O projecto nacional ECOS respondeu a algumas questões à Ruído Sonoro. O álbum de estreia, “Sofrimento a Céu Aberto”, foi lançando no final de 2010 e o trio fala agora sobre as suas ambições e a situação do grupo. As três vozes uniram-se e responderam como um todo. Ricardo, Ruben e Rui em discurso directo.

RUÍDO SONORO: O projecto liga dois membros da área de Lisboa e outro do Funchal. Como surgiu o trio com tantos quilómetros de distância?

ECOS: Conhecemos-nos pela internet, e desde então temos vindo a manter contacto. Partilhávamos gostos musicais e interesses em criar e recriar, e aconteceu encontrarmos-nos, por mero acaso, num concerto em Lisboa. Por essa altura ESPECTRO (de ambos os membros de Lisboa) era uma banda mais activa, tendo mais tarde ido um bocado ao fundo, devido à facilidade com que criámos nova música em ECOS.

RUI: Lembro-me de o Ricardo e Ruben me terem enviado uma faixa para um tal novo projecto, peguei na mesma, por brincadeira, e modifiquei-a. Acrescentei alguns teclados, guitarra, e procedi ao reenvio da mesma. Gostaram do resultado, e assim nasceu o trio. O Ruben tinha já ideias para um nome e logo; concordámos que ambos adequavam-se perfeitamente ao género de música que pretendíamos fazer, e aí surgiu ECOS.

RUÍDO SONORO: Tratando-se de um projecto experimental, que ambições carrega o trio com um estilo musical pouco comum em Portugal?

ECOS: Em termos de ambições, acho que o que nos dá mais prazer nisto tudo é o facto de criarmos bastante material para moldarmos como nos apetece, e a partir daí conseguimos originar algumas dicotomias interessantes. Não somos nenhuns génios dos nossos instrumentos, mas a abordagem que utilizamos para criar estas músicas, seja pela distância de cada membro ou pelos métodos que utilizamos em gravação, leva-nos a olhar para o processo criativo numa perspectiva diferente e talvez até um pouco louca.

RUÍDO SONORO: Algum reconhecimento a nível internacional é uma longínqua meta ou com a Internet já tudo é possível?

ECOS: Por acaso, quando disponibilizamos a nossa primeira demo online, as primeiras pessoas que a espalharam, mesmo antes de quem já nos apoia em solo nacional, foi gente da Rússia, o que logicamente nos surpreendeu bastante, visto que tínhamos pouca visibilidade neste meio. É interessante como um grupo de indivíduos tão distante de nós conseguiu encontrar-nos na vastidão da Internet, fornecendo-nos uma espécie de “trampolim” para chegarmos a mais ouvintes e regiões.

RUÍDO SONORO: “Sofrimento a Céu Aberto” revelou-se uma boa estreia. Usando o sentido da palavra ‘experimental’,  foi algo espontâneo… é correcta esta observação?

ECOS: Diríamos que é certíssima. Aliás, a espontaneidade é a grande base do que fazemos. Muitas das vezes alguém grava uma simples ideia e envia a outro. Guardamo-las todas, até acharmos ter algo substancial e/ou sólido para considerarmos fazer de tal uma música completa.

RUÍDO SONORO: E um próximo trabalho? Algo distinto da estreia ou a mesma fórmula?

ECOS: Para um próximo trabalho, temos mais ideias que dedos nas mãos ou tempo para as concretizar, mas creio que se avizinham diversos EPs. Se serão com a mesma formula? Sim e não. Em termos emocionais será sempre a mesma fórmula: música guiada por desconfortos emocionais, e sentimentos mais negativos e pesados, em geral. A nível de sonoridade, certamente iremos variar por diversos géneros. Como já referi, ideias não faltam, a ver a quais daremos maior prioridade e significância.

RUÍDO SONORO: E por fim, há possibilidade de carregar o projecto para os palcos?

ECOS: Sim, é algo que temos bastante curiosidade em fazer. Tudo depende das possibilidades e ofertas que possam surgir. É claro que teríamos de dispor de algum tempo de ensaio prévio, dada a situação geográfica e o facto de nunca termos feito música juntos, isto como quem diz, na mesma sala. Provavelmente seria uma actuação focada em improvisação e na espontaneidade que já foi acima mencionada. A ver se 2011 traz a oportunidade de uma tal apresentação ao vivo.

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