A música regressa à Avenida da Liberdade já esta semana. Nos dias 22 e 23 de Novembro o Super Bock em Stock constitui mais de uma dezena de palcos para receber mais de cinquenta concertos e mantém a receita da mobilidade no coração de Lisboa. De palco em palco à procura da música emergente e também das várias certezas que constroem o cartaz desta edição do festival.

O cartaz integral e a divisão diária e por palcos do Super Bock em Stock 2019 pode ser consultada, aqui, mas em baixo deixamos dez recomendações a ponderar na construção do circuito único de cada visitante do festival.

#01 Michael Kiwanuka

Não é mero acaso que o nome de Michael Kiwanuka surge no topo do cartaz deste Super Bock em Stock. Encontra-se no mapa mundial da música desde que lançou o álbum de estreia, Home Again em 2012, que foi um sucesso comercial e artístico, valendo-lhe até uma nomeação para um Mercury Prize. E depois de Love & Hate, de 2016, a mistura audiciosa de folk, indie rock e R&B encontrou novo trabalho, homónimo, lançado em Outubro. Será esse terceiro álbum, Kiwanuka, a apresentar ao público português como nome maior na Sala Super Bock, situada no Coliseu dos Recreios.

#02 Helado Negro

Dez anos depois do primeiro álbum, Awe Owe, Roberto Carlos Lange já soma vários trabalhos em torno da poesia cósmica de um Sun Ra – todos estes em prol da sua personagem, Helado Negro. O crescimento deu-se com Double Youth (2014) ou Private Energy (2016), mas é o novo This Is How You Smile que motiva o concerto que dará no Cinema São Jorge a 23 de Novembro. Versos bilingues sobre a infância e os pais imigrantes, do Equador, e com arranjos mais sofisticados e melancólicos marcam este novo capítulo da sua carreira.

#03 Marissa Nadler

É preciso recuar a 2014 para nos lembrarmos da estreia de Marissa Nadler em Portugal – fê-lo numa passagem dupla, no Amplifest e na Galeria Zé dos Bois – mas quis o destino que ela regressasse agora apenas a Lisboa. Desde July, que nos apresentou na altura, lançou Strangers (2016) e o mais recente For My Crimes (2018), para além de Droneflower este ano a meias com Stephen Brodsky, mas mantém a sua linguagem própria de folk, dream pop e toda uma série de outras influências que a tornam uma das cantautoras mais ricas da sua geração: está lá a voz, está lá a escrita e está lá a sua paixão. A Sala Buondi, no Palácio da Independência, será o seu palco.

#04 Curtis Harding

Hoje é uma das figuras emergentes do rock e do R&B, mas há muito que Curtis Harding tem trilhado o seu percurso. Cedo colaborou com Outkast e Cee-Lo Green e em 2011 cruzou-se com Cole Alexander, dos Black Lips, fazendo nascer os Night Sun. No mesmo ano em que lançaram os primeiros singles, chegou também Soul Power, o primeiro trabalho a solo de Curtis, que não se intimida a juntar soul, R&B e punk ao espírito do garage rock. Face Your Fear, disco lançado em 2017, continua a ser o trabalho mais recente, mas já com olhos postos no futuro. O Coliseu dos Recreios poderá testemunhar algum pedaço do terceiro álbum, que há-de chegar.

#05 Josh Rouse

Vinte anos depois de iniciar a sua carreira em Nashville, o cantautor Josh Rouse traz-nos o seu décimo segundo álbum, Love In The Modern Age, reflexo da sua necessidade pela mudança: dispensou a banda e tocou quase todos os instrumentos, com a proeminência do sintetizador a tirar o spotlight à sua eterna guitarra. Salta à vista no cartaz não tanto como substituto de Kevin Morby, obrigado a cancelar a digressão europeia por ordem médica, mas pela sua veterania marcada em trabalhos como  1972 (2003), Nashville (2005), Subtítulo (2006) ou Country Mouse, City House (2007). O Teatro Tivoli BBVA será dele.

#06 Viagra Boys

Talvez o nome maior desta edição no que toca a espírito punk ou de rock cru e duro. Os Viagra Boys são já uma referência do rock escandinavo e um caso sério em palco, como o mostraram este ano na sua passagem pelo NOS Primavera Sound. Donos de uma contagiante energia e de um inegável espírito rebelde, trazem consigo os temas de Street Worms e vontade que chegue para assolar o átrio da Estação Ferroviária do Rossio|IP, onde se situa o palco da Sala Rádio SBSR.

#07 Angélica Salvi

Radicada no Porto desde 2011, a harpista espanhola Angélica Salvi convida o público a mergulhar na sua cadência espiritual e emocional. A sua música, embebida de delays e de uma ambiência quase xamânica, explora o universo da repetição e da catarse incorpórea. Já existe no entanto materialização do seu trabalho: Phantone, recentemente lançado, é o seu álbum de estreia e tem o selo da Lovers & Lollypops, que nos dá portanto um dos mais únicos trabalhos lançados em Portugal neste ano. Apresentada por The Legendary Tigerman, Angélica Salvi actuará então na Sala Santa Casa, situada na Garagem EPAL.

#08 Orville Peck

Orville Peck (na foto de capa deste artigo) é um dos fenómenos da música indie de 2019. A sua personagem é uma espécie de cowboy foragido, que não tem problemas em casar a country com o som gótico e a reverberação shoegaze, transportando-nos para diversas décadas: para os anos 50 e 60 da guitarra mais tradicional, assim como para os 80’s e os 90’s da música mais enigmática inspirada em David Lynch. Essa atmosfera cinematográfica estende-se do disco Pony para os palcos, onde a sua máscara será o rosto a seguir na Sala EDP, na Casa do Alentejo.

#09 Club Makumba

Tal como Angélica Salvi, The Legendary Tigerman apadrinha neste Super Bock em Stock também a presença de Club Makumba. Neste caso trata-se de um exclusivo, dado que será o primeiro concerto do projecto resultante da expansão sonora de Tó Trips e João Doce, que já havíamos conhecido no lançamento de Sumba. Mas Club Makumba é ainda mais ambicioso. À guitarra do primeiro e à percussão do segundo, junta-se ainda o saxofone de Gonçalo Prazeres e o contra-baixo de Gonçalo Leonardo. Está feito o convite para a sua música influenciada por vários pontos circundantes do Mediterrâneo: será na Sala Santa Casa, na Garagem EPAL.

#10 Nilüfer Yanya

Nilüfer Yanya é outro fenómeno da música independente do ano corrente. Miss Universe, o álbum de estreia, é conceptual e dedicado à ansiedade, à paranoia e a outros transtornos psicológicos. A jovem londrina, que se estreou cá este ano no NOS Primavera Sound, é também ela uma miss universo pelas influências que recebe da sua ascendência: a mãe tem herança irlandesa e barbadense e deu-lhe a música clássica, enquanto o pai lhe passou a música tradicional do seu país, a Turquia. O resultado, uma combinação de indie rock, soul, jazz e triphop com vários rastros da hereditariedade, estará em palco no Cinema São Jorge.

Para além destes dez nomes, no Super Bock em Stock vão ainda actuar Slow J, Balthazar, Col3trane, Ady Suleiman, Jordan Mackampa, Luís Severo, Meute, Sinkane ou Marinho, entre muitos outros.

Autor: Nuno Bernardo

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