Foi na passada quinta-feira, 24 de Outubro, que a lisboeta Filipa Marinho (Pipa), apresentou o seu primeiro disco, ~ (til), na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto. Para assinalar este seu primeiro trabalho a solo, Marinho decidiu aproveitar a data para celebrar o seu aniversário, ocorrido dias antes, tendo portanto reunido numa noite tão especial não só alguns dos seus admiradores como também familiares e amigos.

Convidou para a primeira parte da noite a sua amiga Catarina Falcão, identificando-se neste novo projeto como MONDAY, no qual podemos escutar o tema “Little Fish” do EP que sairá em 2020. Levantando-se suavemente na ponta dos seus botins pretos, escutámos as já mais antigas “Convictions” e “Learn”. Após ter confessado o seu ódio pelas segundas (feiras) lançou um repto cantarolado para a necessidade de apoio financeiro à música independente e despediu-se com um agradecimento a Marinho e um pedido ao público, «sigam-me nas redes sociais, se não, não sou ninguém».

O momento seguinte pertenceu a Marinho com a sua banda, a qual também integra o seu irmão. No público, era possível identificar alguns rostos conhecidos do mundo da música, uns quantos admiradores e um grande suporte familiar e de amizade, estes últimos que à sua entrada em palco aplaudiam e gritavam efusivamente «Margarete! Vai Margarete!». Filipa juntou-se ao piano na música introdutória, passando depois para a guitarra, com um sorriso no rosto e um olhar tranquilo que mostrava concretização e felicidade – cumpria-se um propósito e festejava-se a vida. Na sua serenidade, confortou-nos com “I Give Up and It’s Ok”, tendo no final partilhado «esta é a melhor festa de aniversário que eu já tive, sem dúvida».

A “Ghost Notes”, o seu single de estreia, foi como que uma confirmação ao sucesso do seu trabalho, com os presentes a cantarem, em coro, as bonitas palavras do refrão «dreams are the only place/where my feelings survive». Destacou “Freckles” como a sua música favorita do disco (em alguns dias) e como a que justifica o título do seu álbum, por parte da última estrofe – «and life is like a tilde sign with ups and downs, not a straight line». Chamou depois as irmãs Falcão ao palco para a única música partilhada no disco, “Not You”, produzida com Catarina, referindo que «tinha de ser com uma mulher devido à pouca visibilidade feminina na música, sobretudo na composição», enaltecendo também o trabalho da amiga. Explicou-nos ainda história de “Window Pain”, que aborda o episódio em que bateu com a cabeça no vidro, numa brincadeira com o seu irmão, e de como a sua prestação em “Joni” relembra a alguns Alanis Morissette, embora ela a tenha escrito a pensar em Joni Mitchell.

Nesta apresentação, Marinho quis também deixar algumas referências àqueles que a inspiram, tendo surgido com covers de The Be Good Tanyas, “In Spite Of All The Damage”, que destacou como uma música que adora. Guardou mais para o fim “I’m On Fire” e um tributo à familia Wainwright, com “Motel Blues”, de Loudon e “Bloody Mother Fucking Asshole”, de Martha, com a qual terminou o concerto.

Marinho tem concerto agendado para o próximo sábado, dia 2 de Novembro às 22h, na Casa da Cultura em Setúbal.

Texto: Ana Margarida Dâmaso
Fotografia: Ana Ribeiro

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