Depois de uma actuação no NOS Primavera Sound do ano corrente, Portugal, o trio alemão Moderat voltou a apresentar-se por cá. Desta vez calhou a um amplo armazém da LX Factory, esgotada na noite de bruxas. A fila que serpenteava até à entrada da sala, já numa hora posterior à determinada pela promotora do evento, seria uma premonição da venda total de bilhetes. E, evidentemente, de um concerto com bastante calor humano.

O palco de Moderat não deixa espaço para falhas: é uma estrutura impressionante de efeitos audiovisuais, e estes são debitados com mestria sempre nas alturas certas e em sincronia com a dinâmica musical. Assim se arrancou logo ao início com “A New Error”, depois de uma introdutória e algo tímida “Ghostmother”, em que o gestos das mãos em plano de fundo pautavam os graves das batidas. Somado o som pujante do projecto, o resultado só pode ser grandioso e monumental, com as vibrações a atravessarem o armazém de ponta a ponta, juntamente com as luzes, sem perder intensidade. O público respondia, acompanhando-as com movimentos. Saltos, braços no ar, umas selfies, uns snaps ou apenas um agitar de camisola pelo calor, o difícil era estar quieto.

As faixas de III, como previsto, tomaram grande parte do alinhamento. “Running”, “Eating Hooks” e “Reminder”, esta última é uma resultante de um orelhudo single e de um ritmo viciante, ainda assim, não aliciaram tanto como aquela “Rusty Nails” ou ainda uma breve visita remisturada de “Abandon Window”, tema que conhemos dos kaoss pads de Jon Hopkins. Acabariam por fazer mais duas visitas ao disco de estreia, com “Les Grandes Marches” a fazer Sascha Ring dar tom à reverberação da guitarra e “Nr. 22” a cimentar a pista de dança.

O encore acabaria por chegar de forma previsível. Aqui foi a vez de “Milk”, juntamente com apoteótica “Bad Kingdom”, lembrarem as fusões electrónicas do disco anterior, II. Mas como numa passagem de testemunho, as duas que se seguiram foram do novo álbum – “The Fool” e “Intruder” voltaram a potenciar o uso de lasers e outros jogos de luzes que sobrevoaram as cabeças em direcção aos tijolos do fundo da sala. Um segundo encore, depois de uma longa espera e já com a sala a metade, como um mimo para os mais dedicados, dá-nos “Versions” para encerrar o concerto em absoluto.

Apesar de todo o aparato e pujança, parece não ter sido (curiosamente) suficiente para o público mostrar a resposta que deu à actuação no Porto em Junho último. Talvez por ter sido ao ar livre ou por ter funcionado como um after de um extenso e alucinante Primavera Sound, a efusividade foi diferente. Dada a ausência da banda dos palcos portugueses na altura, poderá ter-se desvanecido o factor novidade nesta data em Lisboa. Opiniões diferentes só poderá ter quem foi brindado com a experiência audiovisual de Moderat pela primeira vez este ano. Mas a julgar pelo entusiasmo, entre estreantes e repetentes, a missão dos alemães é (bem) cumprida e recomenda-se.

Texto: Ricardo Silva & Nuno Bernardo
Fotografia: Nuno Bernardo

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