Todos vocês têm já uma grande experiência musical e vão depois escolher uma pessoa que está a começar uma carreira…

PT: Eu queria uma voz fresca, queria alguém que não estivesse ligado ao meio, que estivesse noutra banda. Queria uma voz fresca, algo sem vícios, que pudesse ser trabalhado. E a Sara foi uma aposta nossa também; ela tem uma margem de progressão ainda fantástica e depois está à volta destes loucos todos, como tu vês.

O Adelino surgiu-me nas calejadas gravações do disco. Estávamos a gravar um tema que eu queria modificar no refrão, sabia que ele era vocalista, que tinha outras bandas também. Disse-lhe: “olha, queres entrar para o estúdio e ver o que é que sai?”, e o homem deixou-me colado e pronto, recebeu o convite logo aí para entrar para a banda.

MT: Essa vocalista na Sérvia é alguém já com algum nome?

PT: É. É a Nina Radojicic (N. do E.: Representante da Sérvia ao Festival Eurovisão da Canção, 2011.) uma das vocalistas conhecidas. E nós estávamos lá em tournée e ela disse que adoraria fazer algo connosco. Fez o “Smells Like Teen Spirit” dos Nirvana e como os Corvos nunca tinham bem trabalhado com voz, achei muito giro, principalmente uma voz feminina, em cima das cordas. Não iria fazer isso com Corvos, porque é uma banda instrumental e isso iria mudar a configuração toda da banda, então decidi fazer uma cena completamente nova.

MT: Relativamente ao vosso nome: primeiro “Secret Lie”, depois “Behind the Truth”, e depois um logotipo com uma chave. Acabam por apontar muito para verdades ocultas ou omissas. É uma curiosidade que tenho: o que estão a tentar abrir.

Adelino Duarte: Já quando foi o making-off do videoclip fizeram a mesma pergunta e há muita gente que pergunta. Isso está muito dentro das letras do álbum, é uma coisa que está lá bem escondida e acho que as pessoas é que têm… o misticismo que queremos criar é meter as pessoas à procura do que lá está, porque afinal de contas ouvir o álbum não é só ouvir a música, não é? Não é só um gajo abanar o capacete, mas perceber um bocado aquilo que lá está dentro daquilo que está lá criado.

PT: Quando andávamos à procura do símbolo, estávamos reunidos e queríamos um símbolo, um logo, e eu disse “tenham cuidado, porque os símbolos às vezes têm outra simbologia que se um gajo não está dentro do que está a falar…”. Às tantas surgiram umas chaves, góticas, quando estávamos ao computador. Uma chave era capaz de ser giro: começamos a pensar: se o “S” funcionasse como os dentes da chave é capaz de ser uma cena gira, portanto…

Nuno Correia: Foi uma cena que surgiu ali no momento e encaixa perfeitamente com o nome.

MT: O vosso álbum foi recebido de modo bastante positivo, não só cá em Portugal, mas lá fora. Isso era algo que já previam ou ficaram surpreendidos?

SecretLie RS 01PT: O som é bastante internacional, não é? As melodias de voz são muito Norte-Americanas e nós lançamos um tema para a net e o feedback começou logo a chegar dos Estados Unidos, da Alemanha, e por aí foi-se espalhando-se pelas rádios pelo mundo fora, passou por muitos, muitos países e ainda não tínhamos o álbum sequer na rua. Isso aconteceu uns quatro meses antes de lançarmos o álbum.

E cá escolheram o tema que é o tema mais Pop, digamos. Pronto, foi a maneira de chegares ao grande público, porque realmente o “I Can Be Free” é a música que quase choca ali com o resto do álbum, é sem dúvida a mais comercial… que não vamos tocar hoje, claro!

MT: Falaste agora de um tema e da divulgação na internet. Vocês têm alguma popularidade nos meios digitais. Apostaram desde início no Youtube, Facebook…?

PT: Neste momento acho que é um meio que está ao dispor de toda a gente. Nós no fundo não deixamos de ser uma banda independente e é o caminho que está mais aberto a podermos explorar. Não tens que estar a investir, não há dinheiros de investimento, não há nada. Lanças as coisas e logo vais recebendo o feedback, portanto é um modo mais acessível de trabalhar.

NC: Nós apostamos muito nas redes sociais porque actualmente toda a gente vai ao Facebook. Tu falas numa banda e toda a gente e vão ao Facebook ver; toda a gente tem Facebook, até a minha mãe tem Facebook.

Nós começamos por aí e o feedback foi tão grande, continua a ser e cada vez crescemos mais. Tem dado bons resultados.

MT: Uma pergunta que faço muito e às vezes corrigem-me: vocês sentem-se uma banda ou um projecto?

AD: Desde o princípio que é uma banda.

PT: É uma ideia de projecto, até porque foi um daqui, outro dali, e isso é um projecto.

AD: Para já, tudo começa com um projecto, porque sem um projecto é tudo um bocado balbúrdia e no fim de organizar as coisas todas, fazemos tudo para ser uma banda. Em palco é uma banda, não é um projecto. Apesar de ter outras bandas, a minha banda é Secret Lie.

PT: Aliás, já começamos a trabalhar no segundo álbum. Aliás, hoje em princípio já vamos passar um tema do próximo álbum também, portanto ele a nível de composição já está mais do que um álbum feito. Temos para aí umas trinta músicas para o próximo disco. Portanto o próximo passo será começar a gravar uma maquete, fazer um rastreio das músicas que nos soarem melhor.

MT: Têm alguma calendarização?

PT: Neste momento, o disco saiu há menos de um ano, ou seja não queremos lançar, mas mais vale começar já a trabalhar. Eu gosto de trabalhar sempre com uma visão no futuro, não no presente, portanto o presente é o que está a acontecer: estamos a fazer a tournée. Eu por mim tenho de estar sempre a pensar em avançado, sempre. Portanto a nível de composição, as coisas estão feitas, agora é reunirmo-nos, os ensaios, e essas cenas, o que demora tudo bastante tempo.

Já somos sete, depois são sete de locais diferentes. Para reunir a malta toda às vezes é complicado.

MT: Relativamente ao vosso videoclip, tiveram uns largos milhares de visualizações.

PT: Mas isso também porque lá termos o mercado dos EUA, por termos feito a primeira entrevista que foi logo para um rádio Americana. Sabes que isso é logo um mercado muito grande. E depois é um veículo fácil de apresentares e as pessoas verem e divulgarem.

MT: Acaba por ser uma montra do vosso trabalho.

PT: Sim. Aliás, como tu vês, não temos um videoclip do “I Can Be Free”…

MT: No início do ano fizeram um concerto para crianças…

PT: Fizemos vários. Foi uma proposta que nos chegou e são quase concertos didácticos. Foi uma experiência brutalíssima.

MT: Como reagiram os miúdos?

PT: Muito fixe, meu. Sabes que uma bateria para os putos, é fantástico.

Acabamos por fazer uma cena didáctica, mostrar um pouco os instrumentos, fazer um solo cada um, também para eles perceberem o que é que é cada instrumento e pronto, isso também nos faz ligar a gerações futuras que se interessem pela música. É começar a instruí-los desde pequeninos.

MT: E agora vão tocar para um público…

NC: Nada a ver…

MT: Nada a ver. Vocês pensam em públicos-alvo ou a vossa música vem de dentro e logo se vê?

NC: Nós estamos naquele limbo. Há quem chame Rock Pop, ou rock gótico, há quem chame Pop Metal, sei lá: não temos um estilo definido. Então conseguimos adaptar a vários públicos. É engraçado que estamos aqui, na Sexta estamos a tocar na Ilha do Corvo; não tem nada a ver o ambiente.

MT: Obrigado pela entrevista.

PT: Nós é que agradecemos.

MT: Espero que se divirtam tanto quanto nós vamos divertir-nos.

AD: Ah claro que sim!

NC: A gente encontra-se, como diria o outro, não é?

Por Marco Trigo, em colaboração com a ROCK HEAVY LOUD
Com Tó Pica, Pedro Teixeira, Adelino Duarte e Nuno Correia

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