Estivemos em contacto com os Switchtense, o novo ícone do Thrash Metal nacional. Aqui fica a entrevista gentilmente cedida pela banda.

RUÍDO SONORO: Oito meses após o seu lançamento, que balanço fazem do vosso álbum homónimo? Que diferenças destacam em relação ao Confrontation Of Souls?
SWITCHTENSE: Antes de mais, agradecemos à Ruído Sonoro pela oportunidade de estarmos aqui a falar da nossa banda e das nossas experiências com os vossos leitores.

Estamos totalmente satisfeitos com aquilo que representa este nosso último disco… E isso não é inseparável do facto de termos estado um ano a trabalhar para ele. Tivemos tempo e disponibilidade para nos assegurarmos que queríamos fazer tudo como foi feito. Consideramos este disco mais um passo no nosso crescimento enquanto banda, enquanto músicos e enquanto pessoas que querem viver da música e fazer única e exclusivamente o que mais gostam: tocar! As diferenças mais evidentes de um disco para o outro, não são estilísticas, pois essa nunca foi nem será a nossa preocupação.

Depois de 2 anos a tocar o “Confrontation of Souls”, álbum que nos levou a fazer mais de 60 concertos, estamos mais confiantes e seguros da música que queremos e gostamos de fazer. A química entre nós cresceu e foi mais simples compor este disco, sem dúvida alguma. A rodagem traz destas coisas… O facto de o termos gravado nos nossos estúdios também é uma diferença que temos que salientar. Desta vez tivemos o estúdio para nós durante 5 semanas e podemos fazer as coisas com todo o tempo do mundo para nos certificarmos que ficaríamos satisfeitos com o resultado final. Há mais pontos em comum que diferenças entre os 2 trabalhos… As diferenças são as naturais pois passaram 3 anos desde que gravamos o disco de estreia. Se não tivéssemos melhorado, mais valia termo-nos dedicado à pesca (risos).

RUÍDO SONORO: Como tem sido a reação do público ao vivo? Têm notado uma legião de fãs crescente?
SWITCHTENSE: O público que nos segue habitualmente já é fiel e isso é uma vitória para nós… É resultado do nosso trabalho e da nossa dedicação à banda. É resultado também da forma como nos relacionamos com as pessoas que gostam do nossa música e que aparecem nos nossos concertos. Nós somos todos muito terra-a-terra e não vivemos com ilusões de estrelato ou outros tiques típicos das Divas…

As reacções têm sido muito positivas, e sinceramente era mesmo que isso que estávamos à espera! Ficamos muito contentes por termos cumprido esse objectivo e que as pessoas continuem a gostar de nós. Durante o ano passado tivemos a hipótese de tocar num evento mais mainstream, e isso também ajudou a que mais pessoas tomassem contacto com a nossa banda… Haviam pessoas nesse dia na plateia que nunca tinham ouvido falar de nós, algumas nem sequer sabiam que éramos Portugueses, portanto ainda há muito caminho a percorrer.

Contudo sabemos que é muito difícil crescer até aquilo que pretendemos aqui no nosso País por diversos factores. Há muitas mais pessoas para conquistar, mas faltam oportunidades de chegar até esses grandes nichos de mercado… Para uma banda como nós as coisas custam a triplicar, mas nós estamos preparados e cientes desses factores e vamos combater com as nossas armas: aqui ou em outro lado qualquer.

RUÍDO SONORO: Este ano vai ser dedicado à promoção do álbum Switchtense com a Unbreakable Tour 2012. Quais são as vossas expetativas? Vão apostar forte no estrangeiro?
SWITCHTENSE: As nossas expectativas são exactamente as mesmas que tínhamos quando lançámos o disco: tocar o máximo de vezes quanto for possível, procurar cada vez melhores condições para desenvolver o nosso trabalho e chegar ao maior número de pessoas. Dentro das nossas possibilidades e das nossas condições vamos tentar marcar mais umas datas lá por fora neste ano. Em Junho temos já confirmada a presença num festival na Alemanha, o Chronical Moshers, festival onde já tocamos em 2009 e agora voltamos. Estamos actualmente em contactos para conseguirmos mais uns concertos naquela altura pelas redondezas. A ver vamos…

RUÍDO SONORO: Com quem gostariam os Switchtense de partilhar o palco um dia?
SWITCHTENSE: Já tivemos a sorte e o prazer de partilhar o palco com várias bandas que gostamos muito… Quer nacionais, quer de outros países, e em algumas destas vezes criaram-se ligações mais fortes e mantemos contacto permanente com algumas delas. São sensações de conquista muito especiais, pois algumas daquelas bandas nos já ouvíamos quando éramos putos… Estar ali ao lado daquelas pessoas que só existiam praticamente no nosso imaginário tem muito que se lhe diga. No futuro, queremos partilhar o palco com as maiores e as melhores bandas de metal da actualidade. Era sinal que estávamos no meio desses grandes nomes e que estaríamos a viver o nosso sonho. Vamos fazer por isso…

RUÍDO SONORO: Se tivessem que destacar um concerto em toda a vossa carreira, qual seria e porquê?
SWITCHTENSE: Responder a essa pergunta obriga a termos que falar em 2 ou 3 momentos. É inevitável falar do concerto no Campo Pequeno em Lisboa, onde tocámos para uma plateia de 5 mil pessoas. Foi tudo perfeito: as portas abriram uma hora e meia antes do início do concerto e isso fez com que tocássemos para quase 80% das pessoas que foram ao concerto. Foi impressionante e por vezes deixámos de ouvir o som no palco e só ouvíamos os gritos das pessoas que estavam ali à nossa frente. Sensação única mesmo pois ter aquela massa humana à nossa disposição não é uma coisa muito habitual e aproveitamos ao máximo.

Em 2011 tocámos num festival na Alemanha chamado Turock Open Air, em Essen. É um festival feito durante as festas da cidade, numa das principais praças e com entrada livre. Estavam cerca de 4 mil pessoas, obtivemos uma reacção excelente por parte do publico e isso abriu-nos portas para voltar a tocar ali. É sempre gratificante ouvir dizer por parte de algumas pessoas do staff do festival que fomos uma das bandas que mais gostaram de ver ali, que os surpreendemos a todos os níveis e que no futuro nos voltaremos a encontrar.

Outro dos concertos que podemos destacar foi sem dúvida o que demos na ultima edição do Metal GDL em 2011, um festival que consideramos ser o melhor feito em território nacional, por tudo aquilo que o envolve. Temos uma relação muito forte e muito especial com o festival e com as pessoas que o desenvolvem. Depois, em todas as noites que pisamos um palco acontecem coisas especiais, que por um motivo ou outro, ficam guardadas na memória.

RUÍDO SONORO: Alguma banda ou bandas emergentes por terras lusas que queiram destacar?
SWITCHTENSE: Tantas… Desde os Pitch Black passando pelos For The Glory, Seven Stitches, Grakapo, The Spiteful, Revolution Within, Men Eater, Crushing Sun, Echidna etc, etc! Há tantas coisas de qualidade por aí espalhadas!

RUÍDO SONORO: Quais são os vossos planos para o futuro? Quando poderão os fãs esperar um novo trabalho?
SWITCHTENSE: Para já estamos apostados em continuar a promover o “Switchtense” ao vivo, pois ainda nem 1 ano de vida tem… Lá para a segunda metade do ano começamos a pensar num álbum novo, que gostaríamos de lançar em 2013, portanto antes disso, não haverão edições de Switchtense!

RUÍDO SONORO: 2012 é ano de forte crise. O que podem fazer as bandas para sobreviver? A pirataria preocupa-vos ou acham que o lucro proveniente dos concertos é suficiente para colmatar o crescente número de downloads?
SWITCHTENSE: Sucintamente e directo ao assunto: emigrar… Só me resta esta resposta! Lucro dos concertos? Que lucro? A perspectiva aqui é nula… O mercado simplesmente não existe, as pessoas não aderem aos concertos em massa. O real é vermos nos eventos de bandas nacionais 150/200 pessoas na melhor das hipóteses, sendo que muitos desses são sempre os mesmos, poucas alternativas restam às bandas senão procurarem outras oportunidades fora daqui. A não ser que se queira ser músico ao fim de semana, e ter outro trabalho qualquer durante a semana para pagar as contas. Sinceramente, essa não é a nossa vontade…

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