Os seguintes são dois álbuns conceptuais lançados em diferentes décadas e com diferentes níveis de importância para a indústria musical. Tanto o álbum da década de 80 como o de 90 são de metal progressivo, fugindo um pouco ao género de rock progressivo clássico abordado nos artigos anteriores.

Queensrÿche – 1988 – Operation: Mindcrime

É com toda a certeza o melhor álbum dos Queensrÿche, e um dos melhores dos últimos 30 anos. O seu conceito é um dos mais bem escritos do rock e metal, e apesar de não superar clássicos como The Lamb Lies Down On Broadway, 2112 ou The Dark Side Of The Moon, Operation: Mindcrime não é um disco que lhes fique completamente atrás. É outro que considero perfeito a todos os níveis, e é um dos discos que apesar de ter uma longa duração com quase uma hora de música, é um álbum que se vai renovando com uma história bastante cativante, personagens dinâmicas e um fim emocionante, fazendo que este álbum seja um dos álbuns mais vendidos do metal progressivo e um dos mais importantes da história do progressivo.

O conceito centra-se num toxicodependente, Nikki, que por causa do vício é atraído por Dr.X para a sua rede criminosa como um assassino. Dr.X pode ser considerado o chefe de uma seita ou organização criminosa que manipula Nikki com drogas e técnicas de manipulação, por forma a ter as suas intenções concretizadas. No entanto, Nikki com o afecto e amizade de uma prostituta, Sister Mary, vai-se apercebendo do erro que está a cometer e decide contrariar Dr.X e fugir da organização mas com graves consequências para Nikki. Para tornar este disco ainda mais original, nada disto acontece no presente, Nikki está num hospital num estado apático quando se lembra de tudo o que fez e pelo que passou nas mãos de Dr.X.

mindcrime-coverLista de faixas para Operation: Mindcrime:
01. I Remember Now
02. Anarchy-X
03. Revolution Calling
04. Operation: Mindcrime
05. Speak
06. Spreading The Disease
07. The Mission
08. Suite Sister Mary
09. The Needle Lies
10. Electric Requiem
11. Breaking The Silence
12. I Don’t Believe In Love
13. Waiting For 22
14. My Empty Room
15. Eyes Of A Stranger

Operation: Mindcrime marcou o legado da banda com um sucesso inigualável. À custa do sucesso do disco, os seus espectáculos tornaram-se altamente teatrais com a dramatização da história do álbum, que levou ao lançamento de Operation: Livecrime. Este álbum ainda teve uma sequela intitulada Operation: Mindcrime II, que contou com a participação do lendário Ronnie James Dio como Dr.X, mas que não foi tão bem sucedido tanto conceptualmente como comercialmente.

Queensrÿche – Operation: Mindcrime (álbum na íntegra)

Dream Theater – 1999 – Metropolis Pt.II: Scenes from a Memory

Não considero este álbum tão importante como o Operation: Mindcrime, mas mesmo assim é uma obra com elevado valor. Lançado em 1999, numa fase de viragem da música e no fim da pior década para a indústria musical. Este álbum surge um pouco tarde demais e não foi tão importante como o Operation: Mindcrime nem tão criativo musicalmente.

A sua história é bastante interessante e também bem desenhada, centrando-se no passado de Nicholas. O álbum inicia-se com “Regression”, é o primeiro capítulo da história com Nicholas a relaxar ao som da voz do seu hipnoterapeuta, a partir daí Nicholas “viaja” numa onda de recordações e memórias sobre o seu passado.

cover_3756161122008Lista de faixas para Metropolis Pt.II:
Act I
01. Scene One: Regression
02. Scene Two: I. Overture 1928
03. Scene Two: II. Strange Deja Vu
04. Scene Three: I. Through My Words
05. Scene Three: II. Fatal Tragedy
06. Scene Four: Beyond This Life
07. Scene Five: Through Her Eyes

Act II
08. Scene Six: Home
09. Scene Seven: I. The Dance Of Eternity
10. Scene Seven: II. One Last Time
11. Scene Eight: The Spirit Carries On
12. Scene Nine: Finally Free

Não considero este disco tão criativo como o disco dos Queensrÿche pela simples razão que a banda apenas se limita a fazer uma recordação do que se passou, ao invés, que Operation: Mindcrime acaba por ter mais viragens no tempo, começando no presente, depois passado e voltando ao presente ao longo das diversas “pontes” do álbum. Este disco dos Dream Theater acaba por esta razão por não ser tão ambicioso e criativo, mas mesmo assim é um fantástico álbum, em que todos os membros têm uma performance espectacular e é o último lançamento da banda em que a voz de James LaBrie está, de facto, em boas condições.

Dream Theater – Metropolis Pt.II: Scenes from a Memory (álbum na íntegra)

// João Braga

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