A Ruído Sonoro entrevistou os Adamantine. Aqui ficam as palavras de André Bettencourt.

RUÍDO SONORO: Adamantine, um nome que surge do nada para se tornar numa das bandas emergentes mais faladas no panorama do Metal nacional. Como foi a viagem da banda do início até ao presente?
ADAMANTINE: Antes de mais, obrigado à Ruído Sonoro, pela entrevista e divulgação do nosso trabalho. Os ADAMANTINE são uma banda de Thrash Metal que se formou no final do ano 2006, na altura com um som mais old school, ao género do que se fazia no estrangeiro com o ressurgimento do Thrash. Somos das primeiras bandas da New Wave of Thrash Metal a existirem em Portugal. Gravámos o nosso primeiro registo, o EP “Downfall of Adamastor”, em 2009. Fizemos uma Tour Nacional em 2010, percorrendo quase todos os bares e spots de música pesada em Portugal para promover esse primeiro disco e tivemos a oportunidade de abrir para bandas como Destruction (Ger), Gama Bomb (Irl), Lazarus AD (USA) e Bonded By Blood(USA).
Em 2011 lançámos um single novo, “Thrash and Devastate”, e pouco depois começamos a trabalhar no nosso primeiro longa duração. O processo de pré-produção e gravação do “Chaos Genesis” durou aproximadamente 9 meses. Praticamente a gestação de uma vida .

RUÍDO SONORO: A vossa sonoridade é um Thrash Metal renovado e moderno. Sempre foi um objectivo vosso fugir à rotina e criar algo realmente novo, em vez de se limitarem a seguir as influências?
ADAMANTINE: Nos primeiros tempos não nos preocupávamos tanto com a noção de inovação. Sempre fizemos música que fosse original, mas não nos preocupávamos tanto com a inovação no que diz respeito ao som, estrutura ou fórmula. Fazíamos apenas música ao estilo daquilo que gostávamos, bandas de Thrash e Heavy Metal que nos influenciavam e que ainda hoje estão presentes nas nossas composições. No entanto, com o crescimento musical e intelectual e alguma maturidade que ganhámos ao vivo, sentimos a necessidade de ir mais além. Não queremos repetir algo que já foi feito. Queremos criar a nossa própria música e deixar a nossa marca. Este novo disco representa uma nova fase, muito mais própria e fiel àquilo que somos.

RUÍDO SONORO: Quais são as principais temáticas que podemos encontrar em Chaos Genesis?
ADAMANTINE: O álbum é de certa forma conceptual. Apresenta uma jornada narrada na primeira pessoa. Um espectador que assiste a um mundo que está a morrer aos poucos. As temáticas são abordadas de forma subtil. Acho que é muito melhor que o ouvinte pense e aos poucos possa desvendar as mensagens, sejam elas políticas ou sociais.

RUÍDO SONORO: O álbum tem uma capa magnífica! O que simboliza?
ADAMANTINE: Obrigado. A capa foi feita pela artista Vanessa Bettencourt, que já tinha trabalhado connosco para a capa do EP “Downfall of Adamastor”. O concept foi criado por mim. De uma forma geral, representa o fim da jornada no disco. Tem vários elementos retirados de algumas faixas e de uma forma geral representa esperança no meio de tanta coisa negativa. Oiçam o disco, tomem atenção às letras e no fim de o ouvirem, olhem para a capa novamente e pensem. Fará mais sentido assim.

RUÍDO SONORO: A masterização do álbum esteve a cargo de Tue Madsen (Moonspell, The Haunted, Ektomorf), uma contribuição de peso logo no álbum de estreia. Como o conheceram?
ADAMANTINE: O Tue é na minha opinião um dos melhores produtores da Europa. Sempre gostei bastante do trabalho dele e das bandas com que trabalhou. Entrámos em contacto com ele e foi super simpático e fácil de lidar. Tivemos imensa sorte de ele estar em Portugal a trabalhar com Moonspell na mesma altura em que estávamos a gravar o nosso disco. Conclusão, enquanto gravávamos nos Poison Apple Studios, o Tue estava no estúdio dos Moonspell que fica mesmo ao lado. Foi uma sorte poder partilhar algumas ideias com ele pessoalmente durante o processo de captação.

RUÍDO SONORO: Existem planos para o lançamento de um videoclip para um tema de Chaos Genesis?
ADAMANTINE: Sim, estamos a trabalhar em dois vídeos neste momento. O primeiro a sair para o público será para o single “Mechanical Empire”.

RUÍDO SONORO: Os Adamantine não têm editora. É algo a mudar no futuro ou é estratégia para manter a vossa independência?
ADAMANTINE: Neste momento é uma necessidade para mantermos a nossa existência. Nós e muitas outras bandas pela Europa estamos a tentar sobreviver à crise e adaptar-mo-nos a um mercado quase nulo. Por mais absurdo que pareça, ter uma editora hoje em dia, não nos garante muita coisa. Nós recebemos duas propostas de editoras estrangeiras. Muitas coisas no contrato seriam benéficas para nós. Mas os contras eram demasiados e decidimos não aceitar e jogar pelo seguro neste ano de crise. Não podemos correr o risco de cessar actividades forçosamente por falta de fundos monetários.

RUÍDO SONORO: Vocês já abriram para vários grandes nomes, como Destruction, Gama Bomb e Lazarus AD. Como foi experiência e o que de melhor se retira do contacto com estas bandas?
ADAMANTINE: A experiência foi sem dúvida enriquecedora. Por um lado, porque ao abrir para bandas estrangeiras de renome conseguimos chegar a mais público, que poderia não saber da nossa existência. Por outro lado, aprendemos bastante ao ver de perto como são os musicos vindos de outros cantos do mundo. E são todos bastantes diferentes do que pensavamos, uns negativamente e outros positivamente. Mas isso é bom.

RUÍDO SONORO: A apresentação do álbum está agora a arrancar um pouco por todo o país, abrindo em Leiria. Como foi esse primeiro concerto da tour?
ADAMANTINE: O primeiro concerto da tour em Leiria foi uma loucura, um dos melhores desta tour até agora. Já tinhamos tocado nas proximidades e sempre fomos bem recebidos. Foi um concerto cheio de mosh, headbang e suor. Que é que se pode pedir mais?

RUÍDO SONORO: Já há ideias para a composição do próximo trabalho?
ADAMANTINE: Já existem ideias e já existem pelo menos quatro faixas novas. Embora não estejamos focados em compor como grupo neste momento, é impossível para mim parar de o fazer. Portanto acho que ainda este ano deverá sair qualquer coisa nova.

RUÍDO SONORO: Qual é o vosso maior objectivo enquanto banda?
ADAMANTINE: O nosso maior objectivo como banda é fazer música de que gostamos. Enquanto isso for possível, continuaremos a existir. Se conseguirmos crescer cada vez mais, levar a nossa música a todas as pessoas que gostam de música pesada pelo mundo, tocar muito ao vivo e gravar discos com qualidade, então ainda melhor. \m/

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