Antes de iniciar a escuta deste novo álbum dos Conan Castro and The Moonshine Piñatas, é importante referir dois aspectos essências. Shrimp Waterfall é dos melhores nomes de álbum de que tenho memória. Depois, a capa deste álbum, criada por Ricardo Reis, é uma autêntica obra-prima. Posto isto, vamos lá à música.

Editado pela Hey, Pachuco! Records, este é o segundo álbum da banda do Barreiro, depois de Cataplana Americana, lançado em 2017. Leite Castro e Lixo Castro (guitarras), Licor Castro (baixo), Lindo Castro (bateria) e Lama Castro (voz) são os anfitriões desta salada de frutas, com cheirinho a tequila e mezcal. Todo o imaginário lírico da banda gira em torno dos fronteiriços mexicanos e americanos, mas nem os próprios não estão muito convencidos disso. Mas, também, pouco importa, pois o que verdadeiramente interessa aqui é que a sua música é fresca, cheira de adrenalina e com muita energia para espalhar.

Face ao álbum anterior, nota-se um aprimorar da matéria dada. Se o primeiro trabalho já continha toda a energia e loucura típica da banda, este Shrimp Waterfall oferece uma maior diversidade musical, explorando novas sonoridades, e até novos idiomas. O grande feito aqui foi que conseguiram manter o ar selvagem e delirante de Cataplana Americana adicionando uns ingredientes melódicos e orelhudos que encaixam maravilhosamente bem. O garage punk-rock ainda está lá, e bem, mas com ele está também outras variantes que vêm aprimorar o trabalho da banda, com um leque de géneros e referências mais variado.

Se há música que ouvi em repeat, foi a “Manitoba War Cry”. É daquelas em que bate tudo certo, os instrumentos fluem todos num só sentido e, ao fim de algumas repetições, já trauteamos o refrão. A “L’arrampicata” parece saída de um filme do Sergio Leone com argumento de Quentin Tarantino, algo que, agora que penso nisso, deveria ser incrível, tal como é esta faixa. O prémio de riff mais cool vai para a “Mohawk Valley Formula”, que conta com belíssimos solos pelo caminho e gritos de ordem bem apurados.

Inglês, italiano, francês ou português do Brasil: a verdade é que este quinteto explosivo é capaz de colocar a malta toda a abanar o esqueleto em que língua for, isso é um enorme feito. Além disso, fiquei ainda com mais saudades de os ver ao vivo, pois é sempre uma experiência selvagem e na qual não sabemos se vamos acabar o concerto descalços ou a ser banhados por cerveja alheia. Em ambas as situações, acreditem que compensa.

Texto: Gonçalo Cardoso

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