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	<title>Ruído Sonoro &#187; Bizarra Locomotiva</title>
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		<title>Bizarra Locomotiva &#8211; Álbum Negro</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 10:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PhiLiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Industrial Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Reviews]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum Negro]]></category>
		<category><![CDATA[Bizarra Locomotiva]]></category>

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		<description><![CDATA[Introdução Os contornos da viagem de Bizarra Locomotiva sempre foram definidos por uma enorme afirmação do lado oculto e improvável das coisas mundanas. Mesmo quando se tratam temas mais ou menos comuns (e tal não acontece com tão pouca frequência como se poderia pensar à partida), a abordagem é sempre bastante pouco usual, revestindo-se de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://img260.imageshack.us/img260/4055/bizarralocomotivalbumne.jpg" border="0" alt="" width="528" height="451" /></p>
<div style="text-align: center;"><strong>Introdução</strong></div>
<div style="text-align: justify;">Os contornos da viagem de <strong>Bizarra Locomotiva</strong> sempre foram  definidos por uma enorme afirmação do lado oculto e improvável das  coisas mundanas. Mesmo quando se tratam temas mais ou menos comuns (e  tal não acontece com tão pouca frequência como se poderia pensar à  partida), a abordagem é sempre bastante pouco usual, revestindo-se de  uma sensibilidade característica ou simplesmente despindo-se por  completo da mesma, numa retractação quase maquinal de realidades comuns.  Esta característica transversal a toda a discografia da banda tem a sua  componente mais visível no que se pode chamar poesia do &#8220;nojo&#8221; de <strong>Rui  Sidónio</strong>, mas também na forma como as diversas influências musicais  da banda são mescladas de forma peculiar e acima de tudo, original.A viragem da página que se deu em <strong>Ódio</strong> conferiu a <strong>Bizarra  Locomotiva</strong> uma estabilidade que está logo espelhada nesse álbum e  que em muito justifica a capacidade de a banda ter tido tempo para  maturar o trabalho de 2004 e também conseguir a consistência necessária  para lançar um álbum ainda mais adulto, como é o caso de <strong>Álbum Negro</strong>.  As inesquecíveis aparições ao vivo foram relativamente frequentes e  tendo havido uma continuidade de membros da banda nos anos que separam  os dois álbuns, não é de espantar que uma das principais qualidades  globais que se retiram quase instantaneamente do <strong>Álbum Negro</strong>,  seja precisamente a consistência e a coesão entre todas as partes da  &#8220;locomotiva&#8221;.</p>
<p>Em termos &#8220;comparativos&#8221; com o que foi feito no passado há uma clara  sensação que os princípios mais recorrentes (e simultaneamente mais  positivos) da abordagem artística de <strong>Bizarra Locomotiva</strong> encontram-se presentes de forma mais forte que nunca neste trabalho.  Tanto até, que a banda estica os extremos por si antes definidos e, não  menos importante, consegue fazê-lo em múltiplas direcções. <strong>Álbum  Negro</strong> pega em todo um conjunto de características que definem o  núcleo do som único da banda em todos os seus trabalhos anteriores e  &#8220;depois&#8221; consegue transportar a sua experiência sonora para um outro  nível, virtude do aprofundar violento dos predicados que já antes lhe  pertenciam. Revisitam-se espaços e ao mesmo tempo reinventando-se o  &#8220;visitante&#8221; ou, neste caso, reinventando-se a &#8220;máquina&#8221;.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">A negritude envolvente o lançamento de <strong>Álbum Negro</strong> justifica-se totalmente: o sexto longa duração (contando o &#8220;híbrido&#8221; <strong>First  Crime Then Live</strong> enquanto tal) mostra-se como um monstro sombrio com  a idiossincrasia de um buraco negro, não só pela ausência de  luminosidade, mas também pelo crescer que esta ausência provoca na sua  essência brutal e soturna. Tudo isto oferecido num mundo (construído de  forma cada vez mais inteligente e notável) onde a bizarria (o emprego do  termo é muito mais do que um trocadilho) reina.</div>
<div style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>Alinhamento</strong><br />
01 &#8211; Nostromo<br />
02 &#8211; Êxtases Doirados<br />
03 &#8211; Remorso<br />
04 &#8211; O Anjo Exilado<br />
05 &#8211; Ergástulo<br />
06 &#8211; Sufoco De Vénus<br />
07 &#8211; A Procissão Dos Édipos<br />
08 &#8211; Engodo<br />
09 &#8211; Láudano 3<br />
10 &#8211; Outono<br />
11 &#8211; Egodescentralizado<br />
12 &#8211; Angústia<br />
13 &#8211; O Grito<br />
14 &#8211; Prótese</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Ano </strong>2009</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Editora </strong>Raging Planet</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Faixa Favorita </strong>05 &#8211; Ergástulo</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Género </strong>Industrial Metal/Rock</p>
<p style="text-align: center;"><strong>País </strong>Portugal</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Banda</strong><br />
BJ &#8211; Teclado<br />
Miguel Fonseca &#8211; Guitarra<br />
Rui Berton &#8211; Bateria<br />
Rui Sidónio &#8211; Voz</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://img176.imageshack.us/img176/9559/dsc0404b.jpg" alt="http://img176.imageshack.us/img176/9559/dsc0404b.jpg" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div style="text-align: center;"><strong>Review</strong></div>
<div style="text-align: justify;">O <strong>Álbum Negro</strong>. Soa a paradigma e a momento decisivo. No caso  de <strong>Bizarra Locomotiva</strong> é exactamente isso e algo mais ainda. É  assumir a roupagem do que é tenebroso por cima de uma identidade já de  si obscura e conturbada, sendo que no final, tanto o negro como o  bizarro se moldam um ao outro e claro, emerge uma triunfal mudança.  Mudança com contornos de familiaridade (e que no caso de <strong>Bizarra</strong> vale imenso), mas ainda assim uma dilatação para terrenos até então  menos explorados, ou explorados de uma outra forma. Formam-se pois  momentos em que a escuridão absoluta é rasgada por algumas sombras; a  frase poderá parecer paradoxal, mas adequa-se perfeitamente a um álbum  também, de certa forma, paradoxal pela capacidade de ter silhuetas que  se denotam e destacam, mesmo que essas mesmas estejam envoltas no  asfixio da cor.</div>
<p style="text-align: justify;">À partida o universo de <strong>Bizarra Locomotiva</strong> já se caracteriza  pela distorção dos padrões habituais que rodeiam a idiossincrasia do  género musical da banda (musical e conceptualmente). Musicalmente  afastados do <strong>Industrial</strong> mais tradicional pelo estrépito provocado  (sensivelmente a mesma razão que os afasta do <strong>Industrial Rock</strong>) e  demasiado extravagantes mesmo para o conceito alargado de <strong>Industrial  Metal</strong>, não obstante o peso inerente a <strong>BL</strong> e que neste <strong>Álbum  Negro</strong> é maximizado em todas as direcções. À fúria visceral de <strong>Ódio</strong> juntam-se um conjunto de atmosferas perturbadoras que dão ainda mais  corpo ao som já de si esmagador do bizarro colectivo. Sensorialmente a  sensação claustrofóbica impera com a maquinaria pensada ao pormenor para  deixar passar apenas a necessária dose de alívio melódico para que tudo  não seja demasiado estratosférico. Deste equilíbrio vive a expressão do  <strong>Álbum Negro</strong> e sobretudo a expressão frequentemente doentia da  lírica singular de <strong>Rui Sidónio</strong>, factor essencial para que tudo  faça sentido na desolação do habitual, desconstrução esta que percorre e  identifica o álbum.</p>
<p style="text-align: justify;">Constitui-se então aquilo que é o essencial no trabalho: a relação  entre a palavra maldita e obscura (aqui especialmente obscura) de <strong>Sidónio</strong> e o conturbado mundo de pesadelo criado por <strong>Miguel Fonseca</strong> (compositor exclusivo do trabalho), situando nos pilares da electrónica  assombrosa e agressiva e nos riffs distorcidos (o adjectivo tem uso  duplo) que se juntam perfeitamente com os sons dissonantes que são  disparados pelos samples. Os adjectivos que fazem jus aos momentos de  génio gritado de <strong>Sidónio</strong> são os mesmos que se poderiam aplicar a  todo o ruído cadenciado que sai da mente do antigo mentor de <strong>Thormenthor</strong>.  Tudo surge à beira do abismo nesta relação homem-máquina, com o caos a  pairar com o choque das duas principais forças por detrás da negritude  aqui encontrada. A &#8220;unir&#8221; a vertente instrumental à vertente  vocal-lírica, encontra-se o conceito do álbum baseado no livro do séc.  XV, <strong>Hypnerotomachia Poliphili</strong>, que explora a fase hipnagógica do  sono. Segundo a banda, o processo criativo do álbum passou precisamente  pelo aproveitamento de alguns desses momentos para construir aquilo que é  todo o imaginário lírico, musical e visual do <strong>Álbum Negro</strong>, onde  espaços da Idade Média e ambientes futuristas convivem  fragmentariamente. Faz sentido já que das imagens estranhas criadas pelo  binómio palavra/som vive <strong>BL</strong> e desta vez ainda de forma mais  acentuada e acima de tudo refinada.</p>
<p style="text-align: justify;">Tamanho monstro conceptual requisitou mais potência, mais peso e mais  densidade no som. Tudo é ainda mais preenchido do que no passado e os  sons parecem mais diversificados, acompanhados por aquele que é o  gutural português com mais capacidade de transmissão lírica (e que  lírica, diga-se de passagem). Os samples imaginados por <strong>Miguel  Fonseca</strong> e executados por <strong>BJ</strong> fazem parte, juntamente com os  sintetizadores, da maquinaria de <strong>Bizarra Locomotiva</strong> e a sua  presença faz-se sentir com mais força em momentos mais cadenciados como o  início viciante de <em>Engodo</em>, as fantasmagóricas incursões em <em>Outono</em> ou a conjunção entre os samples dissonantes e os subtis apontamentos  dos sintetizadores em <em>Ergástulo</em>. Qualquer um dos momentos  mencionados é marcante no <strong>Álbum Negro</strong> e não será grande  atrevimento alargar isto a toda a carreira de <strong>BL</strong>. Além deste  papel mais &#8220;melódico&#8221;, os sintetizadores e sobretudo alguns dos samples  criam uma áurea bastante <strong>Industrial</strong> de uma forma, que sendo  pesada (às vezes extremamente), não é ligada ao cânone do <strong>Industrial  Metal</strong>. Assim sendo, o seu peculiar uso é em boa parte responsável  pelo som único da banda. Torna-se especialmente evidente quando se ouve o  arrastado ritual d&#8217;<em>A Procissão Dos Édipos</em> ou o claustrofóbico e  tóxico ambiente do <strong>Spoken Word</strong> doentio de <em>Angústia</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A completar o ataque rítmico temos a bateria de <strong>Rui Berton</strong> (também da mente de <strong>Miguel Fonseca</strong>) em perfeita integração e  (des)harmonia com as paisagens dos samples e sintetizadores. Esta  integração é notória em faixas mais aceleradas onde o martelar constante  é providenciado tanto por <strong>Berton</strong> como pelos samples de <strong>BJ</strong>.  Este é de resto um dos traços mais característicos do espectro mais <strong>Industrial</strong> do trabalho já que as faixas mais rápidas apresentam este tipo de  sonoridade metálica e latejante a encher por completo o trabalho. Nas  faixas mais aceleradas como <em>Êxtases Doirados</em> ou o frenético <em>Egodescentralizado</em>,  o poder rítmico da máquina por detrás de <strong>BL</strong> é bem evidente sendo  que sobra ainda algum espaço para deambulações menos óbvias no  acompanhamento dos restantes elementos. A forma como a bateria está  produzida e colocada ajuda em muito à capacidade da &#8220;locomotiva&#8221;  produzir sons de redobrado poder e intensidade. Nesta secção e nos  momentos referidos há que não esquecer a colaboração <strong>Carlos Santos</strong> como baixista convidado que embora discreto oferece ainda mais &#8220;corpo&#8221; a  algumas das faixas (ouçam-se as linhas palpitantes do baixo em <em>Engodo</em> como exemplo).</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar todo o invólucro sonoro da máquina que é <strong>BL</strong> não  poderia faltar a instrumentalização por excelência daquele que é o  principal compositor do grupo: o guitarrista <strong>Miguel Fonseca</strong>. O  papel das guitarras é claro, vital. Se por um lado o instrumental tem na  bateria, sintetizadores e samples a sua pulsão e circulação, por outro  lado tem na guitarra os seus gritos, uivos e até lamentos. A imagem mais  vezes criada ao ouvir o trabalho é de um rasgar constante, pela camada  distorcida e dissonante, pelos riffs ritmados e de uma simplicidade  terrivelmente eficaz. Predominantemente o efeito é atingido com as  guitarras embebidas em distorção, centradas em riffs monolíticos que  carregam e quebram o som simultaneamente. O trabalho de guitarra alude a  momentos mais ligados ao <strong>Industrial Metal</strong> devido ao peso que  contém, embora a escassez do conforto melódico remeta mais para o <strong>Industrial</strong> criando uma atipicidade quanto à forma como a guitarra opera em <strong>BL</strong>,  distinguindo-os do que está, musicalmente, à sua volta. Isto porque não  são riffs de <strong>Industrial Metal</strong> mas o seu peso também ultrapassa  em larga escala o <strong>Industrial</strong> mesmo na sua vertente mais <strong>Rock</strong>.  É um híbrido que expele dissonantemente identidade e unicidade, mesmo  atendendo ao trabalho passado da banda.<br />
Quando o lado intrinsecamente brutal e ruidoso se ausenta por breves  momentos a guitarra pode produzir estranhos lamentos como o faz em <em>Outono</em> ou até surpreendentemente cativante como n&#8217;<em>O Grito</em>, mostrando  uma capacidade de variação para além da reconhecida aptidão para  (des)construir faixas com riffs duros e distorcidos. Neste último campo,  poder-se-ia destacar quase todo o trabalho mas torna-se especialmente  interessante apreciar a forma como riffs tão simples conseguem um efeito  tão obscuro como em <em>Sufoco De Vénus</em> ou na lentamente decadente <em>Prótese</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O perturbado mundo do <strong>Álbum Negro</strong> nunca seria o mesmo sem a  presença inconfundível do Grito de <strong>Bizarra Locomotiva</strong>.  Trespassando de forma violenta e impiedosa todo o instrumental bizarro, <strong>Rui  Sidónio</strong> é uma força bruta à solta, a humanidade mais carnal naquilo  que é <strong>BL</strong>. A sua voz é naturalmente perturbadora: não por ser um  gutural singular e visceral, mas porque além disso a força da mensagem é  sentida e ouvida de forma particular. Esta capacidade singular de  transmitir mais do que vocalizar, de dizer mais do que &#8220;cantar&#8221; é o que  singulariza <strong>Sidónio</strong> e é o complemento perfeito para os distúrbios  instrumentais do resto da banda. Doutra forma a sensação seria de  impotência e incapacidade para dar continuidade ao muito negro universo  que aqui se constrói. É isso que, por comparação directa, a prestação de  <strong>Fernando Ribeiro</strong> no <em>Anjo Exilado</em> prova cabalmente, não  obstante a competência da participação do vocalista de <strong>Moonspell</strong>.<br />
No entanto, as vocalizações do álbum não são apenas momentos que  acrescem à tensão construída pelo instrumental através de brutalidade  crua e primitiva. O assombroso <em>Ergástulo</em> mostra um registo quase  sussurrado de uma expressividade não menos contundente do que aquela  apresentada quando <strong>Sidónio</strong> parte para a pura agressão. Da mesma  forma, a forma inquietantemente tranquila como parte da letra de <em>Prótese</em> é recitada também se afasta do registo mais presente, mantendo intactos  os elementos que fazem da voz de <strong>Rui Sidónio</strong> o veículo perfeito  para a transmissão da poesia do tormento criada precisamente pelo membro  fundador de <strong>BL</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta poesia única se alimenta o álbum. Única tanto pela riqueza  vocabular como pela peculiar capacidade de tornar o normal em bizarro,  sempre com uma profundidade imensa. Sem qualquer desprimor para com tudo  o que envolve o trabalho: nas palavras de <strong>Rui Sidónio</strong> reside a  pedra de toque do trabalho, o momento em que tudo se define, onde se dá a  (anti)catarse de tudo o que se vai acumulando. Pela lírica de  luxuriante que corre nos <em>Êxtases Doirados</em>, pelas existenciais  linhas de <em>Ergástulo</em>, pelas aliterações que se prostram n&#8217;<em>A  Procissão Dos Édipos</em>, pelos momentos confessionais de <em>Engodo</em> ou pela dor pura de <em>Angústia</em> estão os cantos do <strong>Álbum Negro</strong>.  As imagens de pesadelo onde tudo é possível pela transcendência da  palavra revoltosa, ininterrupta e à beira do suportável quando aqueles  momentos se encontram bem à flor da pele. É aqui que os sentidos das   palavras de <strong>Sidónio</strong> também se multiplicam, pela ambiguidade que  uma escrita deste género sempre acarreta e também por um subterrâneo  pendor surrealista.</p>
<p style="text-align: justify;">Num álbum dominado pela palavra (a excepção é a introdução e a  incursão pela <strong>Industrial</strong> mais electrónica em <em>Láudano 3</em>),  os momentos em que a mesma surge mais marcante e simbólica também são  aqueles que será natural destacar, embora pela qualidade lírica que  atravessa todo o álbum a escolha recaia (ainda mais do que seria normal)  nos momentos com uma mensagem introspectiva mais profunda. Aqui surgem  os momentos onde a &#8220;locomotiva&#8221; avança a uma velocidade mais moderada,  quiçá pelo espinhoso caminho a percorrer&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">O ambiente ritualístico de <em>Engodo</em> oferece-se como primeiro e  perfeito exemplo de dolorosas viagens. O ambiente criado pelos teclados e  guitarra é tenso e assombroso, para que a voz assuma o seu papel de  expurgadora de demónios, ora quotidianos ora mais filosóficos, sempre de  forma bem particular:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Rimo a constituição íntima das coisas<br />
Que se me deparam lacrimosamente<br />
Adormecido de todas as estranhezas<br />
Que se me afligem ao extraviar-se</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mas vendi-me<br />
Num largo gesto de simpatia<br />
Que me custou a morada</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Inexoravelmente calmo, seco a garganta<br />
Sanhudo, bebo da mentira alheia<br />
Indiferente, classifico-a raiz dos enganos<br />
E exercito-me ao recitá-la</em></p>
<p style="text-align: justify;">De forma arrastada e pesada surge a faixa final, <em>Prótese</em>. Para  além de alguns dos riffs mais fortes do álbum, a faixa destaca-se pela  sua divisão entre o <strong>Spoken Word</strong> e o som mais &#8220;tradicional&#8221; da  banda. Qualquer uma das &#8220;partes&#8221; é intensa à sua forma: uma pelo natural  elemento ruidoso e outra pela voz sussurrada de <strong>Sidónio</strong> declamando:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vagueio pelo trópico de câncer com uma ogiva ao peito<br />
mas consigo ver tudo que deixei para trás</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sinto a minha a gorda agonia a tolher-me o passo sem vestígios de  pudor só de pensar no tempo que perdi&#8230; o destino assim o quis&#8230;!<br />
Penso em ti sete vezes por segundo<br />
Arrasto-te comigo para todo o sempre. És  a besta que me persegue, a  minha deficiência adquirida. Partiste-me o que tinha de mais precioso.<br />
A minha alma mudou de envólucro.<br />
Tarde demais para voltar atrás.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Apodreço sem vida&#8230; mas tu&#8230; tu ainda ficas!</em></p>
<p style="text-align: justify;">Resta apenas uma coisa por dizer. A única que se necessária fosse  conseguiria definir nesta besta erguida por <strong>Bizarra Locomotiva</strong>.  Não por escassez de substância de todo o álbum mas pelo que representa  enquanto paradigma do que é que a banda consegue fazer, transformando-se  através da overdose daquilo que já tinha de melhor. No monumento de  intensidade, potência e, à sua tremenda maneira, beleza que é <em>Ergástulo</em> o <strong>Álbum Negro</strong> tem o seu momento sublime. <strong>Bizarra Locomotiva</strong> tem um dos seus clássicos definitivos num registo lento, doloroso e  simplesmente arrepiante:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Canso-me perplexo<br />
da ode triunfal<br />
apreciava a dor da luz<br />
dissecando a graça suprema<br />
orgulho a salvo, prostro-me<br />
perante o teu plácido legado<br />
o meu pensamento processa-se<br />
silenciosamente&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Basta! Sou estrume! Esta é a minha certeza<br />
fertilizante orgânico<br />
do mal que tudo corrompe</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Untando-te a vontade<br />
com ruidosas tonturas<br />
a minha omnívora alma<br />
devora-te legando amargas costuras<br />
Neste ergástulo de ser quem sou, envelhecido, num refluxo de culpa<br />
acaricio-te o contorno dos olhos<br />
e cerro os meus<br />
deixando-te moribunda.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Basta! Sou estrume! esta é a minha certeza<br />
fertilizante orgânico<br />
do mal que tudo corrompe</em></p>
<p style="text-align: justify;">O <strong>Álbum Negro</strong>. Foi o momento de renegar quase tudo. Renegar  tudo menos a capacidade reinventiva. O resultado é uma vertiginosa  viagem por lugares escuros e desagradáveis; onde o desconforto domina.  Seja pelo sítio para onde se é transportado pela <strong>Bizarra Locomotiva</strong> ou pela simples visão do que essa viagem representa. Seja qual for a  situação, o <strong>Álbum Negro</strong> para além de soar a tal, estabelece-se  mesmo como mais um momento essencial na carreira da banda.</p>
<div style="text-align: center;"><strong>Conclusão</strong></div>
<div style="text-align: justify;">No meio de trabalhos tão brilhantes como o homónimo, <strong>Bestiário</strong> ou <strong>Ódio</strong>, a monocromática proposta do <strong>Álbum Negro</strong> segue  precisamente a característica principal do brilhantismo do seu  antecessor: contrastar para se impor. É isso mesmo que o trabalho faz na  discografia de <strong>BL</strong>. Não aperfeiçoa (no sentido de continuidade,  entenda-se) o que foi feito no passado e lança-se sim em caminhos  escuros (duplo sentido no termo, claro). É porventura risco maior, mas  também por isso o resultado é mais estrondoso.</div>
<p style="text-align: justify;">Depois da surpreendente (tendo em conta os percalços vividos pela  banda nos tempos entre <strong>Homem Máquina</strong> e o trabalho de 2004)  maturidade de <strong>Ódio</strong>, os <strong>BL</strong> fortalecem-se ainda mais. Também  se poderá falar de maturidade mas num sentido distorcido (como  &#8220;deliciosamente&#8221; quase tudo o é no universo artístico de <strong>BL</strong>) onde  o tempo deu lugar a mais poder, mais fúria, mais &#8220;águas revoltas&#8221;: mais  exagero no fundo. Outras comparações à parte, no sentido mais primitivo  e selvagem de romper os limites de forma caótica o <strong>Álbum Negro</strong> cumpre perfeitamente com a ambição e atinge genialmente o objectivo.</p>
<div style="text-align: center;"><strong>PhiLiz</strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong>Originalmente      escrito em:</strong></div>
<div style="text-align: center;"><a href="http://philiz.wordpress.com/2010/02/07/bizarralocomotiva-albumnegro"><strong>PhiLiz     @ WordPress</strong></a><a href="http://philizspace.spaces.live.com/blog/cns%211C08FE60A10C0332%211180.entry"><strong> </strong></a><a href="http://philizspace.spaces.live.com/blog/cns!1C08FE60A10C0332!1201.entry"><strong></strong></a></div>
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		<title>Bizarra Locomotiva &#8211; Ódio (2004)</title>
		<link>http://ruidosonoro.com/2010/02/16/bizarra-locomotiva-odio/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 18:10:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PhiLiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Industrial Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Reviews]]></category>
		<category><![CDATA[Bizarra Locomotiva]]></category>
		<category><![CDATA[Ódio]]></category>

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		<description><![CDATA[Introdução Os mais brilhantes representantes da cena mais pesada de Industrial em Portugal, ultrapassam qualquer contexto em que possam ser inseridos devido à pura vandalização sonora imprimida em qualquer dos seus trabalhos. Os Bizarra Locomotiva apresentam-se como o nome indica, máquina bizarra de contornos grotescos e assassinos para os ouvidos comuns. Com uma frenética energia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div style="text-align: center;">
<p><a href="http://ruidosonoro.com/wp-content/uploads/2010/02/bizarra2blocomotivac393.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1089" title="bizarra2blocomotivac393" src="http://ruidosonoro.com/wp-content/uploads/2010/02/bizarra2blocomotivac393.jpg" alt="" width="512" height="457" /></a></p>
</div>
<div style="text-align: center;"><strong>Introdução</strong></div>
<div style="text-align: justify;">Os mais brilhantes representantes da cena mais pesada de <strong>Industrial</strong> em Portugal, ultrapassam qualquer contexto em que possam ser inseridos devido à pura vandalização sonora imprimida em qualquer dos seus trabalhos. Os <strong>Bizarra Locomotiva</strong> apresentam-se como o nome indica, máquina bizarra de contornos grotescos e assassinos para os ouvidos comuns. Com uma frenética energia em estúdio, os <strong>Bizarra</strong> atingem toda a sua potencialidade ao vivo, com espectáculos absolutamente arrebatadores, onde cada sílaba é demonstração de puro ódio e fúria. Neste campo poucos os conseguirão igualar no nosso país.</div>
<p style="text-align: justify;">Baseados no <strong>Industrial</strong> de características bem &#8220;metálicas&#8221;, a banda de <strong>Rui Sidónio &amp; Ca.</strong> apresenta-se acima de tudo como uma agressão. Nada em <strong>BL</strong> é belo, conforme, habitual&#8230; nada na mistura selvagem da banda está dentro dos padrões habituais (o facto de cantarem em Português tem um significado enorme, mas também representa uma quebra do que costuma ser a regra no género), formando uma simbiose de niilismo musical e pura brutalidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ódio</strong> é um nome directo ao que a banda tenta transmitir esta proposta de 2004. Não se vislumbra nada bonito ou calmo&#8230; aqui tudo é grotesco&#8230; e é isso que torna <strong>BL</strong> tão espectacular.</p>
<div style="text-align: center;">
<p><strong>Alinhamento</strong><br />
01 &#8211; Gárgula<br />
02 &#8211; Buraco Negro<br />
03 &#8211; Fantasma<br />
04 &#8211; Desgraçado De Bordo<br />
05 &#8211; O Frio<br />
06 &#8211; Usina<br />
07 &#8211; Pedinte<br />
08 &#8211; Moscas<br />
09 &#8211; Tráfico De Órgãos<br />
10 &#8211; Coisa Morta<br />
11 &#8211; Mordo<br />
12 &#8211; Ódio<br />
13 &#8211; O Regresso</p>
<p><strong>Ano</strong> 2004</p>
<p><strong>Editora</strong> MetroDiscos</p>
<p><strong>Faixa Favorita</strong> 10 &#8211; Coisa Morta</p>
<p><strong>Género</strong> Industrial</p>
<p><strong>País</strong> Portugal</p>
<p><strong>Banda</strong><br />
BJ &#8211; Máquinas<br />
Miguel Fonseca &#8211; Guitarra<br />
Rui Berton &#8211; Bateria<br />
Rui Sidónio &#8211; Voz</p>
<p><img src="http://img265.imageshack.us/img265/1031/blud9.jpg" border="0" alt="" /></p>
</div>
<div style="text-align: center;"><strong>Review</strong><strong></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>Ódio</strong> apresenta-se em primeiro lugar como um álbum bastante mais directo e pesado do que o seu sucessor, o conceptual <strong>Homem Máquina</strong>, momento mais experimental da banda. Aliás, <strong>Ódio</strong> é o primeiro álbum &#8220;não-conceptual&#8221; desde <strong>Bestiário</strong>, o que representa por si só uma mudança.</div>
<p style="text-align: justify;">No entanto, a maior mudança ocorrida no seio da banda, foi a saída do compositor principal e fundador, <strong>Armando Teixeira</strong> (que entre muitos projectos pertenceu aos&#8230; <strong>Da Weasel</strong>) que abandonou a banda após <strong>Homem Máquina</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">As dúvidas em relação à direcção da banda eram muitas, mas assim que se ouve <strong>Rui Sidónio</strong> com uma acidez venenosa a proclamar: <em>Ela riu-se para mim com aquela boca mortiça&#8230;</em> &#8211; percebe-se que a brutalidade e a violência estão de volta e substituem o experimentalismo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de mais violento, agressivo e acima de tudo com uma carga negativa megalómana (no melhor sentido), o álbum não se torna menos interessante ou fácil de digerir. As letras perturbantes, niilistas e bizarras de <strong>Rui Sidónio</strong> são um dos principais factores deste renovado poder da banda. Tudo o resto está em consonância: se a voz é gutural e as letras morféticas, toda a  máquina é poderosa, maquiavélica e com o único objectivo de se tornar uma autêntica dilaceradora para todos os tímpanos com que se cruze.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrada do guitarrista <strong>Miguel Fonseca</strong> (conhecido de várias bandas nacionais, incluindo os grandes <strong>Thormenthor</strong>, nome grande do <strong>Death Metal</strong> português no início dos anos 90), pelas suas influências óbvias foi certamente um dos grandes responsáveis pelo regresso à brutalidade em doses industriais que a banda apresenta em <strong>Ódio</strong>. Com riffs inflamados, com uma melodia peculiar (ouça-se &#8220;O Frio&#8221;), o guitarrista assumiu ainda o papel de compositor principal e diga-se de passagem que este &#8220;regresso às origens&#8221; da banda deve-se em muito a este facto (o que não deixa de ser irónico devido a ser um membro novo).</p>
<p style="text-align: justify;">Uma outra figura incontornável da banda é o responsável pela dita maquinaria, <strong>BJ</strong>, também responsável pelos &#8220;back vocals&#8221; e que assume uma dimensão ainda maior ao vivo, onde é uma figura &#8220;sui generis&#8221; devido à sua tresloucada presença em palco. Neste trabalho <strong>BJ</strong>, bem como a bateria de <strong>Rui Berton</strong> apresentam-se como o coração da máquina, contribuindo para todo o caos que invade o álbum.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo o álbum está pulverizado de metáforas infectadas que lidam com decadência, niilismo, situações de completo nojo e claro, ódio. As letras de <strong>Sidónio</strong> são directas e bem explícitas, mas no seu todo transmitem uma mensagem inteligentemente destrutiva. Não é poesia bela e profunda, é um liricismo rasgante e fracturante, onde o grotesco e o putrefacto assumem um papel preponderante na banda. Aliás, para além das letras, a é verdade que <strong>Bizarra Locomotiva</strong> não poderia ter um vocalista diferente. Em gutural e cuspindo agressão, <strong>Rui Sidónio</strong> é provavelmente a marca mais distinta da banda (mesmo ao vivo onde todos os cenários à volta da banda são peculiares) e que em <strong>Ódio</strong> é um dos responsáveis pelo sentimento que o nome do álbum indica.<br />
Para a mensagem passar bem a produção é clara e bem conseguida, tornando a experiência auditiva mais cristalina&#8230; mas para se pode ouvir correctamente a barulhenta máquina!</p>
<p style="text-align: justify;">Não sendo um álbum conceptual, os temas das músicas apresentam semelhanças, sendo que a originalidade das letras não deixa que estas se tornem de forma alguma menos interessantes.<br />
O álbum apresenta um autêntico desfilar de músicas frenéticas e massacrantes, como é o caso da trilogia, <em>Buraco Negro</em>, <em>Fantasma</em> e <em>Desgraçado De Bordo</em>, esta última que para além de ser uma das mais bem conseguidas faixas do álbum apresenta um tom niilista que se saúda:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Desgraçado de bordo<br />
Recusou as oferendas<br />
Recusou a moral<br />
Recusou a vida</em></p>
<p style="text-align: justify;">Outro dos momentos altos do álbum está no genial <em>Frio</em>, com os riffs melódicos e uma áurea misteriosa, bem como a genial letra fazem desta faixa uma das melhores músicas de toda a carreira de <strong>Bizarra</strong>. Ao vivo, a música assume uma genialidade ainda maior, com a encenação teatral de <strong>Rui Sidónio</strong> e <strong>BJ</strong>, resultando sempre num dos momentos alto dos concertos.</p>
<p style="text-align: justify;">O tom de raiva em <em>Pedinte</em> (ao qual &#8220;só os malditos acodem&#8221;) integra-se com um sentimento quasi-misantrópico que a música apresenta. Apesar de mais experimental mantém a grande intensidade. Numa linha lírica paralela temos <em>Moscas</em>, com mais putrefacção ainda. A letra revela sentimentos de ódio para com o próprio ser (numa possível alegoria entre moscas e o próprio homem) e algumas das suas características&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O meu desgosto é profundo<br />
Sinto-me a mais neste mundo<br />
O meu cheiro é nojento<br />
E no meu ventre o lamento</em></p>
<p style="text-align: justify;">Após mais um momento de respiração em <em>Tráfico De Órgãos</em>, segue-se a melhor música do álbum. <em>Coisa Morta</em> trata-se de uma faixa com ritmos palpitantes, letra macabra e acima de tudo de grande genialidade. O refrão assume o papel de um constante martelar, não só pela voz, mas através da máquina infernal que faz questão de demonstrar toda a sua fúria.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Coisa morta<br />
Lembras-me quem sou<br />
Coisa morta<br />
Lembras-me o que sou</em></p>
<p style="text-align: justify;">Por último, destaque para <em>Mordo</em> e a faixa-título, três minutos sem qualquer contemplação e de puro ódio (e neste caso no sentido mais literal possível) e de com o ritmo a acelerar consideravelmente.</p>
<p style="text-align: justify;">O folgo é pouco no fim dos quase quarenta e cinco minutos, sobrando o sangue que jorra dos ouvidos de quem aguentou o massacre sonoro de <strong>Ódio</strong>.</p>
<div style="text-align: center;"><strong>Conclusão</strong><strong></strong></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>Bizarra Locomotiva</strong> e este álbum em particular, não são de todo acessíveis. No espectro do <strong>Industrial</strong> a banda apresenta elementos violentos e poderosos (a associação ao <strong>Metal</strong> é inevitável), sendo que por outro lado os elementos electrónicos podem afastar quem está mais habituado a sonoridades pesadas. Como se não bastasse as vozes guturais não são propriamente dos elementos mais fáceis de assimilar&#8230;</div>
<p style="text-align: justify;">Mas são precisamente estas características únicas que tornam a banda numa das mais criativas, inventivas e geniais produções portuguesas. <strong>Ódio</strong> dá uma prova de maturidade e força (odiosa saiba-se!) e prova que o estatuto de melhor banda nacional do estilo é inegável.</p>
<div style="text-align: center;"><strong>PhiLiz</strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong>Originalmente escrito em:</strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong><a href="http://philiz.wordpress.com/2009/11/15/bizarralocomotiva-odio/">PhiLiz @ WordPress</a></strong></div>
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