Rhye no Coliseu dos Recreios. Uma noite doce para recordar

Após várias aparições em contexto de festival, Mike Milosh aterrou em Portugal com os seus músicos para apresentação do projeto de soft R&B, Rhye, em nome individual. Um dia depois de concerto no Hard Club, no Porto, rumou a sul onde se entregou ao público do Coliseu dos Recreios.Os vinte e cinco minutos que passaram a hora marcada para início do concerto foram totalmente perdoados assim que o canadense entrou em palco, antecedido pelos restantes companheiros na bateria, baixo, violoncelo, violino, guitarra e teclas.

Com uma voz poderosa mas doce, tal e qual como nas gravações de áudio, Milosh arrancou com “Verse”, mas foi com “Please” que o público deixou o registo de deslumbramento para responder à interacção, levantando-se para dançar. A mútua timidez característica daqueles que se acabaram de conhecer levou o vocalista a partilhar o seu nervosismo inicial, aproximando-se do público, e em “Major Minor Love” Mike juntou-se ao baterista para o instrumental. Deu-se um brilhante mas inesperado clímax musical para quem se habituou ao seu registo romântico-melancólico, potenciando a beleza das suas canções neste espectáculo.

Em “Last Dance” e “Taste” voltou-se a repetir a dose dos magnificentes instrumentais, que não deixaram ninguém indiferente, enquanto que em “Open”, uma das mais esperadas pelo público, se pediu luz baixa e um ambiente «super quiet». Somente com o ritmo dos estalidos da plateia, tornando o momento mágico e único para quem pôde experienciar, Mike mostrou-se igualmente incluído, exclamando «FUCK! Fuck fuck fuck» face à adesão dos presentes que, apesar de não completarem a sala, se apresentam de corpo e alma. Por último, Rhye despediram-se com a opção escolhida pelo público, em movimento ‘first up and then down’, com “Hunger” e “Song For You”, com ajuda acapella de todos.

Após a despedida da banda e um forte aplauso, foram poucos os que abandonaram a sala, batendo com o pé, na tradicional forma de agradecimento local aos artistas. No entanto, e para sua desilusão, o regresso para encore não aconteceu mesmo.

Texto: Ana Margarida Dâmaso
Fotografia: Ana Ribeiro