Há tantos anos que anda por aí que quase é esquecida a longevidade da lenda das lendas, o ‘Príncipe da Escuridão’ regressa com um disco extremamente pessoal que acaba por retratar o seu longo caminho para a fama e consegue ser uma despedida dos estúdios e dos palcos, fruto dos seus mais recentes problemas de saúde. Ozzy Osbourne nasceu, viveu e irá morrer num palco, quer se goste quer não, Ozzy é uma lenda incontornável que fundou um género e o continuou em Black Sabbath e em nome próprio. É com este nome próprio que lança o seu 12.º álbum de originais, Ordinary Man (trad: homem comum).

Trazendo uma série de amigos para a colaboração do disco, incluindo Slash, Post Malone e Elton John, Ozzy consegue fundir duas das suas grandes paixões: o heavy metal e as power ballads. Ordinary Man é composto por 11 faixas, onde se destacam “Straight to Hell”, “Under The Graveyard”, “All My Life” e “Ordinary Man” que são verdadeiras composições que se impõem tanto pelo seu grau de obscuridade e emoção, com as emotivas (“All My Life” e “Ordinary “Man”) a servirem de compêndio a uma terminal ‘raison d’être’ que parece surgir no pior ano da vida do artista. Destaques à parte, a verdade é que todo o álbum consegue apresentar um Ozzy em boa forma vocal, apesar dos vários retoques de produção que os temas exigiram para que a voz de Ozzy ficasse ao nível que todos estamos habituados. A par disto, a produção acaba por retirar a ‘rudeza’ existente nos álbuns a solo da lenda, tendo de confiar num som mais limpo e numa equipa de músicos à qual nem sempre está habituado, com a ausência do grande Zakk Wylde a retirar um protagonismo sonoro que era sempre tão importante.

Sendo um tema tão comum, o longa-duração não pretende ser conceptual, apesar do significado que contém. Ordinary Man acaba por se tornar muito comercial e chegado às rádios, mesmo com faixas pesadas como “Straight to Hell” e a incrível “Under The Graveyard”, e com baladas poderosas como “Ordinary Man”. O 12.º disco de originais não pode ter uma análise linear, pois nunca foi assim que Ozzy nos habituou. Saber que o mesmo lança um disco na sua idade (71 anos), com todos os seus problemas de saúde, é realmente incrível e surpreende pela sua energia vocal que faz inveja a qualquer jovem cantor da indústria. Ordinary Man não se compara aos clássicos do artista, nem de perto nem de longe; consegue conter uma série de temas poderosos e emotivos que nos levam a uma viagem pelo íntimo do príncipe, no entanto, desilude pelo seu grau de limpeza e diversidade de qualidade, com faixas muito boas e outras menos conseguidas como “Goodbye” e “Scary Little Green Men”, e pela quantidade de temas com refrões fáceis e previsíveis. Independentemente de todos os defeitos que lhe quisermos pôr, a verdade é que é um disco que revela mais de um dos homens mais importantes do heavy metal, género que ajudou a fundar. O 12.º álbum de estúdio não nos fará esquecer os icónicos Blizzard of Ozz e Diary Of A Madman, mas consegue ser um bom registo de que o ‘Príncipe da Escuridão” ainda tem uma voz activa num género a precisar de rostos.

Autor: João Braga

Há tantos anos que anda por aí que quase é esquecida a longevidade da lenda das lendas, o 'Príncipe da Escuridão' regressa com um disco extremamente pessoal que acaba por retratar o seu longo caminho para a fama e consegue ser uma despedida dos estúdios e dos palcos, fruto dos seus mais recentes problemas de saúde. Ozzy Osbourne nasceu, viveu e irá morrer num palco, quer se goste quer não, Ozzy é uma lenda incontornável que fundou um género e o continuou em Black Sabbath e em nome próprio. É com este nome próprio que lança o seu 12.º álbum…

Álbum. Epic Records. 21/02/20

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