Alma e mente por detrás do projecto Of the Wand and The Moon, uma das mais emblemáticas bandas do género Neofolk, Kim Larsen tem regresso marcado ao nosso país já este ano, para o festival Entremuralhas em Agosto. A Ruído Sonoro esteve à conversa com ele.

 

Ruído Sonoro: Lançaste recentemente um novo álbum, The Lone Descent [2011], um álbum muito antecipado porque não editavas nada desde 2005. Como é que foi o processo de criação, e porque é que demorou tanto tempo?

Kim Larsen: Bem, durante alguns anos mudei-me para uma casa nova na Dinamarca, e precisei de algum tempo para me estabelecer. Depois, mudei-me novamente para Copenhaga.

Para além disso, queria mesmo demorar o tempo que fosse preciso com este novo lançamento. Se tivesse demorado 10 anos não me importaria. Também não estava preocupado com o dinheiro que seria preciso gastar para o acabar da maneira que queria. Acabou por não ser o álbum mais caro que fiz.

Desta vez, para além dos vocais, também gravei tudo numa cassete analógica de 2 polegadas, o que é um processo lento, que consome muito tempo, porque tens de rebobinar sempre que te enganas. A cassete tem, também, uma quantidade limitada de faixas para gravar, antes de transferir (gravar) tudo para o computador. Algumas das músicas têm mais do que 100 faixas, acredites ou não [risos], por isso, sim levou algum tempo. Mas o resultado final valeu a pena.

RS: Certamente que já várias pessoas te perguntaram isto, mas porque é que existe uma diferença tão grande entre este álbum e o anterior?

KL: Em relação à parte musical, queria fazer uma coisa diferente do Sonnenheim. Provavelmente podia fazer outro Sonnenheim. Ou talvez três. Mas precisava de procurar novos horizontes e de não ficar preso aos mesmos dogmas.

No que diz respeito à parte lírica, esta apenas se tornou aquilo que é. A vida ditou-a.

RS: Tens alguns projectos nos quais estejas a trabalhar neste momento?

KL: Actualmente estou a lutar para conseguir ter um DVD “semi-ao vivo” acabado. Espero que para este Verão. Para além disso, vamos dar vários concertos este ano, por isso irei usar a minha energia limitada para isso.

RS: Apesar de terem passado 6 anos desde o Sonnenheim [2005], editaste entretanto vários Eps e um álbum do teu outro projecto, Solanaceae. Era algo que há muito planeavas fazer?

KL: Estava a trabalhar ao mesmo tempo em músicas, tanto para os Solanaceae, como para o novo álbum dos Of the Wand and the Moon, e era evidente de que tinha de dividir as músicas em dois projectos, da mesma forma de que já sabia em que direcção o haveria de fazer. Queria continuar com o álbum dos OTWATM. Ambos os projectos precisavam de permanecer puros.

Em relação ao lançamento dos singles de 7 polegadas, eu sempre quis lançar um single de “dark Yule”, para ter alguma coisa alternativa para tocar enquanto a Rádio vomita a “Last Christmas” dos Wham, apesar da música “We Are Dust” encaixar na perfeição nesse projecto, assim como a cover da “Dirtnap Stories” do Lee Hazlewood.

Não senti que essas músicas encaixassem no som e no espírito geral do álbum, mas ao mesmo tempo seria uma pena abandoná-las, por isso acabaram no 7 polegadas.

Para além desses lançamentos, lancei também um single com os King Dude, o meu projecto Solanaceae, e um álbum com o meu projecto Les Chasseurs De La Nuit. Por isso não é como se tivesse parado de fazer música desde o lançamento do Sonnenheim.

RS: Também participaste no último álbum dos Necrophagia, Deathtrip 69. Como é que surgiu essa oportunidade?

KL: O Killjoy, o líder dos Necrophagia, contactou-me e perguntou-me se eu queria fazer uma música para o novo álbum deles. Ele era um grande fã dos OTWTM. Fiquei bastante surpreendido com o pedido dele mas, apesar de puder ser uma coisa um bocado estranha para vir a participar, decidi tentar. Acho que a música acabou por ficar bastante boa.

RS: Numa entrevista disseste que os Death in June são uma grande influência para ti, e recentemente tiveste a oportunidade de participar em alguns concertos durante a tour europeia deles. Como é que foi essa experiência para ti?

KL: Foi uma experiência mágica, sem dúvida. Especialmente os concertos em Eisleben na Alemanha, e em Copenhaga na Dinamarca. Não me saem da cabeça.

RS: Apesar de já teres trabalhado com outros músicos na tua primeira banda, Saturnus, decidiste tornar-te um músico a solo. Porque é que tomaste essa decisão?

KL: Era simplesmente impossível para mim continuar numa banda, e não me arrependo de ter saído. Apenas gostava que tivessem mudado o nome após a minha saída, em vez de violarem aquele cavalo morto e arrastarem-no pela lama. Mas penso que isso me ensinou que as pessoas mudam, e que uma coisa tão pessoal como a minha música é preferível continuar pessoal.

RS: Já passaram alguns anos desde o lançamento dos primeiros trabalhos dos OTWTW. Quando olhas para trás, como é que encaras esses trabalhos? Consegues distinguir uma certa linha de continuidade em todos eles?

KL: Bem, mesmo se ouvires o primeiro lançamento dos Saturnos de 96, consegues ouvir uma continuidade. Para dizer a verdade, 3 das músicas do álbum Solanaceae, que editei em 2009, foram compostas nessa altura. Obviamente que vais melhorando naquilo que fazes durante esse tempo, espera-se. Mas penso que os principais temas/composições/escritos permaneceram comigo durante estes anos. Para o melhor ou para o pior…

RS: Em 2010 regressaste a Portugal para dois concertos, um no Porto e outro em Lisboa. Do que é que te recordas desses concertos?

KL: Recordo-me essencialmente da beleza do país e da simpatia das pessoas. Estou muito entusiasmado por voltar em Agosto, e espero puder passar mais tempo a explorar o país.

Entrevista por Rita Cipriano.

Fotografias (fonte): ofthewandandthemoon.dk

Leave a Reply

Your email address will not be published.