Mindlock

Thrash Metal/Hardcore  –  Portugal

 
O palco no segundo dia de concertos foi estreado mais uma vez por uma banda nacional. Comparados com os Disaffected do dia anterior, os Mindlock foram muito melhores e mostraram ser capazes de prender o público e transmitir uma energia brutal. Padecendo do mesmo problema dos seus compatriotas no que toca à falta de público, a maior parte ainda fora do recinto, foi com poucos mas bons que o concerto se desenrolou. Apostando sobretudo em temas do álbum mais recente, Enemy Of Silence, os Mindlock conseguiram arrancar mosh pits no recinto e fazer o melhor possível àquela hora. Destaque para a grande atitude em palco do vocalista, que pediu aos presentes para apoiarem a única banda nacional deste segundo dia. Apesar de tudo, ficou no ar a sensação que a sonoridade banda não era do agrado da maior parte dos festivaleiros.

Setlist (ordem por confirmar)
Firekiss | I Am War | Stubborn By Nature | Alcohol Ecstasy | ? | ? | Manifesto

Chthonic

Symphonic Black Metal  –  Taiwan

 
De todas as estreias em território luso que o Vagos nos proporcionou este ano, os Chthonic eram sem dúvida a maior incógnita. Se Metal vindo da Ásia já é raro, ver uma banda do Taiwan em Portugal é no mínimo insólito. Para os poucos que já os conheciam, a dúvida era se a banda conseguia transmitir ao vivo a qualidade demonstrada em estúdio. No entanto, para a maioria o nome da banda era mesmo algo novo, e foi de certeza uma agradável surpresa para muitos. Numa setlist quase toda retirada do seu último álbum, Takasago Army, os Chthonic conseguiram um apoio em crescendo do público presente. Se a baixista Doris Yeh era por si só uma atracção visual óbvia para muitos (bastou ver-se a reacção da plateia durante o soundcheck), o resto da banda não ficou atrás e mostrou ser capaz de dar um grande espectáculo. Freddy Lim mostrou uma enorme versatilidade na mudança de guturais, e o público rendeu-se a um Black Metal sinfónico sem rodeios nem “mariquices”. O momento alto do concerto foi mesmo o final, com uma brilhante execução do melhor tema de toda a setlist, Takao.

Setlist (ordem por confirmar)
The Island | Oceanquake | Southern Cross | Forty-Nine Theurgy Chains | Quell The Souls In Sing Ling Temple | Broken Jade | Takao

Textures

Progressive/Math Metal  –  Holanda

 
Num dia em que o Thrash era rei, o Melodic Death ia fechar a noite e depois da actuação de um banda de Black, o metal progressivo dos Textures surgiu algo fora de contexto. Contudo, apesar da sonoridade diferente, foi com grande categoria que os holandeses deambularam por temas extremamente técnicos e agressivos, alternados com momentos de doce melodia para descansar os ouvidos. Numa efusiva libertação de energia, os Textures levaram o público ao êxtase nalguns momentos, conseguindo mesmo uma wall of death no tema Stream Of Consciousness. Daniel de Jongh teve uma grande prestação vocal, mostrando ser capaz de um gutural explosivo e de uma voz melódica bem afinada, algo visível especialmente no tema Awake, um dos momentos altos do concerto. Tal como na noite anterior com os Enslaved, muita gente escolheu a hora de Textures para ir jantar, mas mesmo assim o recinto estava bem composto e foi agradável a química que a banda conseguiu com o público, algo por vezes difícil em metal mais técnico.

Setlist
Surreal State Of Enlightenment | Regenesis | Storm Warning | Consonant Hemispheres | Stream of Consciousness | Sanguine Draws the Oath | Awake | Swandive | Singularity | Laments of an Icarus

Coroner

Technical Thrash Metal  –  Suíça

 
Finalmente chegava o primeiro de dois concertos dedicados à velha guarda do Thrash Metal, que deambulava por Vagos com t-shirts de Coroner, Overkill e outros ícones do Thrash mundial. Com uma grande atitude em palco, a banda mostrou que os anos passam para todos, mas para as grandes bandas os palcos são fontes de juventude. Num setlist que se focou essencialmente nos temas menos Thrash puro e mais técnicos/progressivos, o público foi aquecendo à medida que a actuação se desenrolava. Com uma técnica notável, especialmente nos solos de Tommy Baron, os Coroner tornaram realidade o sonho de muitos thrashers menos jovens, alguns deles em bandas cujos suíços são uma das maiores fontes de inspiração. Apesar do atraso em relação à hora marcada, possível motivo para não terem tocado a Reborn Through Hate, o concerto encheu as medidas dos fãs e colmatou um buraco no coração de muitos.

Setlist
Golden Cashmere Sleeper, Part 1 (Intro only)| Internal Conflicts | Serpent Moves | Masked Jackal | Status: Still Thinking | Metamorphosis | Die by My Hand | The Lethargic Age | Semtex Revolution | Gliding Above While Being Below | Divine Step (Conspectu Mortis) | Grin (Nails Hurt) | The Invincible

Overkill

Speed/Thrash Metal  –  Estados Unidos da América

 
Se nestas duas noites na Lagoa do Calvão tivemos momentos únicos, o concerto dos Overkill foi provavelmente o mais espectacular. Não é todos os dias que se vê uma banda da velha guarda do Thrash fazer o que eles fizeram em palco. Se os Coroner cumpriram a sua missão e mostraram vigor, os Overkill levaram a sua actuação a um patamar de inigualável mestria e partiram tudo. Bobby Ellsworth tem 53 anos de idade, mas tira-lhes 30 em palco. Incansável, irrequieto e com a voz igual à de estúdio, sem uma única falha, a sua mestria foi acompanhada por uma execução brilhante nos solos de Dave Linsk e pela frenética bateria de Ron Lipnicki. Numa setlist focada essencialmente em temas dos dois últimos álbuns, mas com vários temas antigos à mistura, os Overkill trouxeram a maior enchente a esta edição do Vagos. Com um Bobby muito comunicativo e com algum sentido de humor, a perguntar “quando é que foi a última vez que um velhote vos deu cabo do coiro em palco”, o concerto desenrolou-se a uma velocidade alucinante e terminou com uma enérgica Fuck You, bem acompanhada pelo público, especialmente depois do Bobby nos ter picado ao perguntar se éramos portugueses ou espanhóis. Grande momento, grande lição de Thrash que Coroner e Overkill deram em conjunto.

Setlist
Come and Get It | Bring Me the Night | Elimination | Wrecking Crew | Electric Rattlesnake | Hello From the Gutter | Ironbound | Save Yourself | Necroshine | Old School | In Union We Stand | Deny the Cross | Rotten to the Core | Fuck You (The Subhumans Cover)

Arch Enemy

Melodic Death Metal  –  Suécia

 
A fechar a quarta edição do Vagos tivemos o concerto que mais dividiu opiniões. Se para muitos a prestação dos Arch Enemy foi perfeita e a Angela foi um monstro em palco, para outros não passou de um concerto com excesso de “marketing” político, de uma banda vendida ao mainstream e com uma Angela em clara decadência vocal. A verdade está algures entre estes dois pólos críticos. É indiscutível que a banda sabe como dar um grande espectáculo e tem uma presença em palco que nesta edição do Vagos só foi rivalizada por At The Gates e Overkill. Se a Angela foi o óbvio destaque, o resto da banda não ficou atrás em termos de presença em palco. No entanto, também é verdade que a voz dela já viu melhores dias, e os constantes apelos à revolução, anarquia e temáticas politico-sociais típicas de jovens rebeldes que dominam o Khaos Legions não ajudaram a credibilizar o concerto. Olhando para tudo como um todo homogéneo, foi um concerto de grande intensidade e com o maior espectáculo visual do V:O:A 2012, desde as imagens que passavam nos ecrãs ao lado do palco ao hastear da bandeira negra em Under Black Flags We March. Se os dotes vocais da Angela começam a perder-se, a sua presença em palco é algo do outro mundo. Destaque para os guitarristas, que proporcionaram momentos magníficos, especialmente no solo do recente membro Nick Cordle e para a prestação do Michael Amott na Intermezzo Liberté. Última nota para o herói da noite, o baterista Daniel Erlandsson, que tocou do principio ao fim, sem falhas, com a mão partida! Foi com este concerto repleto de diferentes emoções que o Vagos nos disse “até para o ano”.

Setlist
Khaos Overture | Yesterday is Dead and Gone | Ravenous | My Apocalypse | Bloodstained Cross | The Day You Died | Under Black Flags We March | Dead Eyes See No Future | Nick Cordle Solo | Intermezzo Liberté | Silent Wars | No Gods, No Masters | Dead Bury Their Dead | We Will Rise | Snow Bound | Nemesis | Fields of Desolation

2 Responses

  1. Diogo Lisboa

    Foi um bom Festival !!!!! Naturalmente fui dia 04 Agosto, como elemento da “Velha Guarda” . Gostei bastante de Coroner e de Overkill. Estas duas bandas na idade, são como ´o Vinho do Porto. Espero, como tradição que as melhores Bandas que vão a Vagos, venham depois a Lisboa. Em palco fechado contactam melhor directamente c/ o publico e dá para ver melhor certos pormenores tecnicos.

    Saudações Metaleiras, Diogo Lisboa

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